
Virada do Ciclo Pecuário: Preço do Boi Gordo Atinge Recorde com Retração no Abate de Fêmeas no Brasil
O ciclo de pecuária no Brasil pode estar próximo de reverter, com indícios de alta no preço do boi gordo, que subiu quase 8% nos últimos 20 dias, alcançando R$ 344 por arroba, o maior valor desde novembro de 2024. A demanda por carne bovina permanece forte, e as exportações aumentaram 29% em janeiro. A oferta reduzida de animais para abate contribui para a valorização, com um abate 4,6% menor em janeiro. A retenção de fêmeas é uma estratégia considerada por pecuaristas devido ao aumento de preço dos bezerros. A possível virada do ciclo afeta pecuaristas, frigoríficos e setores associados, levando a um aumento nas margens dos pecuaristas e compressão no lucro dos frigoríficos.
Virada no Ciclo da Pecuária Brasileira
Os sinais de uma mudança significativa no ciclo da pecuária no Brasil começam a se manifestar, com indícios de que a tão esperada virada pode já estar em curso. O preço do boi gordo experimentou um aumento de quase 8% nos últimos 20 dias, alcançando R$ 344 por arroba, o valor mais alto registrado desde novembro de 2024.
Demanda e Fatores de Preço
A demanda robusta por carne bovina é um dos fatores preponderantes, evidenciada por um incremento de 29% nas exportações em janeiro. Esta demanda tem gerado margens de lucro acima da média histórica para os criadores de bezerros, incentivando a retenção de fêmeas férteis no campo.
Redução no Abate de Bovinos
Um elemento crucial para a sustentação desse aumento de preços foi a redução na oferta de animais disponíveis para o abate. O mês de janeiro registrou uma queda de 4,6% no abate de bovinos em frigoríficos com SIF comparado com o mesmo período do ano anterior, totalizando 2,3 milhões de cabeças. Isso representa uma retração de 5% frente a dezembro de 2025, de acordo com a consultoria Agrifatto.
Lygia Pimentel, CEO da Agrifatto, observa que as escalas de abate encurtaram de dez dias para um intervalo entre quatro e cinco dias, sugerindo um possível princípio de escassez de boi. Apesar de um crescimento de 11,2% no abate de fêmeas em dezembro de 2025, houve uma queda de 12,7% na comparação anual, indicando uma diminuição na intensidade do abate dessas fêmeas.
Impacto para o Setor
A virada no ciclo pecuário é um ponto de inflexão relevante para diversos atores da cadeia produtiva, desde pecuaristas até frigoríficos, além das indústrias veterinárias e de insumos. Em períodos de retenção de fêmeas, os preços do boi gordo tendem a subir, resultando em margens mais vantajosas para os criadores. Contudo, esse movimento também pressiona as margens dos frigoríficos devido ao custo mais elevado do gado.
As crescentes oportunidades de retenção de matrizes são, em grande parte, agravadas pela alta dos preços dos bezerros. Desde o ponto mais baixo registrado em julho de 2024, o preço do bezerro aumentou mais de 50%, como mostrado pelo Cepea, oferecendo ainda mais incentivos aos criadores para manter suas matrizes e gerar mais bezerros.
Maurício de Palma Nogueira, sócio-fundador da Athenagro, ressalta que o ágio do bezerro em relação ao boi gordo atingiu 27% em São Paulo, muito acima da média de 14% desde 2001, destacando a lucratividade acrescida dos criadores nos últimos meses.
Desafios e Futuro
As consequências dessa mudança no ciclo pecuário serão sentidas em toda a cadeia. Enquanto os preços e margens dos pecuaristas devem permanecer elevados, os frigoríficos enfrentam desafios devido à pressão dos preços do gado. A necessidade de adaptação e inovação se torna crucial para os players do setor mantê-lo competitivo e sustentável.




