
Os contratos internacionais do milho registraram queda nesta segunda-feira (2), pressionados pela valorização do dólar e pelo movimento de baixa também observado em soja e trigo. No mercado brasileiro, o cenário foi oposto: os futuros na B3 avançaram com apoio do câmbio.
A Bolsa de Chicago (CBOT) iniciou a semana com movimentações negativas nos preços internacionais do milho. Por volta das 11h50 (horário de Brasília), os principais vencimentos para 2026 exibiam desvalorização, refletindo um ambiente de maior cautela no mercado global.
O movimento de baixa do cereal acompanhou a fraqueza observada em soja e trigo, em um pregão marcado pela força da moeda norte-americana. Com o dólar mais valorizado, commodities agrícolas precificadas na moeda dos Estados Unidos tendem a perder competitividade para importadores, o que pode diminuir o apetite de compra no mercado internacional.
Contexto do mercado: o dólar ganhou impulso com investidores buscando a moeda como ativo de refúgio após a escalada de tensões no Oriente Médio, o que contribuiu para pressionar as cotações agrícolas em Chicago.
Vencimento Preço (US$) Variação Março/26 4,32 -6,75 pontos Maio/26 4,44 -4,25 pontos Julho/26 4,53 -2,75 pontos Setembro/26 4,54 -1,50 ponto
Analistas destacam que, em momentos de maior aversão ao risco, o fortalecimento do dólar costuma impactar diretamente o desempenho de commodities. Isso ocorre porque um dólar mais caro pode tornar o milho e outros grãos menos atrativos para compradores estrangeiros, reduzindo a demanda e limitando reações de alta no curto prazo.
Principal fator de pressão: valorização do dólar no exterior.
Efeito esperado: menor competitividade dos grãos cotados em dólar.
Movimento conjunto: baixas também em soja e trigo.
No mercado interno, a dinâmica foi diferente. Os preços futuros do milho negociados na B3 mostraram firmeza e operaram em alta nesta segunda-feira. Por volta do meio-dia, os contratos subiam em torno de 1% e circulavam na faixa de R$ 69,73 a R$ 72,68.
Um dos pontos de sustentação para o milho no Brasil foi a alta do dólar frente ao real. Com a moeda norte-americana avançando, o mercado doméstico tende a incorporar o efeito cambial na formação de preços, especialmente por causa da relação entre paridade de exportação, custos e expectativa de escoamento.
Por volta das 12h06, o dólar subia 1,10% e era cotado a R$ 5,19, movimento apontado como fator de reforço para as cotações do milho no país.
Vencimento Preço (R$) Variação Março/26 72,68 +0,54% Maio/26 72,31 +0,82% Julho/26 69,80 +1,00% Setembro/26 69,73 +1,00%
Enquanto Chicago refletia a busca global por proteção e os impactos de um dólar mais forte, a B3 respondeu ao câmbio como elemento de suporte. A leitura do mercado é que a variação do dólar pode influenciar a relação entre preços internos e externos, com efeitos sobre a atratividade de negócios e a precificação futura do cereal no Brasil.
Comportamento do dólar: novas oscilações podem intensificar a volatilidade tanto em Chicago quanto no Brasil.
Sentimento global: tensões geopolíticas tendem a afetar o apetite por risco e os fluxos para moedas fortes.
Correlação entre grãos: movimentos de soja e trigo podem continuar influenciando o milho no curto prazo.

As condições climáticas favoráveis e as chuvas nos Estados Unidos pressionaram em queda os contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago no início de agosto de 2026. No Brasil, a valorização dos prêmios de exportação e a demanda aquecida limitam o repasse das baixas e sustentam os preços no mercado físico.

China intensifica compras de soja dos EUA na primeira semana de agosto de 2026, com aquisições diárias reportadas pelo USDA e pela Bloomberg, totalizando cerca de 1,5 milhão de toneladas em quatro dias, como parte do acordo de trégua comercial que prevê 25 milhões de toneladas anuais até 2028.

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