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ABQM destaca desafios e avanços na criação do Quarto de Milha no Brasil
Durante a Expointer 2026, o superintendente-geral da ABQM, Gabriel Bernardi, destacou os principais desafios da criação do Quarto de Milha no Brasil, como qualificação da mão de obra, sanidade e melhoramento genético. Em entrevista à A Granja, ele também abordou bem-estar animal, combate à desinformação e a importância da feira para ampliar a visibilidade e o conhecimento sobre a raça.
A evolução da criação do cavalo Quarto de Milha no Brasil trouxe consigo novas tecnologias, maior especialização e também desafios para quem atua no setor. Em entrevista à equipe de reportagem da A Granja durante a Expointer 2026, o superintendente-geral da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM), Gabriel Bernardi, apontou a qualificação da mão de obra como uma das principais questões enfrentadas atualmente pelos criadores.
Gabriel Bernardi
Segundo Bernardi, as mudanças ocorridas nas últimas décadas fizeram com que praticamente todas as etapas da criação exigissem profissionais cada vez mais preparados. Reprodução, doma, treinamento e nutrição estão entre as áreas que passaram por forte avanço tecnológico.
“O que a gente fazia na criação há 30 anos é muito diferente do que faz hoje”, destacou. Para o superintendente, além de qualificar profissionais, o setor precisa conseguir se tornar atrativo para essa mão de obra e criar condições para acompanhar o desenvolvimento da atividade.
Sanidade e genética exigem atenção
Outro ponto de preocupação está relacionado à sanidade dos animais e ao melhoramento genético. O Quarto de Milha tem origem nos Estados Unidos e, segundo Gabriel, chegou ao Brasil com um histórico de seleção genética já consolidado. Ao mesmo tempo, a continuidade desse processo exige cuidados com questões como consanguinidade e possíveis doenças genéticas.
A ABQM, segundo ele, trabalha para promover uma renovação genética do plantel, além de desenvolver ações relacionadas à prevenção de enfermidades. A entidade também mantém iniciativas em conjunto com o Ministério da Agricultura e outras associações, incluindo campanhas de vacinação e medidas relacionadas ao manejo, transporte e realização de exames sanitários.
A dimensão territorial do Brasil adiciona outro elemento de complexidade. As condições encontradas no Sul, por exemplo, são diferentes daquelas observadas no Nordeste, enquanto os animais circulam entre diferentes regiões para criação, treinamento e participação em competições.
Ao mesmo tempo, a busca pelo desempenho permanece como um dos pilares da raça. “O nosso cavalo é um cavalo de performance, é um cavalo de prova”, afirmou Bernardi, ao destacar o trabalho de melhoramento voltado para aptidão, habilidade e resultados nas pistas.
Para começar, informação e paixão
Para quem pretende ingressar na criação do Quarto de Milha, Gabriel recomenda que o primeiro passo seja buscar conhecimento. Isso inclui compreender regulamentos da associação e exigências relacionadas a procedimentos como aquisição de sêmen, utilização de receptoras, compra de embriões e registros.
Caso o criador não tenha disponibilidade para acompanhar sozinho todos os processos, o superintendente recomenda procurar profissionais especializados. Mas, para além da parte técnica, ele destaca um componente que considera fundamental: a paixão pelo cavalo.
“O Quarto de Milha, mais do que um cavalo, é um lifestyle”, afirmou. Para Bernardi, a relação com os animais, a participação nas provas e o convívio familiar em torno dos eventos fazem parte da experiência da criação.
Quarto de Milha e Crioulo: escolha depende da finalidade
Questionado sobre uma possível escolha entre o Quarto de Milha e o Cavalo Crioulo, Gabriel evitou estabelecer uma competição entre as raças. Segundo ele, ambas apresentam diferentes aptidões, e a decisão deve estar relacionada principalmente ao objetivo de cada proprietário.
Enquanto determinadas modalidades são tradicionalmente ligadas ao Crioulo, o Quarto de Milha apresenta forte presença em atividades envolvendo gado e provas como rédeas e apartação.
“Antes da raça, você tem que entender o que você quer para a sua vida”, resumiu.
Desinformação e bem-estar animal
Gabriel também chamou atenção para os impactos da desinformação sobre a criação de cavalos. Para ele, muitas críticas relacionadas ao manejo, confinamento ou utilização dos animais em provas são feitas sem conhecimento da rotina existente nos centros de treinamento e competições.
O superintendente afirma que os protocolos atualmente adotados envolvem acompanhamento veterinário, inspeções, cuidados durante o transporte e práticas voltadas ao conforto e bem-estar dos animais.
“A desinformação talvez seja o câncer da humanidade”, disse Bernardi, defendendo que as pessoas procurem conhecer a realidade da atividade antes de formar uma opinião ou compartilhar informações sobre o setor.
Expointer amplia visibilidade da raça
A presença na Expointer também representa uma oportunidade para aproximar o público do Quarto de Milha. Para Gabriel, uma feira dessa dimensão permite apresentar características como versatilidade, docilidade e aptidão da raça a pessoas que muitas vezes ainda não possuem contato direto com esses animais.
Ele também reforçou que a participação da ABQM na feira não deve ser vista como uma disputa de espaço com o Cavalo Crioulo. Segundo Bernardi, existem inclusive criadores que trabalham simultaneamente com as duas raças.
“Não existe uma disputa, uma competição. Cada um tem o seu lugar”, afirmou.
Para o superintendente, estar presente na Expointer é uma maneira de ampliar o conhecimento sobre o Quarto de Milha e proporcionar ao público a possibilidade de conhecer diferentes alternativas dentro do universo equestre. “É um prazer estar aqui, é uma obrigação estar aqui e colocar o cavalo nessa feira que é tão impactante e relevante para o nosso meio”, concluiu.
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