
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em 21 de agosto de 2026 uma medida emergencial para tentar conter a escalada dos preços da carne ao consumidor norte-americano: a permissão para importar até 300 mil toneladas de carne moída sem que o volume seja contabilizado nas cotas tarifárias vigentes. A janela tem duração de 90 dias.
Junto ao anúncio, Trump afirmou ter o compromisso de que a carne moída importada chegará às prateleiras com preços 25% inferiores aos praticados atualmente no mercado dos EUA.
O pano de fundo da decisão é uma trajetória persistente de alta nos preços da carne bovina nos EUA. Segundo dados do Federal Reserve (Fed), o preço por libra do produto saiu de menos de US$ 4 no início de 2021 para quase US$ 6,90 em julho de 2026 — uma valorização superior a 50% em pouco mais de cinco anos. O Fed atribui esse movimento a pressões sobre a oferta, com o rebanho em níveis baixos, combinadas ao aumento dos custos de energia, insumos e transporte.
O impacto já aparecia nos índices oficiais de inflação: em maio de 2026, o preço do bife nos EUA estava 15% mais caro do que no mesmo mês do ano anterior, de acordo com dados oficiais de inflação do país.
O consumo, por sua vez, segue elevado. Segundo a OCDE, os norte-americanos consumiram pouco mais de 23 kg de carne bovina por habitante em 2025, mantendo o país entre os maiores mercados mundiais do produto.
Antes do anúncio de Trump, o cenário político já estava aquecido. Em 11 de agosto de 2026, o assessor Peter Navarro afirmou, em nome da Casa Branca, que JBS e National Beef — esta última controlada pela MBRF — integram um cartel no setor de processamento de carne bovina dos EUA. Navarro associou a concentração do mercado ao encarecimento do produto para o consumidor final.
Para contextualizar a magnitude da medida, o banco UBS BB calculou que as 300 mil toneladas anunciadas equivalem a cerca de 2% da demanda anual de carne bovina dos EUA e a aproximadamente 11% das importações totais do país.
A flexibilização das cotas chega em um momento em que o Brasil já vinha ampliando sua presença no mercado norte-americano. Segundo a Abiec, o país exportou 233,8 mil toneladas de carne bovina para os EUA entre janeiro e julho de 2026, alta de 17,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita gerada nesse intervalo atingiu US$ 1,54 bilhão, crescimento de 33,1% na comparação anual.
Dados do governo brasileiro, por sua vez, registraram 209,6 mil toneladas de carne bovina in natura e industrializada exportadas ao mercado norte-americano no mesmo período de janeiro a julho de 2026, com alta de 23,9% ano a ano. A diferença entre os dois números reflete distinções de metodologia e fonte de apuração — Abiec e governo federal —, sem configurar contradição factual.
Atualmente, cerca de 50 plantas frigoríficas brasileiras estão habilitadas a exportar carne bovina para os EUA. Quando as exportações superam o limite da cota compartilhada, o produto brasileiro fica sujeito a uma tarifa extra-cota de 26,4%, o que torna a abertura temporária anunciada por Trump especialmente relevante para o setor.
O mercado acionário brasileiro respondeu rapidamente ao anúncio. As ações da Minerva saltaram mais de 5% logo na abertura dos negócios do dia 21 de agosto, diretamente impulsionadas pela perspectiva de maior acesso ao mercado norte-americano. Já os papéis da MBRF operavam com alta de 1% por volta das 10h30 do mesmo dia.

A Cofco International realizou, em 20 de agosto de 2026, o primeiro embarque de sorgo brasileiro em grande escala com destino à China, totalizando 69 mil toneladas despachadas pelo Porto de Santos. A operação marca um novo capítulo nas relações comerciais entre os dois países no setor de grãos, viabilizada pelo protocolo fitossanitário assinado em novembro de 2024.

O mercado do boi atravessa um momento de ajuste, marcado pela combinação de consumo fraco de carne e oferta limitada de animais, com frigoríficos adotando postura cautelosa nas aquisições e relatando dificuldade em encontrar gado.

Em 2026, o rebanho suíno da China soma 39 milhões de matrizes e a produção de carne bovina é projetada em 7,1 milhões de toneladas pelo USDA. No mesmo ano, cotas limitam a carne bovina brasileira a 1,106 milhão de toneladas, depois de a China ter importado 1,7 milhão de toneladas do produto em 2025.

A China importou 1,11 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos em julho de 2026, alta de 164% ante julho de 2025. Os desembarques do Brasil caíram 5,9% no mês, mas avançaram no acumulado de janeiro a julho.

O sorgo brasileiro ganha espaço no mercado chinês, com a expectativa de embarque de 30 navios ao longo do ano, enquanto a produção nacional cresceu 20% segundo a Conab, com o Maranhão liderando a expansão regional com alta de 115%.