
Os derivados da cana-de-açúcar seguem em trajetórias opostas no mercado, com alta do etanol e queda do açúcar, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Enquanto etanol hidratado e anidro registraram a segunda semana consecutiva de valorização no mercado paulista, o açúcar cristal branco continuou recuando em um ambiente de baixa liquidez.
O movimento recente reflete uma combinação de fatores climáticos e de mercado. As chuvas observadas até a metade da semana passada atrapalharam a moagem em algumas unidades produtoras e reduziram o ritmo de colheita, influenciando a dinâmica de oferta. Ao mesmo tempo, a postura dos agentes tem sido distinta entre combustíveis e adoçante: vendedores de etanol demonstraram maior firmeza nos preços, enquanto o açúcar segue pressionado por compradores retraídos e disponibilidade suficiente do produto.
Entre 15 e 19 de junho, o Indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado apontou preço médio de R$ 2,2429 por litro (sem frete, ICMS e PIS/Cofins), com alta semanal de 0,82%. No mesmo período, o etanol anidro foi cotado, em média, a R$ 2,5311 por litro, avanço de 0,11%.
Destaque: A valorização do etanol ocorre mesmo com um cenário descrito como de produção robusta e estoques acima dos observados no mesmo período da safra anterior, o que mantém distribuidoras em postura cautelosa.
Pelo lado da demanda, o Cepea observou aumento dos volumes negociados de etanol hidratado em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, o volume permaneceu estável nas últimas duas semanas. Ainda assim, o comportamento das distribuidoras tem sido de cautela, diante da combinação de oferta elevada e estoques superiores aos do mesmo período da safra passada.
No caso do etanol anidro, o volume negociado no mercado spot segue expressivo há duas semanas. Um dos principais vetores para esse desempenho é a expectativa em torno da decisão sobre o possível aumento da mistura de anidro à gasolina, conhecida como E32, com votação marcada para quarta-feira (24 de junho) no âmbito do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Segundo o Cepea, essa perspectiva tem contribuído para aquecer os negócios envolvendo o combustível.
Em sentido oposto ao etanol, o açúcar cristal branco continua perdendo força. Na segunda-feira (22 de junho), o preço médio apurado foi de R$ 91,60 por saca de 50 quilos, o que representa recuo de 1,51% no acumulado de junho.
De acordo com o Cepea, mesmo com as chuvas prejudicando parte do ritmo de colheita e moagem, o volume de açúcar disponível tem sido suficiente para manter a tendência baixista. A pressão é reforçada pelo comportamento do mercado comprador, que segue retraído, resultando em baixa liquidez e dificultando uma recuperação de preços no curto prazo.
Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indicaram recuo expressivo na produção de açúcar no Centro-Sul na segunda quinzena de maio. A queda foi de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior, com produção de 2,19 milhões de toneladas, acompanhando a redução na moagem no período.
Pesquisadores do Cepea avaliam que o resultado reflete duas forças principais: chuvas acima da média em áreas de São Paulo e de Mato Grosso do Sul e um maior direcionamento da cana para a fabricação de etanol, reduzindo a disponibilidade relativa de matéria-prima para o açúcar.
Produto Preço médio Variação Período/Referência Etanol hidratado R$ 2,2429 por litro +0,82% 15 a 19 de junho Etanol anidro R$ 2,5311 por litro +0,11% 15 a 19 de junho Açúcar cristal branco R$ 91,60 por saca (50 kg) -1,51% Acumulado de junho (até 22/6)
Clima: chuvas reduziram o ritmo de colheita e moagem em parte das usinas.
Postura dos vendedores: agentes do etanol mostraram maior firmeza na formação de preço.
Liquidez do açúcar: compradores retraídos mantêm o mercado lento e pressionam as cotações.
Mix de produção: maior direcionamento da cana ao etanol reduz a força relativa do açúcar.
Expectativas regulatórias: possível elevação da mistura de anidro à gasolina (E32) impulsiona o anidro no spot.
Para as próximas semanas, o mercado deve seguir atento ao comportamento do clima, ao ritmo de moagem nas principais regiões produtoras e às decisões relacionadas à política de combustíveis. No açúcar, a combinação de oferta disponível e demanda cautelosa ainda sustenta um cenário de pressão sobre os preços. Já para o etanol, o ambiente permanece influenciado pelos volumes negociados, pelos níveis de estoques e pelas expectativas em torno da mistura na gasolina.

No dia 1º de julho entrou em vigor o Plano Safra 26/27, com recorde de R$ 610 bilhões disponibilizados no pacote de financiamento, dos quais R$525,1 bilhões (86%) são destinados à agricultura empresarial.

Não é novidade que o agronegócio brasileiro atravessa um momento desafiador. Soja, milho e algodão, pilares da nossa balança comercial, enfrentam preços pressionados e margens mais apertadas. Para quem se alavancou nos últimos anos, surfando no crédito farto e expansão acelerada, o cenário ficou ainda mais duro.

Minas Gerais é o segundo maior produtor de feijão do Brasil, ficando atrás apenas do Paraná, e deve colher cerca de 514,1 mil toneladas na safra 2025/26. Além do volume expressivo, o Estado se destaca por produzir três safras anuais — a safra das águas, a safra da seca e o feijão irrigado — demonstrando adaptação tecnológica. Nesse contexto, MG sediará o 14º Congresso Nacional de Pesquisa do Feijão (Conafe), de 27 a 29 de maio, na Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, em Belo Horizonte.

Resumo: Os futuros de café encerraram a semana em alta nos pregões da NY e de Londres, com ganhos próximos a 2% e 2,7%, respectivamente, impulsionados por uma correção técnica após as fortes quedas da semana anterior. O recuo dos estoques certificados, de cerca de 650 mil para 600 mil sacas, em patamar historicamente baixo, atuou como suporte aos preços no curto prazo. O atraso da colheita brasileira manteve o mercado de arábica relativamente apertado, com a colheita até o momento em cerca de 14% frente a uma média histórica de 21%.

O governo lançou o Plano Safra 2026-2027, reservando 525,1 bilhões de reais para a agricultura empresarial. O crédito para produtores familiares também será oferecido, mas o valor não foi divulgado até o momento.