
Produção estimada em 6,3 milhões de toneladas reflete menor investimento no cultivo, redução de rendimento e migração para culturas de inverno mais rentáveis, como canola e sorgo.
O Brasil entra em um novo ciclo de trigo sob um cenário de ajuste produtivo. A próxima safra deve registrar queda de 20% na produção, estimada em 6,3 milhões de toneladas, impulsionada por redução de área plantada, menor produtividade e aumento expressivo nos custos de produção. A combinação tende a elevar, no curto prazo, a dependência de importações para sustentar o abastecimento interno.
A área semeada foi estimada em 2,1 milhões de hectares, recuo de 13,4% em relação ao ciclo anterior. Já o rendimento médio projetado caiu para 2,9 toneladas por hectare, abaixo das 3,15 t/ha registradas na safra passada. Na prática, a mudança indica que produtores estão recalculando o risco e ajustando o pacote tecnológico diante de um ambiente menos favorável.
O principal vetor de pressão é o custo. Dados da TF Consultoria apontam que os custos de produção do trigo cresceram 10,46% em maio, o maior avanço anual. Com margens mais apertadas, parte dos produtores vem optando por reduzir investimentos, com impacto direto sobre o potencial produtivo das lavouras.
Entre as estratégias de contenção, aparecem decisões como menor uso de insumos e redução na adesão a sementes certificadas, prática que tende a afetar a uniformidade de plantio e o desempenho agronômico, especialmente em um inverno com maior risco climático. O cenário reforça a leitura de que, para muitos, a prioridade passa a ser preservar caixa e diminuir exposição.
Destaque: Menor investimento em tecnologia e insumos pode reduzir o teto produtivo e ampliar a sensibilidade da lavoura a oscilações de clima e manejo.
A reconfiguração não ocorre apenas por custos. Em regiões estratégicas, áreas que tradicionalmente recebiam trigo estão sendo ocupadas por culturas de inverno mais atrativas do ponto de vista econômico. A canola e o sorgo são citados como exemplos desse reposicionamento, em um contexto no qual produtores buscam opções com melhor relação entre risco e retorno.
A canola, em especial, vem ganhando espaço. No Rio Grande do Sul, a área cresceu 52,5%, alcançando 320,1 mil hectares, movimento sustentado por contratos com a indústria e pela maior demanda por óleos e biodiesel. O Paraná também registra expansão, reforçando a tendência de diversificação do campo de inverno.
Motivadores da migração: melhor atratividade econômica e contratos industriais.
Benefícios percebidos: diversificação de receita e diluição de risco produtivo.
Efeito colateral: menor área disponível para o trigo, com reflexo no volume nacional.
Além do componente econômico, o clima também pesa nas decisões. Há preocupação com o El Niño, fenômeno que pode trazer inverno mais chuvoso em partes das regiões produtoras. O excesso de umidade tende a elevar o risco de perdas de produtividade, problemas fitossanitários e dificuldade de execução de operações no campo.
Diante desse quadro, cresce a importância do risk management na propriedade, com planejamento mais cuidadoso do portfólio de cultivos, escolha de janelas de plantio e manejo para reduzir vulnerabilidades. A leitura do setor é que, com maior incerteza climática e custos em alta, cada decisão de investimento passa a exigir mais precisão.
A relação entre mercado interno e compras externas segue no centro das atenções. Em maio, o trigo importado ajudou a sustentar o abastecimento, mesmo em um ambiente de dólar valorizado. A expectativa é de que, com menor produção doméstica, a dependência externa se intensifique no curto prazo.
A Companhia Nacional de Abastecimento projeta importações de 6,8 milhões de toneladas em 2026. A estimativa sinaliza que, mesmo com esforços regionais para manter o trigo competitivo, o país pode continuar recorrendo ao mercado internacional para equilibrar oferta e demanda.
Os estoques finais também devem ficar mais enxutos, estimados em cerca de 1,5 milhão de toneladas, abaixo do volume do ciclo anterior. Estoques menores elevam a sensibilidade do mercado a oscilações de preço, logística e disponibilidade externa.
Indicador Estimativa / Variação Leitura do mercado Produção de trigo 6,3 milhões de toneladas (queda de 20%) Menor oferta interna e maior pressão por importações Área plantada 2,1 milhões de hectares (menos 13,4%) Redução de intenção de plantio e migração para outras culturas Produtividade média 2,9 t/ha (antes 3,15 t/ha) Impacto de menor investimento e maior risco climático Custos de produção Alta de 10,46% em maio Produtores reduzem pacote tecnológico para conter despesas Importações Projeção de 6,8 milhões de toneladas em 2026 Dependência externa tende a ampliar no curto prazo Estoques finais Cerca de 1,5 milhão de toneladas Menor colchão de segurança para o abastecimento
No comércio externo, a Argentina historicamente ocupa posição relevante como fornecedora. Ainda assim, há relatos de variação de qualidade em parte do trigo disponível, elemento que reforça a necessidade de monitoramento atento da origem, do padrão do grão e das condições de contratação.
Para compradores e indústria, acompanhar oferta, demanda e preços no cenário internacional torna-se ainda mais importante quando a safra nacional se aproxima de um volume menor. A leitura de analistas é que o equilíbrio do abastecimento dependerá de decisões de compra bem calibradas, levando em conta câmbio, logística e a volatilidade típica do mercado global.
Com a safra menor e custos pressionados, o trigo brasileiro entra em um ciclo que exige gestão mais rigorosa, tanto dentro da porteira quanto na cadeia de suprimentos. O desfecho dependerá do comportamento do clima, do ritmo das importações e da capacidade do setor de navegar um ambiente de maior incerteza.

A Tereos concluiu, em junho, uma operação de grande escala com o embarque de 75 mil toneladas de açúcar VHP (Very High Polarization) em um único navio com destino ao mercado chinês.

O petróleo recua pelo terceiro dia, diante do aumento do tráfego marítimo pelo Estreito de Hormuz e de sinais de um período menos agressivo entre EUA e Irã. O Brent caiu 1,20% para 70,71 dólares por barril e o WTI cedeu 1,25% para 67,72 dólares; o gás natural negociado em Amesterdão (TTF) avançou 0,52%, para 43 dólares por megawatt-hora. Uma fonte não identificada da Administração Trump afirmou que cerca de 10 milhões de barris por dia passam pelo Hormuz, conforme a Bloomberg, sugerindo que as capacidades do Irã para perturbar a circulação podem estar comprometidas. Saul Kavonic, analista da MST Marquee, disse que a pressão de baixa nos preços acompanha o fluxo maior pelo estreito combinado com a liberação de reservas estratégicas e uma demanda menor. A falta de novas agressões entre EUA e Irã também tem contribuído para o recuo. No radar, as negociações entre EUA e Irã devem entrar em um ritmo mais morno, pois a partir de 4 de julho começam as cerimônias fúnebres do ex-líder supremo Ali Khamenei, o que deverá prolongar-se por vários dias.

O texto trata da cota brasileira de exportação de carne bovina para a China, de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa de 12% dentro da cota e 55% adicional fora dela (total de 67% acima do limite). Mesmo com o fim de junho, a percepção é de que a cota está perto de ser preenchida, com o governo chinês baseando-se no que chega aos portos ao longo do ano. No cenário de 2026, as cargas enviadas no fim de 2025 e que chegam em 2026 influenciam o equilíbrio; dados até maio indicam 65,4% da cota já preenchidos, e a expectativa é de que importadores chineses retomem compras apenas em outubro, com parte das remessas de 2025 chegando à China apenas no começo de 2027. Diante desse cenário de demanda mais fraca e da perspectiva de fim de cota, frigoríficos brasileiros anunciaram medidas de ajuste. A Frigol, uma das cinco maiores do setor, vai conceder férias coletivas de 18 dias a quase mil funcionários da unidade de Água Azul do Norte (PA) a partir de....

A União Europeia decidiu excluir o Brasil da lista de países habilitados a exportar proteínas animais por não comprovar o uso adequado de antimicrobianos na produção. A formalização pela Comissão Europeia já ocorreu e a medida passa a valer em 3 de setembro. Mesmo assim, governo, indústria e entidades do agronegócio intensificam esforços para reverter a decisão, buscando demonstrar aos europeus que o Brasil possui mecanismos para cumprir as exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.

O Índice de Preços do International Grains Council (IGC) subiu 3,0% em maio ante abril, segundo dados do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA). Entre os principais produtos, o trigo liderou as altas com 3,8%, seguido pelo arroz com 3,7% e pelo milho com 2,0%. Para a safra 2025/26, a previsão aponta produção mundial recorde, enquanto para 2026/27 indica uma queda de 3% na colheita global, devido à menor produção nos países exportadores. No milho, a produção estimada para 2025/26 é de 1.329 milhões de toneladas, com recuo de 2% em 2026/27 por redução da área plantada e da produtividade. O arroz manteve a tendência de alta, puxado pela menor disponibilidade no Vietnã e pela oferta restrita na Tailândia; a variedade Thai 5% Broken teve alta de 8,5%. A soja ficou mais cara, sustentada pelo aumento dos preços de energia e pela valorização dos óleos vegetais nos EUA, com impactos também no Brasil e na Argentina. Já o açúcar subiu 3,4% em maio, devido às previsões de queda na produção por el Niño, especialmente na Índia, Tailândia e Brasil; além disso, a opção de fábricas brasileiras por desviar cana para etanol reduziu a oferta de açúcar para exportação, elevando os preços internacionais. Fonte: Inforpress.