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La Diada: Tratores ganham as ruas de Barcelona no Dia Nacional da Catalunha
Tratores ganharam as ruas de Barcelona durante a Diada Nacional da Catalunha, reforçando a presença do campo em uma das datas mais simbólicas da região. A celebração relembra os acontecimentos de 1714 e reúne manifestações culturais, históricas e políticas, incluindo atos em defesa da independência catalã.
O ronco dos motores dos tratores se misturou às bandeiras e aos gritos dos manifestantes nas ruas de Barcelona nesta sexta-feira (11). Cerca de uma dúzia de máquinas agrícolas abriu caminho para uma das colunas da manifestação realizada durante a Diada Nacional da Catalunha, levando uma imagem tipicamente rural ao centro da capital catalã.
A presença dos tratores não foi apenas um elemento visual. As máquinas seguiram à frente da coluna “Futur” (Futuro), que partiu da região da Via Laietana em direção à Praça da Catalunha, reforçando a participação de produtores rurais em uma mobilização marcada pela defesa da identidade e do território catalão.
Na Catalunha, os tratores já se tornaram uma das principais formas de mobilização do campo. Em diferentes ocasiões, agricultores organizaram as chamadas “tractoradas” para levar suas reivindicações até Barcelona. Neste ano, produtores também voltaram a ocupar as ruas da capital com máquinas para cobrar compromissos do governo com o setor.
A presença do agro também já havia aparecido na própria Diada. Em 2025, agricultores participaram das manifestações com tratores, aproximando ainda mais o mundo rural de uma data que reúne diferentes setores da sociedade catalã.
Tratores marcam presença na Diada da Catalunha, em Barcelona.
A Diada Nacional da Catalunha é celebrada todos os anos em 11 de setembro e relembra a queda de Barcelona em 1714, durante a Guerra de Sucessão Espanhola. O conflito começou após a morte do rei Carlos II da Espanha, sem deixar herdeiros, dando início a uma disputa pelo trono entre Filipe de Anjou, da Casa de Bourbon, que se tornaria Filipe V, e o arquiduque Carlos de Habsburgo.
Na fase final da guerra, a Catalunha manteve a resistência contra Filipe V. Barcelona foi cercada e, em 11 de setembro de 1714, sofreu o ataque decisivo das tropas bourbonistas. Após intensos combates, a cidade se rendeu.
Nos anos seguintes, Filipe V implantou os Decretos de Nova Planta, que extinguiram instituições e constituições próprias da Catalunha e ampliaram a centralização política da monarquia espanhola. Por isso, curiosamente, a principal data nacional catalã não celebra uma vitória, mas uma derrota que se transformou em símbolo de identidade, resistência e defesa das liberdades da região.
A história também aparece no horário da manifestação. Em Barcelona, a mobilização começou exatamente às 17h14, no horário local. A escolha faz referência direta ao ano de 1714, reforçando a simbologia histórica da data.
Sob o lema “Hi soc. Hi som. Independència” em tradução livre, “Estou aqui. Estamos aqui. Independência”, os manifestantes foram divididos em duas colunas, chamadas “Present” (Presente) e “Futur” (Futuro), que seguiram até a Praça da Catalunha.
Nas últimas décadas, a Diada também se tornou uma das principais vitrines do movimento que defende a independência da Catalunha em relação à Espanha. Organizações e partidos independentistas utilizam o 11 de setembro para defender a criação de um Estado catalão independente, embora essa posição não seja compartilhada por todos os habitantes da região.
Neste ano, além das manifestações políticas, a programação contou com atos institucionais, homenagens históricas e atividades culturais. Em meio às bandeiras catalãs, os tratores deram à mobilização um retrato que vai além das ruas de Barcelona: o de uma Catalunha onde o campo também participa das discussões sobre identidade, território e futuro.




