
ABCCC reúne os principais exemplares da raça em Esteio e inicia nesta semana a disputa de uma das provas equestres mais tradicionais da América Latina
A ABCCC reúne cerca de 400 Cavalos Crioulos na Expointer 2026, onde acontece a 45ª edição do Freio de Ouro. A competição reúne 48 machos e 48 fêmeas entre os melhores conjuntos da temporada e terá sua grande final no sábado (5), reforçando a força esportiva, econômica e cultural da raça dentro da maior feira agropecuária da América Latina.
A presença do Cavalo Crioulo volta a ocupar um dos principais espaços da Expointer 2026. Nesta terça-feira (1º), teve início a 45ª edição do Freio de Ouro, competição que reúne os principais conjuntos classificados ao longo da temporada e que terá sua grande decisão no sábado (5), na Arena do Cavalo Crioulo, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS).
Por trás da organização está a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), entidade fundada em 1932, em Bagé (RS), e atualmente sediada em Pelotas. A associação surgiu a partir da mobilização de criadores interessados em organizar, preservar e desenvolver a raça no Brasil. Desde 1935, a instituição também mantém o registro genealógico dos animais e, ao longo das décadas, passou a coordenar diferentes modalidades seletivas e esportivas envolvendo o Cavalo Crioulo.
Atualmente presidida por André Luiz Narciso Rosa, a ABCCC tem na Expointer uma das principais vitrines para apresentar o resultado de décadas de seleção genética, criação e treinamento. Em entrevista exclusiva concedida à equipe de reportagem da revista A Granja, André Luiz destacou a dimensão alcançada pela raça dentro da feira.
André Luiz Narciso Rosa
“Estamos na 49ª Expointer, na 45ª edição do Freio de Ouro. O Freio de Ouro é uma das grandes atrações da Expointer, o maior palco da raça Crioula”, afirma André. Segundo o presidente, cerca de 400 animais participam da programação da raça durante o evento.
Da morfologia à funcionalidade
O Freio de Ouro foi oficializado em 1982 e se consolidou como uma das principais ferramentas de seleção do Cavalo Crioulo. Diferentemente de uma competição baseada apenas em velocidade ou aparência, a prova busca avaliar diferentes características do animal, unindo conformação física, resistência, equilíbrio, habilidade e funcionalidade.
A disputa é dividida em avaliações de morfologia e provas funcionais, como Andaduras, Figura, Voltas sobre Patas e Esbarradas, Mangueira, Campo e Bayard/Sarmento. A pontuação acumulada ao longo das etapas determina os grandes vencedores entre machos e fêmeas.
Em 2026, a decisão reúne 48 machos e 48 fêmeas, classificados após um extenso calendário de seletivas. De acordo com André Rosa, quase mil conjuntos passaram pelo caminho classificatório em busca das vagas para a grande final.
Nesta terça-feira, a competição começou com a avaliação morfológica, inicialmente entre as fêmeas e, na sequência, entre os machos. Na quarta-feira (2), as fêmeas entram nas provas de Andaduras, Figura, Volta Sobre Patas e Esbarradas. Na quinta-feira (3), será a vez dos machos enfrentarem as mesmas avaliações. A sexta-feira (4) será marcada pelas etapas de Mangueira I e Campo I.
O momento decisivo acontece no sábado. A programação começa pela manhã com a Mangueira II e, a partir das 14h, ocorre a abertura oficial da final, seguida por Bayard/Sarmento e Campo II, provas que definirão os vencedores do Freio de Ouro 2026.
Raça movimenta negócios e gera renda
A importância do Cavalo Crioulo na Expointer também ultrapassa as pistas. Durante a entrevista à A Granja, Rosa destacou o impacto econômico de toda a cadeia que se desenvolveu em torno da criação, treinamento, comercialização e competições da raça.
“A gente sabe o nível profissional empregado. Essa raça é emprego e renda. A gente fala em 30 mil empregos diretos, 130 mil empregos indiretos, volume de comercialização, volume de pessoas que dependem do que a gente faz”, afirma.
A programação da ABCCC na Expointer inclui ainda oito leilões com animais de cabanhas consolidadas e participantes de destaque dentro da raça. Para Rosa, o desempenho comercial coloca o Cavalo Crioulo entre as principais forças econômicas presentes na feira, além do significado cultural que a raça possui especialmente no Sul do Brasil.
Antes mesmo do início do Freio de Ouro, a raça já havia movimentado as pistas de Esteio. No domingo (30), a Morfologia da Expointer reuniu 246 animais e terminou com o bicampeonato de Belle Reserva como Melhor Exemplar da Raça Crioula. Entre os machos, o título de Grande Campeão ficou com Tañido Buenazo, exemplar de propriedade uruguaia e argentina.
Para o presidente da ABCCC, reunir seleção, negócios, tradição e público em um mesmo espaço ajuda a explicar a relevância adquirida pela raça.
“O Cavalo Crioulo cresceu muito. Hoje é um grande ativo da pecuária e mostra sua força na tradicional Expointer. A Expointer é a nossa maior vitrine”, resume Rosa.




