
A Rússia reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, uma decisão considerada estratégica para a ampliação do acesso de produtos brasileiros ao mercado russo, especialmente nas cadeias de proteína animal. O anúncio ocorre cerca de um ano após a Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) conceder ao Brasil o mesmo status sanitário, consolidando um novo patamar para a imagem do país no comércio internacional de alimentos.
De acordo com nota divulgada pelo governo brasileiro, o reconhecimento russo é resultado de um trabalho articulado entre o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Agricultura e Pecuária. Para as autoridades, a medida fortalece a presença do Brasil em mercados exigentes e contribui para reforçar a reputação nacional como fornecedor seguro, confiável e competitivo.
“A decisão contribui para ampliar as condições de acesso de produtos brasileiros ao mercado russo, com destaque para as cadeias de proteína animal, e reforça a posição do Brasil como fornecedor seguro, confiável e competitivo para os mercados internacionais.”
A sinalização de Moscou tende a ter efeito imediato sobre a exportação de carne bovina brasileira, um dos principais itens enviados ao país eslavo. Em 2025, a carne bovina fresca, refrigerada ou congelada respondeu por 31% de tudo o que o Brasil exportou para a Rússia, segundo dados oficiais de comércio exterior analisados a partir de registros do governo brasileiro.
Em valores, essas exportações alcançaram 473 milhões de dólares no ano, evidenciando o peso do produto na balança bilateral e o potencial de crescimento com a consolidação do status sanitário de livre de aftosa sem vacinação.
Indicador (2025) Resultado Participação da carne bovina nas exportações do Brasil para a Rússia 31% Valor exportado de carne bovina para a Rússia 473 milhões de dólares
O movimento da Rússia ocorre em um contexto mais amplo de fortalecimento sanitário e diplomático do Brasil no setor de proteína animal. Na semana anterior ao anúncio russo, a China informou que também passou a reconhecer o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação, após um processo de negociação que se estendeu por mais de duas décadas.
A decisão chinesa tem relevância adicional por se tratar do principal destino do agronegócio brasileiro, com destaque para a compra de carnes. Na prática, o reconhecimento contribui para reduzir barreiras sanitárias, dar previsibilidade a contratos e sustentar a competitividade do Brasil em um mercado com alta demanda e rigor regulatório.
Os dados de 2025 reforçam a centralidade do mercado chinês para a carne bovina do Brasil. No período, o país exportou cerca de 3,5 milhões de toneladas de carne bovina. Desse total, aproximadamente 1,7 milhão de toneladas tiveram como destino a China, confirmando a dependência do fluxo comercial do apetite chinês por proteína animal.
Destaque: O status de livre de febre aftosa sem vacinação é um dos principais fatores de confiança sanitária no comércio global de carne, com impacto direto sobre acesso a mercados, exigências de certificação e percepção de risco.
Ser considerado livre de febre aftosa sem vacinação representa um nível de controle sanitário mais elevado do que a condição de livre com vacinação. O reconhecimento indica que o país alcançou estabilidade e vigilância suficientes para manter o vírus fora do território sem depender de campanhas de imunização em massa.
Do ponto de vista de saúde animal e segurança dos alimentos, a medida também é interpretada como sinal de robustez dos sistemas de monitoramento, rastreabilidade e resposta rápida a eventuais suspeitas, fatores que repercutem diretamente no fluxo de exportações e no posicionamento do Brasil em negociações internacionais.
Maior competitividade para a carne bovina e outras proteínas em mercados importadores.
Redução de entraves sanitários e maior previsibilidade para contratos e habilitações.
Fortalecimento da imagem do Brasil como fornecedor seguro e com controle sanitário avançado.
Potencial de expansão em mercados que priorizam padrões rigorosos de saúde animal.
Com Rússia e China reconhecendo o Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação, o cenário é de reforço da credibilidade sanitária e de ampliação de oportunidades para a exportação de carne bovina. O reconhecimento tende a favorecer o posicionamento do país em um ambiente global marcado por exigências crescentes de controle de doenças, transparência regulatória e garantia de origem.
Para o setor produtivo, o avanço pode representar não apenas a manutenção dos principais mercados compradores, mas também melhores condições de negociação e a abertura de espaço para diversificar destinos, aumentando a resiliência do comércio exterior brasileiro.
Reportagem em estilo jornalístico para o Global Saúde, com foco em saúde animal, segurança sanitária e comércio internacional de alimentos.
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A Tereos concluiu, em junho, uma operação de grande escala com o embarque de 75 mil toneladas de açúcar VHP (Very High Polarization) em um único navio com destino ao mercado chinês.

O petróleo recua pelo terceiro dia, diante do aumento do tráfego marítimo pelo Estreito de Hormuz e de sinais de um período menos agressivo entre EUA e Irã. O Brent caiu 1,20% para 70,71 dólares por barril e o WTI cedeu 1,25% para 67,72 dólares; o gás natural negociado em Amesterdão (TTF) avançou 0,52%, para 43 dólares por megawatt-hora. Uma fonte não identificada da Administração Trump afirmou que cerca de 10 milhões de barris por dia passam pelo Hormuz, conforme a Bloomberg, sugerindo que as capacidades do Irã para perturbar a circulação podem estar comprometidas. Saul Kavonic, analista da MST Marquee, disse que a pressão de baixa nos preços acompanha o fluxo maior pelo estreito combinado com a liberação de reservas estratégicas e uma demanda menor. A falta de novas agressões entre EUA e Irã também tem contribuído para o recuo. No radar, as negociações entre EUA e Irã devem entrar em um ritmo mais morno, pois a partir de 4 de julho começam as cerimônias fúnebres do ex-líder supremo Ali Khamenei, o que deverá prolongar-se por vários dias.

O texto trata da cota brasileira de exportação de carne bovina para a China, de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa de 12% dentro da cota e 55% adicional fora dela (total de 67% acima do limite). Mesmo com o fim de junho, a percepção é de que a cota está perto de ser preenchida, com o governo chinês baseando-se no que chega aos portos ao longo do ano. No cenário de 2026, as cargas enviadas no fim de 2025 e que chegam em 2026 influenciam o equilíbrio; dados até maio indicam 65,4% da cota já preenchidos, e a expectativa é de que importadores chineses retomem compras apenas em outubro, com parte das remessas de 2025 chegando à China apenas no começo de 2027. Diante desse cenário de demanda mais fraca e da perspectiva de fim de cota, frigoríficos brasileiros anunciaram medidas de ajuste. A Frigol, uma das cinco maiores do setor, vai conceder férias coletivas de 18 dias a quase mil funcionários da unidade de Água Azul do Norte (PA) a partir de....

A União Europeia decidiu excluir o Brasil da lista de países habilitados a exportar proteínas animais por não comprovar o uso adequado de antimicrobianos na produção. A formalização pela Comissão Europeia já ocorreu e a medida passa a valer em 3 de setembro. Mesmo assim, governo, indústria e entidades do agronegócio intensificam esforços para reverter a decisão, buscando demonstrar aos europeus que o Brasil possui mecanismos para cumprir as exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.

O Índice de Preços do International Grains Council (IGC) subiu 3,0% em maio ante abril, segundo dados do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA). Entre os principais produtos, o trigo liderou as altas com 3,8%, seguido pelo arroz com 3,7% e pelo milho com 2,0%. Para a safra 2025/26, a previsão aponta produção mundial recorde, enquanto para 2026/27 indica uma queda de 3% na colheita global, devido à menor produção nos países exportadores. No milho, a produção estimada para 2025/26 é de 1.329 milhões de toneladas, com recuo de 2% em 2026/27 por redução da área plantada e da produtividade. O arroz manteve a tendência de alta, puxado pela menor disponibilidade no Vietnã e pela oferta restrita na Tailândia; a variedade Thai 5% Broken teve alta de 8,5%. A soja ficou mais cara, sustentada pelo aumento dos preços de energia e pela valorização dos óleos vegetais nos EUA, com impactos também no Brasil e na Argentina. Já o açúcar subiu 3,4% em maio, devido às previsões de queda na produção por el Niño, especialmente na Índia, Tailândia e Brasil; além disso, a opção de fábricas brasileiras por desviar cana para etanol reduziu a oferta de açúcar para exportação, elevando os preços internacionais. Fonte: Inforpress.