Os principais ecto e endoparasitas causam prejuízos superiores a US$18 bilhões por ano à pecuária brasileira, segundo a Embrapa. Diante desse cenário, julho marca uma das etapas mais importantes do calendário sanitário de inverno, período estratégico para reforçar o controle de vermes, carrapatos, bernes e outros parasitas que comprometem a saúde animal, reduzem a produtividade e geram perdas econômicas. Nesse contexto, os endectocidas, medicamentos utilizados no controle de parasitas internos e externos, são aliados importantes para preservar a saúde dos animais, manter os índices de produtividade e reduzir os impactos das infestações.
Entre os principais desafios está o carrapato-do-boi, considerado um dos maiores problemas sanitários da bovinocultura nacional. Além de provocar perda de sangue, redução do ganho de peso e da produção de leite, o parasita também transmite doenças como a tristeza parasitária bovina. Por isso, especialistas reforçam que o controle preventivo, aliado ao uso correto dos endectocidas, é a estratégia mais eficiente para reduzir os impactos na produção.
Segundo Luiz Monteiro, diretor Técnico do Sindan, o controle parasitário deve fazer parte da rotina sanitária das propriedades e ser realizado de forma planejada, respeitando o calendário sanitário e a orientação do médico-veterinário.
"Aliar o tratamento durante o período de estiagem com o tratamento no período de chuvas é um investimento na saúde e na produtividade animal, reduzindo a carga parasitária no momento em que o ambiente está desfavorável para o parasita. Quando realizado de forma estratégica e com orientação técnica, ele reduz perdas, melhora o desempenho dos rebanhos e contribui para uma produção mais eficiente e sustentável. O uso responsável e rotação de princípios ativos endectocidas também é fundamental para preservar a eficácia desses medicamentos e garantir resultados consistentes no campo", afirma Monteiro.
Além dos ganhos econômicos, a prevenção também favorece o bem-estar animal. Animais protegidos contra infestações apresentam melhor condição corporal, menor estresse e conseguem expressar seu potencial produtivo com mais eficiência. A escolha dos produtos, entretanto, deve considerar fatores como espécie, categoria animal, sistema de produção, histórico de uso e de infestações, além de contar com acompanhamento do médico-veterinário.
O controle parasitário também é indispensável para cães e gatos. Pulgas, carrapatos e vermes podem provocar doenças, anemia, problemas dermatológicos e comprometer significativamente a qualidade de vida dos animais de companhia. Em alguns casos, esses parasitas ainda podem transmitir enfermidades para outros animais e até para os seres humanos, tornando a prevenção uma medida importante também para a saúde pública.
De acordo com Luiz Monteiro, julho representa um momento estratégico para reforçar a conscientização sobre a prevenção. "O calendário sanitário é uma ferramenta importante para orientar o manejo nas propriedades e incentivar a adoção de tratamento durante o período de estiagem, considerando que o ambiente não é favorável para os 95% dos parasitas que costumeiramente por lá estão, desta forma, a carga parasitária é reduzida para a entrada nos períodos de chuva, que apresenta condições mais favoráveis aos parasitas. Quando o controle parasitário é realizado de forma contínua e com acompanhamento profissional, os benefícios aparecem tanto na saúde e no bem-estar dos animais quanto nos resultados da produção", conclui.