
Nova Alvorada do Sul (MS) — A 4ª edição da Expocanas, considerada a principal vitrine tecnológica da cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul, encerra nesta sexta-feira (27/03) em Nova Alvorada do Sul, município que lidera a produção de cana no Estado. O evento chega ao fim com um panorama robusto do setor sucroenergético e projeções que indicam crescimento da produção e consolidação de MS como polo nacional de energia renovável.
Entre os principais números apresentados durante a programação, o Estado projeta uma safra recorde de etanol em 2025/2026: 5 bilhões de litros, resultado da moagem estimada de 52 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. A expectativa também inclui a produção de 2,1 milhões de toneladas de açúcar, reforçando o peso da cadeia sucroenergética no desenvolvimento econômico regional e no abastecimento nacional.
O desempenho projetado coloca Mato Grosso do Sul em posição estratégica no mercado brasileiro. Atualmente, o Estado já responde por 13,5% da produção nacional de etanol. Um dos destaques é o etanol de milho, que representa 44% do total produzido em MS, indicador que evidencia a diversificação de matérias-primas e a expansão industrial associada ao setor.
Os dados foram apresentados na quinta-feira (26/03), durante a Expocanas, evento que reúne produtores, indústria, pesquisadores e empresas fornecedoras de soluções para o campo e para a agroindústria.
A feira contou com 120 expositores e expectativa de receber 10 mil visitantes. A proposta central é funcionar como um ambiente para negócios, difusão de tecnologias e fortalecimento da cadeia produtiva da cana-de-açúcar, integrando demandas do campo, inovação e estratégias de transição energética.
Consolidada como o principal evento do setor sucroenergético no Estado, a Expocanas se destaca como espaço para troca de conhecimento e estímulo a investimentos em eficiência produtiva.
A abertura oficial ocorreu no Pavilhão da Bioenergia, com a presença do governador Eduardo Riedel e autoridades estaduais e municipais, além de lideranças do setor. Em declaração durante o evento, o governador destacou a evolução da feira e o papel do Estado no avanço da transformação energética.
Eduardo Riedel ressaltou que a Expocanas reflete o movimento de expansão do etanol e de novas rotas energéticas, como a geração de eletricidade e o avanço de investimentos industriais em biometano, tema tratado como peça-chave na estratégia estadual.
Além da produção de etanol e açúcar, o setor em Mato Grosso do Sul também se destaca pela geração de 2.200 GWh em bioeletricidade, volume equivalente ao consumo residencial anual do Estado, segundo números apresentados no evento. Na prática, esse desempenho reforça o papel da cana e de seus derivados como fonte de energia renovável e instrumento relevante para reduzir emissões, aumentar a segurança energética e diversificar a matriz.
A cadeia sucroenergética sul-mato-grossense conta com aproximadamente 800 mil hectares destinados ao cultivo de cana-de-açúcar e unidades industriais distribuídas em regiões estratégicas. A atividade está presente em 42 municípios, ampliando o impacto econômico no interior por meio de empregos, renda e movimentação de serviços associados.
Indicador Resultado / Projeção Etanol (safra 2025/2026) 5 bilhões de litros Moagem de cana 52 milhões de toneladas Açúcar (projeção) 2,1 milhões de toneladas Participação na produção nacional de etanol 13,5% Etanol de milho no total estadual 44% Bioeletricidade 2.200 GWh Área de cana no Estado 800 mil hectares Municípios com presença da cadeia 42
Conforme dados setoriais apresentados durante a feira, Mato Grosso do Sul se posiciona entre os líderes nacionais do segmento. O Estado é o 4º maior produtor de cana-de-açúcar e também o 4º maior produtor de etanol. No recorte específico do etanol de milho, aparece como 2º colocado no país. No açúcar, ocupa o 5º lugar e figura ainda como 4º exportador de bioeletricidade no Brasil.
Além do protagonismo produtivo, a cadeia sucroenergética mantém forte relevância social e econômica: o setor gera mais de 34 mil empregos diretos no Estado, segundo as informações divulgadas no evento.
Durante a Expocanas, o secretário estadual Jaime Verruck destacou a importância estratégica da cadeia para o crescimento e a competitividade de Mato Grosso do Sul. Segundo ele, o setor tem forte capacidade de atrair investimentos, gerar empregos e agregar valor, além de posicionar o Estado na vanguarda da transição energética ao combinar produtividade com sustentabilidade.
Com o encerramento da feira, o balanço divulgado reforça uma tendência: a bioenergia avança como eixo estruturante do agronegócio regional, impulsionando inovação no campo e ampliando a presença de Mato Grosso do Sul na produção nacional de etanol, açúcar e eletricidade renovável.
Em resumo:
Safra 2025/2026 pode levar MS ao recorde de 5 bilhões de litros de etanol.
Estado já representa 13,5% do etanol nacional, com 44% vindo do milho.
Bioeletricidade e biometano ganham protagonismo na transição energética.
Expocanas reforça o papel da tecnologia e dos negócios na evolução do setor sucroenergético.

A queda de geração nas usinas tipo 3, que incluem cogeração movida a biomassa de cana-de-açúcar, é preocupante, mas não há solução à vista, segundo Alexandre Leite, sócio da área de energia do Dias Carneiro Advogados. Para a cogeração, não há previsão de reembolso pela energia não vendida, apenas para as renováveis; segundo Leite, a solução exigiria mudanças legislativas. As distribuidoras afirmam que apenas seguem ordens do ONS, enquanto a Abradee diz que os prejuízos causados pela interrupção decorrentes dessas determinações não caracterizam falta de prestação do serviço. O texto evidencia um impasse regulatório entre o marco regulatório, as decisões operatorias e as expectativas do setor elétrico.

Em 10 de junho, durante a Semana do Meio Ambiente, o governo de São Paulo anunciou a construção da primeira usina brasileira de captura e armazenamento de carbono gerado pela produção de etanol de cana-de-açúcar. A iniciativa, orçada em cerca de R$ 30 milhões, envolve a FAPESP, a USP (Poli), a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Semil), a Petrobras e o escritório Rolim Goulart Cardoso Advogados, e resultou na criação do Centro de Tecnologias para Captura e Armazenamento de Carbono Biogênico (CTCCSBio), um Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) sediado na Poli-USP. O CTCCSBio terá como missão...

Resumo A Raízen avançou no processo de recuperação extrajudicial (RE) ao obter adesão de 75,45% dos créditos ao seu plano, o que permite protocolar a maior RE da história do Brasil. Mesmo com esse progresso, permanecem dúvidas sobre a estrutura da operação, especialmente a metodologia para a conversão de...

Resumo: A Raízen, joint venture de Cosan e Shell, negocia uma renegociação de dívida total de R$ 75,35 bilhões, com R$ 65,4 bilhões incluídos no processo de recuperação extrajudicial. Uma das propostas prevê converter 45% da dívida reestruturada em ações a R$ 0,25 por papel (valor cerca de 40% abaixo do fechamento anterior), com os 55% restantes estruturados como novas dívidas distribuídas entre Raízen Combustíveis e Raízen Energia, com maturidade entre 2032 e 2035. A reação do mercado foi negativa: as ações caíram quase 19% no dia, cotadas a R$ 0,34, após o anúncio da proposta de valorização da dívida em ações.

As fusões e aquisições nos segmentos de fertilizantes e açúcar/etanol caíram pela metade em 2025, totalizando apenas seis operações no ano, segundo levantamento exclusivo da KPMG para o Valor. Em fertilizantes, foram cinco transações em 2025, frente a nove em 2024; nas usinas de açúcar e etanol, o número caiu de três em 2024 para apenas uma em 2025. O recorte da consultoria evidencia um recuo significativo no ritmo de M&A nesses setores.