
A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou o rating de inadimplência do emissor (IDR) da Cosan de BB para BB- e reduziu também a nota nacional de AAA(bra) para A+(bra). Além disso, a Fitch colocou todas as classificações da holding em observação negativa, sinalizando que novos ajustes podem ocorrer caso a empresa não consiga melhorar seus indicadores financeiros.
O anúncio repercutiu no mercado acionário, com a Cosan registrando queda relevante e a Raízen, sua subsidiária, também recuando. O movimento refletiu a leitura de investidores sobre o aumento da percepção de risco, especialmente diante da avaliação da Fitch de que a estrutura financeira permanece pressionada.
Segundo a Fitch, a Cosan ainda depende de um plano de desinvestimentos para reduzir sua dívida de longo prazo. A agência aponta que a holding segue com alavancagem elevada para o nível de rating atual, mesmo após iniciativas para fortalecer a estrutura de capital.
A classificadora observa que, apesar de uma oferta subsequente de ações realizada com o objetivo de diminuir passivos, os principais indicadores de crédito continuam frágeis. Na avaliação da Fitch, o cenário indica pouco espaço para deterioração adicional sem que isso leve a novas revisões na nota.
Nas projeções da agência, o índice líquido empréstimo-valor deve ficar em torno de 45%. Já a cobertura de juros pelo fluxo de caixa operacional tende a permanecer próxima de 1,0 vez, patamar considerado apertado para a categoria de crédito na qual a empresa está enquadrada.
Em termos práticos, a combinação desses fatores reforça a percepção de que a Cosan precisa avançar com medidas de desalavancagem para ganhar previsibilidade e reduzir o risco associado ao serviço da dívida.
Rebaixamento do rating internacional e da nota nacional da holding;
Observação negativa para todas as classificações, com possibilidade de novos ajustes;
Alavancagem elevada e métricas de crédito consideradas restritas;
Dependência de desinvestimentos para reduzir dívida de longo prazo;
Risco de execução caso as vendas de ativos não avancem nos próximos meses.
Um dos principais pontos de atenção levantados pela Fitch é o risco de execução do plano de desinvestimentos. A agência avalia que, se a empresa não conseguir avançar nas vendas previstas ao longo dos próximos meses, um novo rebaixamento não pode ser descartado.
Esse tipo de avaliação costuma ser interpretado pelo mercado como um alerta: a permanência da empresa em observação negativa sugere que a Fitch está monitorando de perto o cumprimento do plano e a evolução do endividamento, o que pode influenciar o custo de captação e a confiança de credores e investidores.
Apesar das preocupações, a Fitch reconhece um ponto que oferece algum fôlego no curto prazo: a Cosan não enfrenta vencimentos relevantes até 2028. Isso reduz a pressão imediata de refinanciamento e tende a dar tempo para a empresa executar sua estratégia.
Ainda assim, a agência ressalta que essa margem pode diminuir se o processo de desalavancagem não evoluir. Em outras palavras, a ausência de vencimentos de curto prazo não elimina o risco de crédito se o nível de endividamento permanecer alto e as métricas operacionais seguirem restritas.
No cenário-base da Fitch, o fluxo de caixa livre da Cosan deve variar entre neutro e levemente positivo. O suporte principal viria de dividendos esperados de Compass e Rumo, estimados em cerca de R$ 2,3 bilhões ao ano.
A agência também faz uma ressalva relevante: a projeção apresentada não considera pagamento de dividendos pela holding e tampouco prevê suporte financeiro à Raízen. Esse ponto é importante para a leitura do mercado, pois indica que qualquer necessidade adicional de caixa — seja por distribuição aos acionistas, seja por apoio a controladas — pode alterar a dinâmica esperada de endividamento e liquidez.
Tema Leitura da agência Impacto potencial Alavancagem Elevada para o nível de rating Pressiona nota e percepção de risco Desinvestimentos Execução é crítica para redução da dívida Atrasos podem levar a novo rebaixamento Liquidez Sem vencimentos relevantes até 2028 Dá tempo, mas não elimina o risco Fluxo de caixa Neutro a levemente positivo Depende de dividendos de participadas
A inclusão das classificações em observação negativa indica que a Fitch pode revisar novamente o rating em um horizonte mais curto, caso identifique que os riscos aumentaram ou que as medidas esperadas de redução de dívida não avancem no ritmo necessário. Para empresas com forte exposição a mercado e múltiplas frentes de investimento, esse tipo de sinalização pode influenciar decisões de alocação de capital e percepção de solvência.
A decisão reforça o foco do mercado em indicadores como capacidade de geração de caixa, cobertura de juros e disciplina financeira, além da execução do plano de venda de ativos. A partir daqui, a atenção tende a se concentrar na velocidade de desalavancagem e na manutenção de liquidez suficiente para atravessar o ciclo sem deterioração adicional do perfil de crédito.
Em destaque: o rebaixamento do rating da Cosan pela Fitch e a observação negativa refletem preocupações com alavancagem, cobertura de juros e execução de desinvestimentos, apesar de a empresa não ter vencimentos relevantes até 2028.
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Resumo: A Abramilho acompanha com apreensão a guerra entre EUA, Israel e Irã, destacando o Irã como principal parceiro comercial do Brasil nas exportações de milho. Entre 2020 e 2025, o Irã absorveu 9,08 milhões de toneladas de milho brasileiro, cerca de 20% das exportações brasileiras no último ano, com aproximadamente 80% do milho importado pelo Irã vindo do Brasil. O Irã também exporta ureia (184,7 mil toneladas no último ano), mas suas vendas diretas ao Brasil são limitadas por sanções; em 2025 o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões em produtos iranianos. Há suspeitas de Triangulação de Carga para driblar restrições. No Brasil, a demanda interna supera a produção neste período, com a primeira safra em torno de 26 milhões de toneladas e o consumo no primeiro semestre chegando a cerca de 50 milhões de toneladas, com as exportações de milho previstas para se intensificarem a partir da segunda colheita. A entidade alerta que a escalada do conflito pode influenciar o cenário futuro, mas, enquanto não houver ataques que comprometam portos por razões humanitárias, o abastecimento interno de milho não deverá ser prejudicado.

Resumo: O fechamento do Estreito de Ormuz pode impactar o agronegócio de Minas Gerais ao elevar o custo do petróleo, combustíveis e fretes, pressionando a logística e o custo de produção. A crise tende a valorizar o dólar, o que, por um lado, pode favorecer exportações para o mercado árabe, mas, por outro, encarece fertilizantes, defensivos e máquinas importadas. O setor de fertilizantes, dependente de insumos importados, fica particularmente vulnerável à volatilidade de preços. A Faemg/Senar recomenda reforçar a gestão de risco, planejar compras de insumos com antecedência, usar instrumentos de proteção de preços e manter o fluxo de caixa sob controle, além de cobrar ações diplomáticas para reduzir impactos. Apesar dos riscos, há potencial de maior receita em reais com as exportações, desde que custos permaneçam sob controle.

Sumário: O PIB do setor agropecuário brasileiro cresceu 29,1% desde 2020, com 2025 registrando alta de 11,7% impulsionada por safras recordes na agricultura e pela recuperação da pecuária. Em 2024/25 houve safra de soja de 166 milhões de toneladas e milho de 142 milhões em 2025; para 2026, a projeção aponta queda do milho para 134 milhões e do arroz para 11,5 milhões (-2,2%), comrecados esperados para algodão, trigo e sorgo, enquanto a soja pode alcançar recorde de 173 milhões. A laranja atingiu 15,7 milhões de toneladas (+28,4%), o arroz 12,7 milhões (+19,4%) e o algodão 9,9 milhões (+11,4%). A cana-de-açúcar permanece estável. A produção de carne totalizou 33 milhões de toneladas em 2025, com a bovina dominando as exportações mundiais; no entanto, 2026 tende a trazer maior volatilidade e possível redução de oferta, influenciada pela demanda chinesa e por riscos geopolíticos, como a guerra no Irã. Café (+6%), cacau e batata também devem sustentar o PIB do setor.

Resumo: A agricultura regenerativa pode transformar uma propriedade de emissora de carbono para capturadora, armazenando carbono no solo na forma de matéria orgânica, com o solo como o segundo maior reservatório do planeta. O modelo aumenta biodiversidade, recupera ecossistemas e reduz custos a médio e longo prazo ao diminuir a dependência de insumos. Além disso, favorece a vida microbiana do solo e polinizadores, com sistemas integrados como ILPF e o uso de bioinsumos contribuindo para reduzir emissões de óxido nitroso e metano. Economicamente, pode gerar até US$ 1,4 trilhão em oportunidades e criar 62 milhões de empregos no mundo; no Brasil, tende a alinhar conservação ambiental e competitividade, ampliando acesso a mercados e financiamento verde por meio de rastreabilidade. A estabilidade de custos vem da menor dependência de insumos importados e do maior uso de processos biológicos. Embora associada à orgânica, a regenerativa foca em resultados ecológicos (sequestro de carbono, biodiversidade, melhoria do solo) em vez de proibições de insumos. Em transições, podem ocorrer insumos sintéticos pontuais, desde que avaliados por indicadores ambientais. Para iniciar, é essencial um diagnóstico detalhado do solo, identificação de problemas e medidas como bioinsumos, diversificação de culturas, rotação de plantios e plantio direto, com apoio de extensão rural e troca entre produtores já atuantes.

Resumo: A indústria brasileira de máquinas e equipamentos desacelerou em janeiro, com a receita líquida de vendas caindo 17% ante janeiro de 2025, para R$ 17,28 bilhões. No mercado interno, a receita recuou 19% (R$ 12,8 bilhões) e o consumo aparente caiu 21,5% (R$ 26,5 bilhões). As exportações chegaram a US$ 838,2 milhões, alta de 3,1% YoY, mas queda de 41,4% em relação a dezembro. As importações somaram US$ 2,48 bilhões, -10,3% YoY. O nível de utilização da capacidade instalada ficou em 78,6% (alta de 0,6 ponto percentual MoM e 4% frente a janeiro de 2025). O backlog de pedidos ficou em 9 semanas. A Abimaq projeta crescimento de 3,5% na produção e aproximadamente 4% na receita líquida do setor neste ano, sustentados principalmente pelo mercado doméstico, com expansão da demanda próxima de 5,6%, impulsionada por projetos de infraestrutura e investimentos continuados em atividades extrativistas. Em máquinas agrícolas, as vendas devem cair cerca de 5% em 2026; em janeiro, a receita com venda de máquinas e implementos caiu 15,6% YoY, para R$ 3,6 bilhões.