
A União Europeia (UE) decidiu excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne ao bloco a partir de 3 de setembro. O motivo, segundo autoridades europeias, é a falta de comprovação documental sobre o controle do uso de antibióticos (antimicrobianos) na pecuária nacional.
A medida foi anunciada no início de maio e, de acordo com o comunicado europeu, não está relacionada a irregularidades no produto nem a evidências de contaminação. O foco é a ausência de documentação exigida pelas normas do bloco para demonstrar conformidade com as regras sobre restrição e rastreabilidade de antimicrobianos na criação animal.
No setor agropecuário brasileiro, a decisão gerou críticas e foi interpretada como uma barreira de caráter protecionista, especialmente por ocorrer poucos dias após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre UE e Mercosul.
O uso de antimicrobianos na pecuária é uma pauta sensível na União Europeia há décadas. O bloco vem adotando, desde os anos 1990, um conjunto de regulamentos que apertaram gradualmente o controle sobre antibióticos em animais de produção. Em 2006, a UE proibiu antibióticos como promotores de crescimento na alimentação animal.
A partir de 2019, as regras passaram a exigir que países exportadores comprovem formalmente que:
não utilizam antimicrobianos para promover crescimento ou aumentar produtividade;
não empregam substâncias “reservadas” ao tratamento de infecções em humanos;
mantêm mecanismos de controle e evidências rastreáveis ao longo da cadeia produtiva.
Segundo a decisão europeia, o Brasil não apresentou a tempo a documentação necessária para atestar o cumprimento integral desses requisitos, o que levou à suspensão da habilitação para exportação.
O ponto central da UE é a comprovação: a medida não foi atribuída a problemas no produto, mas à falta de documentação exigida para o controle de antimicrobianos.
Os regulamentos europeus determinam que nenhum país exportador pode utilizar antimicrobianos com a finalidade de impulsionar crescimento ou elevar produtividade dos animais. Além disso, o bloco veta o uso de substâncias classificadas como prioritárias para a saúde humana, por serem importantes no tratamento de infecções.
A exigência se aplica a toda a cadeia produtiva, abrangendo desde práticas de manejo e alimentação até procedimentos próximos ao abate, com ênfase em biossegurança, rastreabilidade e registros verificáveis.
Tema O que a UE exige Foco prático Uso de antibióticos Proibição para crescimento e produtividade Controle do motivo e da necessidade de uso Substâncias reservadas Veto a classes consideradas críticas para humanos Evitar resistência e preservar terapias médicas Comprovação Documentos e evidências auditáveis Rastreabilidade ao longo da cadeia
A preocupação central do bloco europeu está relacionada à resistência aos antimicrobianos (RAM), apontada como uma das principais ameaças à saúde pública. A UE reforçou essa classificação nos últimos anos, associando o tema a uma estratégia de prevenção baseada na abordagem One Health (Uma Só Saúde), que integra saúde humana, animal e ambiental.
Em termos práticos, o argumento sanitário é que o uso indiscriminado de antimicrobianos em animais pode favorecer o surgimento e a disseminação de bactérias resistentes. Isso tende a reduzir a eficácia dos medicamentos quando infecções atingem pessoas, tornando tratamentos mais difíceis.
A RAM é frequentemente descrita por especialistas como uma crise silenciosa, porque pode avançar de forma gradual e cumulativa. No comércio internacional, essa preocupação se traduz em regras mais rígidas para países exportadores, com exigência de controles formais, monitoramento e registro.
Em destaque: A decisão europeia menciona a necessidade de evidências e rastreabilidade sobre o uso de antimicrobianos, não uma avaliação negativa do produto brasileiro em si.
Enquanto o Brasil foi retirado da lista de autorizados, Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem habilitados para exportar carne à União Europeia. A decisão, conforme descrito, foi concentrada na documentação de conformidade apresentada (ou não apresentada) pelo Brasil.
Essa diferença de tratamento reforçou, entre representantes do agronegócio brasileiro, a percepção de que a medida pode ter efeitos comerciais. No contexto do acordo UE-Mercosul, produtores europeus têm manifestado preocupação com a concorrência de produtos sul-americanos, frequentemente considerados mais competitivos em preço.
Entidades do agronegócio e representantes do setor produtivo classificaram o veto como protecionista, apontando o momento da decisão como sensível do ponto de vista comercial. Ao mesmo tempo, o episódio evidenciou a importância de modernizar sistemas de controle, rastreabilidade e fiscalização do uso de antimicrobianos na pecuária.
O Ministério da Agricultura e entidades ligadas à cadeia de proteína animal trabalham para atender às exigências formais e reverter a suspensão antes de setembro. A expectativa no setor é que o Brasil consiga reunir as comprovações necessárias para demonstrar o cumprimento das regras europeias, reduzindo o impacto sobre as exportações.
Até lá, o caso deve manter em evidência o debate sobre segurança sanitária, resistência aos antimicrobianos e exigências de rastreabilidade que vêm ganhando peso nas relações comerciais entre grandes mercados importadores e países exportadores.
```

A Tereos concluiu, em junho, uma operação de grande escala com o embarque de 75 mil toneladas de açúcar VHP (Very High Polarization) em um único navio com destino ao mercado chinês.

O petróleo recua pelo terceiro dia, diante do aumento do tráfego marítimo pelo Estreito de Hormuz e de sinais de um período menos agressivo entre EUA e Irã. O Brent caiu 1,20% para 70,71 dólares por barril e o WTI cedeu 1,25% para 67,72 dólares; o gás natural negociado em Amesterdão (TTF) avançou 0,52%, para 43 dólares por megawatt-hora. Uma fonte não identificada da Administração Trump afirmou que cerca de 10 milhões de barris por dia passam pelo Hormuz, conforme a Bloomberg, sugerindo que as capacidades do Irã para perturbar a circulação podem estar comprometidas. Saul Kavonic, analista da MST Marquee, disse que a pressão de baixa nos preços acompanha o fluxo maior pelo estreito combinado com a liberação de reservas estratégicas e uma demanda menor. A falta de novas agressões entre EUA e Irã também tem contribuído para o recuo. No radar, as negociações entre EUA e Irã devem entrar em um ritmo mais morno, pois a partir de 4 de julho começam as cerimônias fúnebres do ex-líder supremo Ali Khamenei, o que deverá prolongar-se por vários dias.

O texto trata da cota brasileira de exportação de carne bovina para a China, de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa de 12% dentro da cota e 55% adicional fora dela (total de 67% acima do limite). Mesmo com o fim de junho, a percepção é de que a cota está perto de ser preenchida, com o governo chinês baseando-se no que chega aos portos ao longo do ano. No cenário de 2026, as cargas enviadas no fim de 2025 e que chegam em 2026 influenciam o equilíbrio; dados até maio indicam 65,4% da cota já preenchidos, e a expectativa é de que importadores chineses retomem compras apenas em outubro, com parte das remessas de 2025 chegando à China apenas no começo de 2027. Diante desse cenário de demanda mais fraca e da perspectiva de fim de cota, frigoríficos brasileiros anunciaram medidas de ajuste. A Frigol, uma das cinco maiores do setor, vai conceder férias coletivas de 18 dias a quase mil funcionários da unidade de Água Azul do Norte (PA) a partir de....

A União Europeia decidiu excluir o Brasil da lista de países habilitados a exportar proteínas animais por não comprovar o uso adequado de antimicrobianos na produção. A formalização pela Comissão Europeia já ocorreu e a medida passa a valer em 3 de setembro. Mesmo assim, governo, indústria e entidades do agronegócio intensificam esforços para reverter a decisão, buscando demonstrar aos europeus que o Brasil possui mecanismos para cumprir as exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.

O Índice de Preços do International Grains Council (IGC) subiu 3,0% em maio ante abril, segundo dados do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA). Entre os principais produtos, o trigo liderou as altas com 3,8%, seguido pelo arroz com 3,7% e pelo milho com 2,0%. Para a safra 2025/26, a previsão aponta produção mundial recorde, enquanto para 2026/27 indica uma queda de 3% na colheita global, devido à menor produção nos países exportadores. No milho, a produção estimada para 2025/26 é de 1.329 milhões de toneladas, com recuo de 2% em 2026/27 por redução da área plantada e da produtividade. O arroz manteve a tendência de alta, puxado pela menor disponibilidade no Vietnã e pela oferta restrita na Tailândia; a variedade Thai 5% Broken teve alta de 8,5%. A soja ficou mais cara, sustentada pelo aumento dos preços de energia e pela valorização dos óleos vegetais nos EUA, com impactos também no Brasil e na Argentina. Já o açúcar subiu 3,4% em maio, devido às previsões de queda na produção por el Niño, especialmente na Índia, Tailândia e Brasil; além disso, a opção de fábricas brasileiras por desviar cana para etanol reduziu a oferta de açúcar para exportação, elevando os preços internacionais. Fonte: Inforpress.