
O bloqueio do Estreito de Ormuz, em meio ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, levou exportadores brasileiros de carne de frango a reorganizarem a logística internacional para evitar atrasos prolongados e reduzir perdas no transporte. A estratégia, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), é garantir que as cargas cheguem aos países do Oriente Médio que dependem do produto brasileiro para abastecimento.
De acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin, empresas e armadores já começaram a explorar novos corredores marítimos e, em alguns casos, a combinar navegação com transporte terrestre para contornar a região afetada. O objetivo é manter o fornecimento regular para uma área que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de frango.
A necessidade de alternativas ganhou urgência porque vários mercados do Oriente Médio apresentam alta dependência da proteína brasileira. Segundo Santin, mais da metade do frango importado pela Arábia Saudita tem origem no Brasil. Já nos Emirados Árabes Unidos, a participação brasileira é ainda maior, chegando a 74%.
Esse cenário amplia o risco de desabastecimento local caso o bloqueio se prolongue. Por isso, a indústria busca soluções para preservar a cadeia de frio, diminuir o tempo de viagem e evitar custos adicionais associados à permanência de cargas em trânsito.
Entre as opções adotadas recentemente, uma das principais envolve o uso do estreito de Bab al-Mandab, passagem entre o Iêmen e Djibouti, na África. Esse caminho permite acesso ao Mar Vermelho e, a partir dali, à costa leste da Arábia Saudita, além de facilitar entregas para outros destinos da região, como a Jordânia.
Outra solução mencionada é redirecionar cargas com destino a Dubai para o porto de Salalah, no sul de Omã. A partir desse ponto, a logística prevê o deslocamento por via terrestre até Dubai, contornando a rota que antes passava pelo Estreito de Ormuz.
Além disso, uma terceira alternativa começou a ser oferecida por uma operadora logística capaz de entregar cargas no porto de Khorfakkan, na costa leste dos Emirados Árabes Unidos, antes da área atualmente bloqueada.
“Antes de ontem, não tínhamos nem a opção de acesso ao Mar Vermelho, hoje temos. A situação melhorou.”
— Ricardo Santin, presidente da ABPA
Alternativa Como funciona Destinos citados Bab al-Mandab Acesso ao Mar Vermelho e conexão com a costa leste da Arábia Saudita Arábia Saudita, Jordânia Porto de Salalah (Omã) + rodovia Chegada por mar em Omã e transporte terrestre até o destino final Dubai Porto de Khorfakkan Entrega na costa leste dos Emirados antes do ponto de bloqueio Emirados Árabes Unidos
Apesar da instabilidade logística, a ABPA afirma que, por enquanto, não há sinais de redução nos abates de aves ou no alojamento de matrizes que darão origem a pintinhos. Com poucos dias de conflito, o setor ainda opera sem ajustes produtivos relevantes, mantendo o planejamento voltado ao atendimento do mercado interno e externo.
No mercado brasileiro, Santin avalia que não existe tendência de queda nos preços do frango neste momento. A explicação é que, embora o Oriente Médio seja relevante para a pauta exportadora, o consumo doméstico continua predominante no destino da produção nacional.
Segundo a ABPA, o Brasil consome cerca de 900 mil toneladas de carne de frango por mês, equivalente a aproximadamente 65% da produção. Já os 12 países do Oriente Médio atendidos pelo Brasil (excluindo o Irã) importam mensalmente entre 100 mil e 120 mil toneladas, o que corresponde a cerca de 15% da produção nacional.
Na média diária, o consumo interno gira em torno de 30 mil toneladas por dia, enquanto os envios à região alcançam cerca de 5 mil toneladas diárias. Assim, mesmo que parte das cargas não pudesse ser entregue e fosse redirecionada ao mercado interno, o volume seria insuficiente para pressionar fortemente os preços — cenário que, segundo Santin, não tem se materializado porque as empresas continuam buscando meios de concluir as entregas.
O risco aumenta caso o bloqueio e as restrições logísticas se prolonguem por um período maior. Nesse caso, Santin admite que poderia haver maior chance de reflexos no mercado brasileiro, inclusive com impacto sobre preços e planejamento de exportações.
Ponto de atenção: se a crise se estender por muito tempo, o setor admite que poderá haver mudanças mais amplas no fluxo de exportação e efeitos no mercado interno.
Para viabilizar o uso das rotas alternativas, a ABPA informou ter solicitado ao Ministério da Agricultura ajustes na documentação emitida para cargas originalmente destinadas a países do Oriente Médio. A intenção é permitir que os embarques sejam levados a portos e pontos de entrada diferentes dos previstos inicialmente, sem comprometer exigências sanitárias e burocráticas.
Segundo Santin, a pasta sinalizou que pretende facilitar o que for possível para reduzir entraves e assegurar a continuidade do fluxo comercial. Até o momento relatado, não havia comunicação oficial pública detalhando as medidas.
A reorganização logística reforça a relevância do Brasil como fornecedor estratégico de proteína animal. Para os países importadores, atrasos prolongados podem significar maior pressão sobre estoques e preços locais. Para os exportadores brasileiros, o desafio envolve equilibrar custos e prazos sem comprometer a qualidade do produto, especialmente em um contexto de instabilidade em rotas marítimas consideradas vitais para o comércio global.
Prioridade imediata: manter as entregas e reduzir tempo de trânsito.
Medida operacional: uso combinado de rotas marítimas e transporte terrestre.
Gestão de risco: flexibilização documental para redirecionamento rápido.

Resumo: O acordo entre seguradoras e a Pasta prevê a subvenção no máximo 180 dias após a contratação do seguro rural, mas a quitação prevista para fevereiro não ocorreu e o atraso persiste. Em 2025, as seguradoras receberam integralmente a subvenção de 2024 apenas em julho, o que prejudicou o planejamento de caixa e a originação de negócios, ainda que os produtores já tenham pago a parte correspondente nas apólices. O atraso pode elevar o risco no mercado e, consequentemente, refletir no preço dos prêmios, segundo especialistas da Fenseg. Do lado fiscal, o Proagro teve cortes: em dezembro de 2025, o MPO cancelou 758,3 milhões do Proagro e não houve repasse ao PSR; o orçamento de PSR para 2026 é de 1,017 bilhão, mas pode ser reduzido devido ao veto presidencial. A Frente Parlamentar da Agropecuária pretende derrubar o veto e proteger o orçamento. O Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural deve se reunir em março para definir o cronograma de aplicação de recursos em 2026, com expectativa de reserva maior baseada no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). Em 2025, houve destinação de 8 milhões a um projeto-piloto no Paraná, embora o montante final ainda não esteja definido.

Resumo: O Governo do Espírito Santo, por meio da Seag, promove a palestra de apresentação do Programa de Embriões Bovinos produzidos in vitro – Edital PIVE 2025, nesta quinta-feira (05), às 14h, em Viana, para produtores de leite capixabas. O objetivo é ampliar o acesso à genética de alta qualidade, elevando produtividade, eficiência e sustentabilidade da pecuária leiteira; serão detalhados os critérios do edital, requisitos de participação e procedimentos de inscrição, com a agenda já incluindo Presidente Kennedy (24/02, já realizada) e Ecoporanga (26/03). As autoridades destacam os benefícios da genética para o setor, como maior volume de leite por animal, redução de custos e maior rentabilidade. Paralelamente, a Sedu segue com o Chamadão da Educação de Jovens e Adultos (EJA) 2026, iniciado em 23/02, visando mobilizar a população da Grande Vitória para retomar a educação básica. As ações incluíram panfletagens e atendimento em pontos estratégicos, como Cariacica, Serra, Vitória e a Praça do Papa, com próximo cronograma no Terminal Rodoviário de Vitória (04/03) e nos terminais de Jacaraípe (Serra) e Campo Grande (Cariacica) em 06/03. O secretário Vitor de Angelo e a gerente Mariana Berger ressaltam que a EJA está viva e que as ações fortalecem a matrícula e o retorno aos estudos.

O Irã bloqueia o Estreito de Ormuz, colocando em risco o fluxo global de matérias-primas para fertilizantes e parte do petróleo e gás, com a passagem quase paralisada após ataques recentes. A rota transporta entre um quarto e um terço dos insumos para fertilizantes e cerca de 20% do petróleo e gás marítimos. A interrupção afeta principalmente amônia e nitrogênio, insumos centrais para fertilizantes sintéticos, o que pode comprometer a produção agrícola global e elevar preços de itens básicos como pão e ração animal. A ureia egípcia subiu mais de 25%, atingindo US$ 625 por tonelada, refletindo o aperto de oferta. O Golfo Pérsico concentra grandes fábricas de fertilizantes e responde por cerca de 45% do comércio mundial de enxofre, aumentando o risco de choques se o bloqueio persistir. Em pleno plantio de primavera na Reino Unido, Europa e América do Norte — com o Reino Unido importando cerca de 60% dos fertilizantes nitrogenados — a volatilidade pode pressionar margens dos produtores e inflacionar alimentos.

Resumo: A C.Vale apresentou avanços significativos na piscicultura em 2025, segundo o relatório do presidente do Conselho de Administração, Alfredo Lang, na Assembleia Geral de 6 de fevereiro. No sistema de integração, 275 piscicultores entregaram 50,8 milhões de tilápias, com atuação robusta em fases iniciais: 78,1 milhões de alevinos e 60,6 milhões de juvenis, cultivados em 1.114 hectares de lâmina d’água, distribuídos em 1.343 tanques escavados e 500 tanques redes, em 21 municípios. O processamento acompanhou o crescimento: os frigoríficos de Palotina e Nova Prata do Iguaçu abatam 54,2 milhões de kg de tilápias, gerando 22 milhões de kg de produto acabado, sendo 73% destinados ao mercado interno (PR, SP, RJ, SC, MG). No externo, EUA, Tailândia, Taiwan, Canadá e Espanha foram os principais destinos. O ano registrou recordes de abate: 225.459 peixes em um único dia (Palotina, 31/07) e 12.941 unidades (Nova Prata, 25/08). Lang destacou que a diversificação e a integração entre produtores e cooperativa fortalecem a piscicultura, ampliando a renda dos associados.

Resumo: O petróleo subiu fortemente diante da escalada entre EUA/Israel e Irã, com temores de interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz. O Brent para maio subiu 6,68% para US$ 77,74/barril (ICE) e o WTI para abril avançou 6,28% para US$ 71,23/barril (Nymex). No domingo, o Brent saltou cerca de 10% para ~US$ 80/barril, com analistas sugerindo possibilidade de chegar a US$ 100. A elevação reflete riscos geopolíticos e aumento da apreensão nos mercados globais, já que o Estreito de Ormuz é uma rota estratégica de petróleo. Além disso, a missão naval da UE, Aspides, informou que embarcações têm recebido transmissões VHF da Guarda Revolucionária do Irã, reiterando que nenhum navio pode passar pelo estreito.