
Do nascimento à pista: seleção e genética impulsionam evolução do Cavalo Crioulo
Criador de Cavalo Crioulo e pecuarista, Reginaldo Oliveira destaca o trabalho de seleção, genética e preparação realizado ao longo de anos até um animal chegar às principais competições. Segundo ele, os avanços reprodutivos elevaram a qualidade das cabanhas e tornaram a raça cada vez mais competitiva.
Para quem acompanha as disputas e avaliações na pista, a apresentação de um Cavalo Crioulo pode durar apenas alguns minutos. Nos bastidores, porém, chegar a esse momento exige dedicação durante todo o ano e um trabalho que, muitas vezes, começou gerações antes do nascimento do animal.
Criador de Cavalo Crioulo e pecuarista, Reginaldo Oliveira explica que participar dos grandes eventos é resultado de uma rotina permanente dentro das cabanhas e propriedades rurais. Segundo ele, criadores trabalham durante todo o ciclo pensando justamente no momento de colocar seus melhores animais diante do público e dos avaliadores.
“A gente trabalha e se dedica o ano todo para estar aqui todo ano”, resume Oliveira.
Reginaldo Oliveira
Um trabalho que atravessa gerações
A preparação específica de um animal pode ocorrer de uma temporada para outra, mas a construção de uma criação competitiva é muito mais longa. Para Oliveira, por trás dos exemplares que chegam ao alto nível existe um trabalho acumulado pelas famílias responsáveis pelas cabanhas.
“Para chegar aqui vem uma criação de muito tempo, de famílias, de avô, de toda a tua família”, afirma.
Mesmo dentro de um único animal, o processo pode exigir anos. Oliveira cita como exemplo um cavalo de sua criação apresentado recentemente em avaliação morfológica e que vinha recebendo cuidados e preparação havia aproximadamente dois anos.
Esse processo começa antes mesmo do nascimento. De acordo com o criador, o caminho de um exemplar de alto nível passa pela definição dos acasalamentos e segue pelo nascimento, alimentação, preparação e doma. Durante esse período, os criadores observam quais indivíduos apresentam melhores características e potencial para avançar dentro da seleção.
Genética amplia possibilidades dentro das cabanhas
Nos últimos anos, Oliveira observa uma evolução expressiva na qualidade da raça. Um dos fatores apontados por ele é o maior acesso às tecnologias reprodutivas, especialmente à transferência de embriões.
Com procedimentos mais acessíveis, os criadores conseguem utilizar genética de animais de destaque e produzir exemplares de alto padrão dentro das próprias propriedades. Para Oliveira, isso contribuiu diretamente para elevar o nível das criações.
“Hoje a evolução é grandiosa”, avalia.
O avanço também aumentou a competitividade. Segundo o pecuarista, já não é comum encontrar uma diferença tão acentuada entre uma criação e outra, justamente porque as cabanhas vêm aprimorando continuamente seus plantéis.
“Hoje a raça está muito qualificada”, destaca.
A pista é apenas a etapa final
Embora os grandes eventos concentrem a atenção do público, Oliveira ressalta que a seleção acontece durante praticamente toda a vida do animal. Técnicos acompanham as criações nas propriedades, observando os exemplares desde o nascimento e passando pelas diferentes etapas de desenvolvimento.
É nesse processo que os criadores vão identificando quais animais possuem condições de continuar avançando.
“O que vem aqui é a final. A gente passa o ano todo com um técnico indo avaliar nossos animais em casa, desde o nascimento à confirmação. É um procedimento longo”, explica.
Segundo ele, as avaliações funcionam como uma espécie de peneira: algumas características se destacam, enquanto outras fazem com que determinados animais deixem de seguir no processo competitivo. Apenas depois dessa sucessão de escolhas é que os exemplares chegam aos principais eventos.
Para Oliveira, a combinação entre tradição, seleção constante, evolução genética e preparação ajuda a explicar o atual momento do Cavalo Crioulo. Na avaliação do criador, a raça atingiu um patamar de destaque construído ao longo de muitos anos.
“O Cavalo Crioulo hoje é o número um. Isso vem de muitos anos”, afirma.
Mais do que os resultados conquistados dentro da pista, portanto, cada animal que chega a uma grande competição carrega consigo um trabalho de longo prazo — da escolha genética aos cuidados diários, passando pela alimentação, doma e seleção. Um processo que começa muito antes dos portões da pista serem abertos.




