
A inovação no agronegócio tem avançado em frentes que impactam diretamente a segurança alimentar, a sustentabilidade e a resiliência da produção. Entre os movimentos recentes, ganham destaque a expansão da polinização com abelhas “condicionadas” para aumentar produtividade, o crescimento de certificações de agricultura regenerativa, a digitalização da pecuária e o aumento da capacidade industrial de bioinsumos para controle de pragas.
No centro dessas iniciativas está a combinação de tecnologia, manejo biológico e dados para reduzir perdas, melhorar eficiência e lidar com eventos climáticos adversos. Além disso, produtores brasileiros acompanham com atenção mudanças no comércio internacional que podem afetar cadeias como café, mel, frutas e pescados, setores sensíveis a custos logísticos e previsibilidade de embarques.
A startup argentina Beeflow, especializada em polinização agrícola com abelhas, colocou o Brasil no radar como um dos principais vetores de crescimento para os próximos anos. A companhia, fundada em 2016 e com operação comercial iniciada em 2019 nos Estados Unidos, atua atualmente em cinco países e trabalha para superar US$ 10 milhões em faturamento em 2026.
Hoje, cerca de metade da receita da empresa vem da América do Norte, enquanto o Peru responde por aproximadamente um quarto do faturamento. Uma parcela relevante do negócio está concentrada no atendimento à produção de mirtilo, cultura que representa por volta de 50% da receita.
No Brasil, a Beeflow iniciou testes em lavouras de laranja em 2022 e, desde então, vem ampliando a atuação para café e maçã. Segundo a gestão local, a fase de testes gerou dados suficientes para buscar novos clientes e acelerar a escalabilidade do modelo, que prioriza grandes produtores para ganhar tração e eficiência operacional. O faturamento de 2025 não foi divulgado.
O objetivo agora é transformar os resultados em escala, ampliando a base de clientes e consolidando a operação no país.
O modelo da Beeflow combina manejo técnico de colmeias com tecnologias que condicionam as abelhas a priorizarem o cultivo-alvo, além de estratégias para aumentar a resistência dos enxames em condições climáticas mais desafiadoras. A empresa estima que uma colmeia treinada pode substituir até 2,7 colmeias convencionais, ampliando a eficiência do serviço de polinização em determinadas condições.
Foco em produtividade: direcionamento de visitas das abelhas ao cultivo desejado.
Resiliência: reforço do desempenho em ambientes com clima adverso.
Escala: priorização de grandes produtores para ampliar impacto e padronização.
Desde a fundação, a Beeflow captou mais de US$ 15 milhões em investimentos. A rodada Série A, concluída em junho de 2021, totalizou US$ 8,4 milhões e foi liderada por um fundo especializado em agronegócio com sede em Nova York. Entre os investidores está também uma gestora associada a nomes relevantes do ecossistema global de tecnologia.
Embora uma rodada maior esteja no radar, a empresa indica que pretende avançar até alcançar maior equilíbrio entre receitas e custos antes de buscar novos aportes. A estratégia reforça um movimento comum em startups de tecnologia aplicada ao campo: consolidar modelo de negócio e previsibilidade operacional antes de acelerar captação.
A SLC Agrícola expandiu em 79% a área certificada pelo programa internacional Regenagri, selo que reconhece fazendas com práticas voltadas à recuperação do solo e à melhoria contínua da gestão ambiental. A companhia chegou a 325 mil hectares de soja, algodão e milho em dez unidades certificadas, ante 181,5 mil hectares no ano anterior.
De acordo com a empresa, trata-se da maior extensão certificada nas Américas. A meta é alcançar 550 mil hectares com o selo até 2030, apoiada na adoção de tecnologias e práticas que alteram a forma de produzir e monitorar indicadores agronômicos.
Indicador Situação atual Meta Área certificada Regenagri 325 mil hectares 550 mil hectares até 2030 Unidades certificadas 10 unidades Expansão gradual
A agtech iRancho, voltada à gestão pecuária, alcançou em fevereiro a marca de mil usuários e projeta encerrar o ano com R$ 870 mil em receita recorrente mensal. A empresa informa gerenciar 7,3 milhões de animais em 12 mil fazendas, com ativos totais estimados em R$ 13 bilhões, além de movimentar cerca de 200 mil animais por semana na plataforma.
O tíquete médio informado é de R$ 650 por fazenda, com maior concentração de clientes entre propriedades de mil a cinco mil cabeças nas regiões Centro-Oeste e Norte. A iRancho está presente em 24 Estados e também opera em sete países.
Em 2025, a empresa registrou crescimento de 48% no faturamento. Para sustentar a expansão, abriu uma rodada de captação de R$ 10 milhões, direcionada à formação de equipes de ciência de dados e inteligência artificial, avanço comercial e possíveis aquisições de concorrentes. A expectativa é concluir o processo em julho, com participação de fundos de investimento e parceiros estratégicos.
Prioridade: times de dados e IA para eficiência e previsibilidade.
Crescimento: expansão comercial em regiões com maior adoção de tecnologia.
Estratégia: avaliação de aquisições para ampliar carteira e soluções.
A brasileira Promip busca se posicionar entre as três maiores plataformas globais de baculovírus, bioinsumo usado no controle da lagarta-da-soja. Com aporte de R$ 20 milhões, a empresa inicia neste semestre a operação de uma nova unidade industrial em São Paulo.
A fábrica deve triplicar a capacidade de produção, alcançando 200 toneladas por ano. O foco comercial está nos mercados de soja e milho, culturas nas quais o uso de biológicos tem registrado crescimento em ritmo de dois dígitos, impulsionado pela demanda por soluções mais sustentáveis e pela pressão por manejo integrado de pragas.
A expansão industrial é vista como peça-chave para sustentar a liderança no mercado sul-americano e ampliar a oferta de alternativas biotecnológicas em um cenário de crescente preocupação com resistência de pragas e com a necessidade de reduzir perdas no campo.
Paralelamente ao avanço tecnológico no campo, o agronegócio brasileiro acompanha os efeitos de um novo cenário tarifário nos Estados Unidos. Uma sobretaxa global de 10% foi aplicada sobre produtos importados, e mesmo com algum alívio, lideranças do setor apontam que persiste a falta de previsibilidade para embarques, com incertezas entre importadores sobre ajustes e prazos.
Entre os itens citados como mais sensíveis a esse ambiente estão pescados, frutas, mel e café solúvel, além do próprio café, cuja cadeia depende de contratos, logística e calendário de exportação. O tema reforça a importância de planejamento, gestão de risco e diversificação de mercados para reduzir vulnerabilidades externas.
O conjunto de iniciativas mostra como a agenda do agronegócio caminha para uma produção mais eficiente, digital e biológica, combinando inovação e práticas sustentáveis. Tecnologias de polinização, certificações regenerativas, plataformas de dados na pecuária e a expansão de biofábricas tendem a ganhar espaço em um setor pressionado por produtividade, custos e mudanças climáticas.
Em destaque: soluções que conectam biodiversidade, tecnologia e gestão podem se tornar determinantes para manter competitividade, garantir abastecimento e reduzir impactos ambientais, enquanto o cenário internacional exige atenção redobrada à previsibilidade e às condições de comércio.
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Milho recua em Chicago com dólar forte e tensão geopolítica; no Brasil, preços futuros sobem na B3

Resumo: O etanol hidratado caiu 3,33% e o etanol anidro 3,84% na semana nas usinas de São Paulo, segundo o Indicador Semanal do Etanol do Cepea/Esalq/USP (27/02/2026).

Resumo: O Cepea/Esalq do boi gordo fechou fevereiro em R$ 353,15 por arroba, o maior valor nominal da série histórica (iniciada em 1994), com alta mensal de 8,03%. A Scot Consultoria aponta sustentação do mercado pela oferta controlada e escalas curtas, embora o volume de negócios tenha ficado menor no fim de semana, com frigoríficos exportadores entre os compradores mais ativos. Em São Paulo, as cotações permaneceram estáveis em R$ 350,00 por arroba para pagamento a prazo. No mês, as altas foram de 7,4% para o boi gordo, 7,6% para a vaca gorda e 6,3% para a novilha, enquanto o índice “boi China” subiu 7,6%.

Resumo: A Fitch rebaixou o rating de inadimplência da Cosan de BB para BB- e o rating nacional AAA(bra) para A+(bra), mantendo todas as classificações da holding em observação negativa. As ações da Cosan recuaram cerca de 5,12%, enquanto a subsidiary Raízen caiu 3,08%. A agência aponta que a estrutura financeira da Cosan continua pressionada e que a empresa depende da venda de ativos para reduzir a dívida de longo prazo, mantendo alavancagem elevada. Mesmo após a oferta subsequente de ações para reduzir passivos, os indicadores permanecem frágeis, com o índice líquido empréstimo-valor projetado em ~45% e a cobertura de juros pelo fluxo de caixa operacional em torno de 1,0x; há possibilidade de novo rebaixamento caso o plano de desinvestimentos não avance. No curto prazo, não há vencimentos relevantes até 2028, o que proporciona fôlego, mas esse benefício pode encolher se a desalavancagem não progredir. No cenário-base, o fluxo de caixa livre deve ficar entre neutro e levemente positivo, sustentado principalmente por dividendos de Compass e Rumo, estimados em cerca de R$ 2,3 bilhões ao ano; a projeção não considera pagamentos de dividendos pela holding nem suporte financeiro à Raízen.

Resumo: A Espanha alertou a Organização Mundial da Saúde sobre possível transmissão de pessoa para pessoa do vírus da gripe suína A(H1N1)v na Catalunha. O departamento de saúde catalão classificou o risco para a população como "muito baixo". A pessoa infectada não apresentou sintomas respiratórios, e testes em contatos diretos mostraram que não houve retransmissão. Segundo o El País, o paciente já se recuperou e não teve contato com porcos ou fazendas, levando especialistas a concluir pela transmissão entre pessoas. A situação reacende preocupações sobre o potencial pandêmico se o vírus se recombinar com a influenza humana, embora a OMS não tenha comentado; o histórico remoto inclui notificações da Holanda em 2023 e a pandemia de 2009, causada por um vírus com material genético de porcos, aves e humanos.