Mel do Norte de Minas conquista exportação e mercados internacionais com produção artesanal e certificações Naturland e Bio Suisse
Mercado InternacionalA Granja·Publicado em 08 de maio de 2026 às 01h48·6 mins de leituraGrátis

Mel do Norte de Minas conquista exportação e mercados internacionais com produção artesanal e certificações Naturland e Bio Suisse

Mel do Norte de Minas expande exportação com certificações e apoio de Sebrae e Coopemapi.

Mel do Norte de Minas conquista exportação e mercados internacionais com produção artesanal e certificações Naturland e Bio Suisse

Mel do Norte de Minas conquista mercados exigentes e amplia renda de pequenos produtores

A demanda global por alimentos naturais, rastreáveis e produzidos com práticas sustentáveis vem abrindo espaço para a agricultura familiar brasileira no comércio internacional. Nesse cenário, cooperativas e iniciativas de qualificação têm transformado produtos regionais em itens de exportação, aumentando a renda no campo e agregando valor à produção local.

Um exemplo desse movimento ocorre no Norte de Minas, onde o mel produzido em áreas de transição entre o Cerrado e a Caatinga começa a ganhar destaque fora do Brasil. Com perfil sensorial diferenciado, produção de base artesanal e foco em certificações, o produto vem conquistando compradores em países com alto nível de exigência, especialmente na Europa e no Oriente Médio.

Exportações avançam e cooperativa articula vendas externas

Nos primeiros meses de 2026, produtores da região comemoram a exportação de 42 toneladas para mercados como Suíça, Bélgica e Kuwait. Desde o início das operações internacionais, em 2022, o total comercializado chegou a cerca de 350 toneladas, alcançando Estados Unidos, países da União Europeia e nações do Oriente Médio, segundo dados da Cooperativa dos Apicultores e Agricultores Familiares do Norte de Minas (Coopemapi), que intermedeia as negociações.

Destaque: a combinação entre origem, perfil sensorial e certificações tem impulsionado o mel do Norte de Minas em mercados internacionais que valorizam sustentabilidade e segurança alimentar.

Sabor, flora nativa e produção artesanal como diferenciais

O mel do Norte mineiro se diferencia por ser extraído de uma região de transição ambiental, o que resulta em uma diversidade de floradas e em um sabor característico. Plantas nativas e cultivos presentes na paisagem local, como café, abacate e aroeira, contribuem para méis com notas sensoriais distintas, ampliando a variedade e o potencial de posicionamento do produto.

Além do sabor, a forma de produção — frequentemente próxima do artesanal — tem sido valorizada por consumidores europeus, que buscam produtos com origem comprovada, manejo responsável e atributos ligados à alimentação natural. A tendência de compra também favorece itens com transparência nas etapas de produção e com padrões sanitários e ambientais reconhecidos.

Certificações e qualificação fortalecem acesso ao mercado internacional

A presença em mercados externos foi impulsionada por iniciativas de apoio técnico e de qualificação. Desde 2016, o Sebrae Minas atua com apicultores da região, oferecendo capacitações, estratégias de acesso a mercados e participação em feiras do setor.

Em 2023, foi iniciado um processo de consultoria especializada em parceria com a Coopemapi. Um mapeamento sobre o comportamento do consumidor europeu identificou oportunidades associadas à busca por méis certificados, direcionados à alimentação saudável e com destaque para propriedades funcionais.

Segundo o analista do Sebrae Minas, Walmath Magalhães, uma missão técnica à Suíça em 2024 ajudou os apicultores a compreender fatores decisivos para competir no exterior, como embalagem e informações nutricionais. Ele observa que a certificação, por si só, não garante aumento automático de vendas, mas pode ser determinante para abrir portas e gerar credibilidade em determinados mercados.

Atualmente, o suporte técnico inclui o avanço para certificações como Naturland e Bio Suisse, consideradas entre os padrões mais rigorosos de agricultura orgânica na Europa. O trabalho envolve orientação para boas práticas de manejo, com foco em uma produção mais limpa, organizada e compatível com os requisitos internacionais.

Para setembro, está prevista uma nova missão técnica, desta vez com destino à Inglaterra e ao norte da Alemanha, ampliando a estratégia de aproximação com compradores e canais especializados.

Produção cresce no campo e fortalece rede de cooperação

O avanço das exportações acompanha histórias de crescimento na produção local. O apicultor Gilson Gonçalves Ferreira, de 49 anos, relata que multiplicou sua produção em 15 vezes ao longo de sete anos. Se antes eram cerca de 100 quilos a cada seis meses, hoje sua produção chega a aproximadamente 1,5 mil quilos, com crescimento médio anual de 10%.

Em sua propriedade na zona rural de Bocaiuva, ele trabalha com apoio de três dos quatro filhos. Os apiários também se distribuem em áreas cedidas por parceiros, formando uma rede de colaboração entre produtores — um modelo que ajuda a ampliar capacidade e a distribuir melhor os pontos de coleta. O mel produzido é predominantemente nativo, com destaque para floradas como a de eucalipto.

Para o produtor, a atuação cooperativista tem papel central ao conectar quem produz com os canais de comercialização e com as exigências do mercado externo. A estrutura da cooperativa contribui para organização, padronização e garantia de entrega.

Desafios: volume, clima e gestão

Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta obstáculos para sustentar a expansão internacional. O presidente da Coopemapi, Luciano Fernandes, aponta que o desafio é profissionalizar a atividade e assegurar volume suficiente para atender compradores estrangeiros de forma contínua.

Fatores climáticos adversos podem provocar quebra de safra e redução drástica da produção esperada. Além disso, questões de fluxo de caixa e organização operacional seguem como pontos críticos para garantir regularidade e competitividade.

Cooperativa completa uma década e mira exportação com maior valor agregado

Em 2026, a Coopemapi completa 10 anos de atuação e reúne cerca de 200 integrantes, com base em Bocaiuva, município com aproximadamente 48 mil habitantes. A cooperativa atribui parte do avanço internacional ao aprendizado obtido em missões técnicas, como a realizada na Suíça em 2024.

Um dos objetivos estratégicos é avançar na exportação de mel processado. Hoje, parte do produto segue embalado com identidade do comprador, ainda que com indicação de origem brasileira e vínculo com a agricultura familiar. A meta é ampliar o valor agregado e fortalecer uma marca com maior visibilidade no exterior.

Equilíbrio entre mercado externo e interno

A estratégia regional também considera o equilíbrio entre exportação e consumo doméstico. A Europa é um dos maiores mercados consumidores de mel do mundo e responde por cerca de 20% do consumo global. O consumo per capita europeu varia de 500 g a 1,2 kg ao ano, patamar muito superior ao registrado no Brasil, que fica entre 60 g e 240 g.

Diante desse cenário, a participação em feiras e eventos no Brasil segue sendo incentivada para fortalecer o varejo e manter presença no mercado nacional, reduzindo riscos e criando alternativas de escoamento da produção.

Pontos-chave da expansão do mel do Norte de Minas

  • Origem diferenciada em área de transição entre Cerrado e Caatinga, com floradas diversas.

  • Perfil sensorial valorizado por consumidores e compradores internacionais.

  • Apoio técnico e capacitações voltadas a gestão, qualidade e acesso a mercados.

  • Certificações como requisito de credibilidade em nichos europeus.

  • Cooperativismo como elo para padronização, volume e logística de exportação.

Artigos Relacionados

Paraguai regulamenta a Lei do Etanol com 50% de etanol de cana-de-açúcar para fortalecer indústria nacional e gerar empregos
Notícia1 min de leitura

Paraguai regulamenta a Lei do Etanol com 50% de etanol de cana-de-açúcar para fortalecer indústria nacional e gerar empregos

Resumo: O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou a assinatura de decreto que regulamenta a Lei do Etanol, visando impulsionar a industrialização, atrair investimentos e gerar empregos na cadeia da cana-de-açúcar. O decreto implementa as Leis 7.357/2024 e 7.391/2024, fortalecendo a produção nacional e protegendo o mercado interno ao exigir que pelo menos 50% do etanol utilizado na mistura de combustíveis seja de origem na cana-de-açúcar. Além de mecanismos de controle para assegurar o cumprimento da mistura, prioriza o etanol produzido no país e prevê sanções para descumprimento. Um sistema de fiscalização mais rígido será implementado, com cronograma para organizar o fornecimento de etanol absoluto conforme o volume e o tipo de matéria-prima, facilitando o planejamento de usinas e produtores. A iniciativa busca estimular o crescimento da economia rural, agregar valor à produção nacional, reduzir a dependência de insumos importados e consolidar o setor como componente estratégico da matriz energética paraguaia, com o Ministério da Indústria e Comércio responsável pela implementação e aplicação de penalidades.

Ouro hoje sobe com inflação e energia; dólar forte e tensões EUA-Irã no Estreito de Ormuz
Notícia1 min de leitura

Ouro hoje sobe com inflação e energia; dólar forte e tensões EUA-Irã no Estreito de Ormuz

O ouro avançou 0,70% nesta terça-feira, operando próximo de 4.553,77 dólares por onça, após ter atingido mínimos de cerca de cinco semanas na segunda-feira, enquanto a prata subiu 0,83%, para cerca de 73,37 dólares por onça. Preços elevados de energia mantêm apreensão inflacionária e pressionam a margem de manobra dos bancos centrais para afrouxar políticas. No front geopolítico, EUA e Irã disputam o controle do Estreito de Ormuz, com Washington afirmando ter destruído seis pequenas embarcações iranianas e interceptado mísseis de cruzeiro e drones; Teerão tenta frustrar nova iniciativa naval norte-americana para abrir a navegação pelo estreito. No mercado de juros, os investidores precificam 37% de probabilidade de alta até março de 2027, frente a 27% de recorte na semana anterior. Aguardam-se dados econômicos dos EUA nesta semana, incluindo o mercado de trabalho.

Mercosul e União Europeia: acordo entra em vigor com tarifas zeradas e proteção ampliada para veículos elétricos
Notícia1 min de leitura

Mercosul e União Europeia: acordo entra em vigor com tarifas zeradas e proteção ampliada para veículos elétricos

Após mais de 25 anos de negociações, entra em vigor o acordo Mercosul-UE, que reduz tarifas entre os blocos. Serão zeradas ou reduzidas tarifas para 91% dos produtos do Mercosul e 95% para a UE, com prazos de isenção escalonados de até 10 anos na UE e 15 anos no Mercosul.

A Granja

Portal de conteúdo jornalístico voltado ao agronegócio brasileiro. 80 anos trazendo informação confiável ao produtor rural.

Newsletter

Receba as principais notícias do agro diretamente no seu e-mail.

© 2026 A Granja. Todos os direitos reservados.