
Por Geraldo Eugênio
As nações, ao longo da história, oscilaram entre a pobreza e a riqueza, em um ciclo semelhante a uma roda gigante. A Europa, por exemplo, após o ápice das grandes descobertas, vivenciou períodos de miséria, especialmente até o século XIX, marcados por guerras, fome e buscas intermináveis por novos portos. Foi nessa conjuntura que se desenrolou a colonização de locais como a América do Norte, Austrália e Nova Zelândia.
Entre 1845 e 1852, o continente europeu enfrentou a devastadora crise da batata, quando o fungo Phytophthora infestans afetou maciçamente essa cultura, resultando na morte de cerca de um milhão de irlandeses e na migração de mais de dois milhões para os Estados Unidos. Esse episódio reforçou a necessidade de um aparato de pesquisa e inovação para responder rapidamente às ameaças à produção de alimentos, tanto de origem animal quanto vegetal.
Foi nesse clima agitado que a solidariedade e a cooperação emergiram como valores essenciais para a sobrevivência. Surge então, na conflituosa Europa, o cooperativismo, inicialmente entre agricultores, expandindo-se para quase todas as áreas da economia hoje.
No Brasil, o movimento cooperativista tem forte presença, especialmente no sul, onde a influência de imigrantes italianos, poloneses, pomeranos, portugueses e espanhóis é notável. As cooperativas de laticínios, café, soja, suínos, aves e hortaliças são apenas alguns exemplos do impacto cooperativo na região. Contudo, a expansão para outras regiões, como o Nordeste, encontrou desafios iniciais, com cooperativas se transformando em 'feudos familiares', levando a falências e manchando o conceito de cooperativismo.
A Organização de Cooperativas do Brasil (OCB) teve papel crucial na reconstrução do sistema e na recuperação da confiança no cooperativismo. A participação dos cooperados tornou-se elemento-chave, fortalecendo o modelo cooperativista ao mostrar que lucros podem ser compartilhados ou reinvestidos para o fortalecimento coletivo.
Mesmo com ameaças de má gestão e hereditariedade descontrolada de algumas cooperativas no Sul, o modelo sobreviveu e prosperou. Isso se deu parcialmente pela evolução tecnológica na agricultura e a garantia de segurança alimentar em diferentes épocas históricas. O cooperativismo, no Brasil, foi consolidado como um modo de vida valioso, resistindo mesmo a retrocessos de megacooperativas, devido ao seu valor familiar intrínseco e a integração promovida entre seus membros.
Nas últimas três décadas, o cooperativismo diversificou-se, estendendo-se ao setor de serviços, principalmente na área da saúde, incluindo hospitais, clínicas, laboratórios, e planos de saúde que adotaram o modelo cooperativo. Isso solidificou ainda mais a confiança no sistema, acompanhada pela expansão dos sistemas de crédito cooperativo associados ao Sistema Nacional de Crédito Cooperativo – SNCC.
No estado de Pernambuco, certas usinas de açúcar que faliram foram recuperadas em formato cooperativo, demonstrando a capacidade de superação frente a outros problemas estruturais. A gestão da Associação de Fornecedores de Cana de Pernambuco – AFCP representa hoje metade dos insumos à produção de açúcar no estado, exemplificando um caso de sucesso no setor.
É importante ressaltar a liderança de indivíduos como o Professor Malaquias Ancelmo em Pernambuco e João Nicédio Nogueira no Ceará, que foram fundamentais na revitalização do sistema cooperativo, marcando uma trajetória de resiliência e transformação.

A proibição da União Europeia a produtos brasileiros de carne bovina e mel entra em vigor em 3 de setembro, com base em alegações de monitoramento insuficiente de antimicrobianos. Exportações de carne e mel orgânico para o bloco registraram altas recentes, mas o cenário futuro torna-se incerto.
Após a expansão do ecossistema de inovação voltado ao agronegócio, o mercado de fusões e aquisições envolvendo agtechs caminha para uma etapa mais seletiva. Com investidores e compradores cada vez mais atentos à geração de valor, empresas capazes de comprovar resultados operacionais, escalabilidade e maturidade de gestão tendem a concentrar as oportunidades de negócios nos próximos anos. Nesse cenário, de acordo com Camila Perez, líder de M&A da Galapos, a expectativa é que 2026 seja marcado por operações mais qualificadas, com foco em ativos que combinem tecnologia validada, base de clientes consistente, governança madura e capacidade comprovada de gerar vantagem competitiva no campo.

Produzir mais, preservando os recursos naturais e reduzindo a vulnerabilidade às mudanças climáticas, deixou de ser apenas uma agenda ambiental para se tornar uma estratégia de sobrevivência no agronegócio. Essa necessidade acelerou a busca por sistemas produtivos mais resilientes.
Fundada em um pequeno kibbutz em Israel há 60 anos, a Netafim é pioneira e líder mundial em soluções para irrigação. Com atuação em mais de 110 países, chegou ao Brasil na década de 1990, com um portfólio completo de produtos e soluções inovadoras de irrigação por gotejamento, que visam contribuir com o eficiente uso da água, aumentando a produtividade na agricultura e trazendo mais tranquilidade ao produtor rural.
A construção de uma agricultura mais resiliente às mudanças climáticas e capaz de gerar valor para toda a cadeia produtiva passa, cada vez mais, pela atuação conjunta entre empresas, instituições financeiras e produtores rurais. Foi com esse objetivo que a BB Seguros sediou, na última semana, o encontro "Agricultura Regenerativa em Pauta: Valor, Métricas e Mercado", promovido pelo Consórcio Reg.IA, primeiro consórcio de agricultura regenerativa da América Latina, liderado pela Produzindo Certo, empresa que conecta produtores rurais a empresas comprometidas com a sustentabilidade.