Com a previsão de chegada do El Niño neste segundo semestre, o Brasil poderá enfrentar um cenário de maior instabilidade climática, marcado por fortes chuvas na região Sul e secas no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Embora o fenômeno represente riscos para o agronegócio, afetando diretamente commodities como soja e milho, a agricultura tropical brasileira desenvolveu ao longo de décadas, inovações e manejos próprios para garantir a produção mesmo em condições adversas.
Tecnologias como melhoramento genético, biotecnologia, proteção de cultivos e bioinsumos permitiram ao país transformar desafios tropicais em ganhos de produtividade e resiliência. E essa capacidade produtiva é reconhecida por tomadores de decisão e formadores de opinião do país. Pesquisa inédita realizada pela CropLife Brasil em parceria com a Nexus revela que um em cada quatro entrevistados (26%) consideram que a instabilidade climática é o principal desafio no contexto climático. Ao mesmo tempo, 80% reconhecem que o atual nível de produtividade agrícola brasileira só é possível graças à pesquisa e à inovação.
O enfrentamento aos desafios climáticos tem mobilizado não apenas o setor produtivo, mas também o poder público na busca por soluções conjuntas. Recentemente, o Ministério da Agricultura e Pecuária criou um Grupo de Trabalho, por meio de portaria, dedicado a avaliar os impactos do fenômeno climático na agropecuária nacional. Com a missão de mapear as regiões e as cadeias produtivas mais vulneráveis e elaborar medidas de mitigação e proteção ao produtor rural, a inicitiva evidencia que a união entre políticas públicas, pesquisa e inovação tecnológica é essencial para garantir resiliência da agricultura tropical em cenários de instabilidade.
Enquanto o El Niño reordena a oferta global de alimentos, o Brasil evidencia que sua expertise no modelo agrícola que alia produtividade, conservação de recursos naturais, recuperação de pastagens e uma capacidade única de adaptação climática. São essas características da agricultura brasileira que a CropLife Brasil destaca na campanha “O que é que só o Brasil tem?”, que busca qualificar o debate público sobre reconhecimento e regulação do setor.
"O Brasil não é um grande produtor global em decorrência do clima tropical. Ele é um grande produtor porque aprendeu a inovar dentro desses desafios climáticos", afirma Renato Gomides, gerente executivo da CropLife Brasil. O economista e especialista no setor de bens de consumo e insumos também ressalta que a agricultura tropical conta com inovações tecnológicas desenvolvidas em solo próprio e para o agro brasileiro, fundamentais para a proteção e viabilidade das lavouras em condições adversas.
Pensada no modelo produtivo brasileiro, a pesquisa traz para o centro das discussões a importância de reconhecer as singularidades do agronegócio nacional e do manejo agrícola, a ciência por trás da escala de produção e a necessidade de diretrizes regulatórias únicas. A iniciativa conta com ações de comunicação digital e um hub de conteúdo com dados, estudos, pesquisas e materiais explicativos sobre o setor, além de análises e conteúdos explicativos que ajudem a compreender como o país desenvolveu soluções produtivas próprias para o clima tropical.

Resumo: El Niño intenso para o segundo semestre, com duração estimada até o início de 2027. Espera-se maior concentração de chuvas no Sul e na Amazônia, mas redução no Centro-Oeste, Nordeste e parte do Sul, o que deve afetar a navegação fluvial devido à menor disponibilidade de água nos rios. A draga de leitos, um processo caro e com planejamento tardio, será necessária para manter a logística, aumentando a dependência do transporte rodoviário, nem sempre adequado para o volume de demandas.

Resumo: O agronegócio brasileiro enfrenta uma confluência de fatores que pressionam margens e planejamento. A guerra no Irã aumenta custos de energia, logística e fertilizantes, e o setor encara também a volatilidade de insumos, especialmente o enxofre. Paralelamente, o El Niño, segundo a Organização Meteorológica Mundial, tem 80% de chance de se desenvolver entre junho e agosto e mais de 90% de probabilidade de permanecer ativo até novembro, impactando o período de plantio da safra 2026/2027. No Sul, deve aumentar o volume de chuvas, enquanto o Centro-Oeste enfrenta maior incerteza climática, elevando a volatilidade no cultivo.

Resumo: Nesta quinta-feira (28), Mato Grosso registra tempo estável e seco em quase todas as regiões. As manhãs são amenas, com temperaturas entre 18°C e 22°C, mas o calor se eleva à tarde, com máximas variando de cerca de 29°C a 35°C conforme a região.

A possibilidade de intensificação do El Niño no segundo semestre já mobiliza produtores, indústria e técnicos em Minas Gerais. A Cemaden aponta mais de 80% de probabilidade de um El Niño de intensidade moderada a forte, com aquecimento do oceano em torno de 1,5°C, o que pode impactar diretamente a safra 2026/27 e gerar impactos relevantes na economia do estado. Os modelos indicam aquecimento suficiente para sustentar a tendência entre setembro e outubro, mas ainda não há uma previsão de cenário extremo definitivo.
Sumário A América Latina pode enfrentar impactos desiguais se o El Niño de forte intensidade se confirmar no segundo semestre de 2026, com riscos de inflação e menor crescimento, principalmente devido aos impactos na agricultura e no setor energético.