
Os contratos futuros do açúcar bruto negociados na bolsa ICE avançaram nesta terça-feira (24) e alcançaram o maior nível em cinco meses, impulsionados principalmente pela valorização do petróleo. No mesmo movimento, os mercados de café e cacau também registraram ganhos no pregão, reforçando um cenário de maior apetite por commodities agrícolas.
O açúcar bruto encerrou o dia em 15,88 centavos de dólar por libra-peso, alta de 2,3% (avanço de 0,36 centavo de dólar). Durante a sessão, o contrato chegou a tocar 15,91 centavos de dólar, configurando a máxima do período.
Segundo agentes do mercado, a alta foi sustentada pela percepção de que a elevação dos preços da gasolina pode aumentar a demanda por etanol e, como consequência, reduzir a oferta de açúcar. Esse efeito é especialmente relevante no Brasil, maior produtor global, onde parte relevante da cana-de-açúcar pode ser direcionada para a fabricação de combustível em vez de açúcar, dependendo da atratividade econômica.
Em termos práticos, quando a gasolina fica mais cara, o etanol tende a ganhar competitividade, estimulando consumo e afetando as decisões das usinas sobre o mix de produção. Com mais cana sendo direcionada ao etanol, o mercado passa a precificar uma eventual diminuição na disponibilidade de açúcar, o que dá suporte às cotações.
O mercado de açúcar segue sensível a possíveis anúncios de preços da Petrobras, e a perspectiva de cobertura de fundos com tal anúncio poderia elevar ainda mais a volatilidade de curto prazo.
— Avaliação do Rabobank
Apesar da leitura de alta para o açúcar, o mercado continua atento a um fator decisivo: a política de preços da Petrobras, responsável por cerca de 80% do fornecimento de gasolina no Brasil. Até o momento, a companhia não promoveu aumento nos preços domésticos do combustível, o que mantém parte do movimento recente do açúcar sob avaliação e pode ampliar oscilações conforme surjam novidades.
Para operadores, um eventual reajuste poderia reforçar o argumento de aumento da demanda por etanol e intensificar a reprecificação no mercado de açúcar. Ao mesmo tempo, a expectativa de decisões de grandes participantes financeiros, como fundos, adiciona um componente de volatilidade no curto prazo.
O movimento de alta não se limitou ao açúcar bruto. Os contratos de açúcar branco também subiram, acompanhando a tendência do setor. O preço avançou 3,1% e fechou em US$ 462,60 por tonelada métrica, após atingir, durante o pregão, uma máxima de US$ 463,60, o nível mais alto em aproximadamente cinco meses e meio.
Destaque do dia: a combinação de petróleo em alta e expectativas sobre gasolina e etanol manteve o açúcar no radar e elevou a sensibilidade do mercado a decisões internas no Brasil.
Produto Fechamento Variação Máxima do dia Açúcar bruto (ICE) 15,88 centavos de dólar por libra-peso +2,3% 15,91 centavos de dólar Açúcar branco US$ 462,60 por tonelada métrica +3,1% US$ 463,60
Além do açúcar, os mercados de café e cacau encerraram o dia em terreno positivo. Embora o pregão tenha sido marcado pela influência do petróleo sobre o açúcar, o avanço conjunto das commodities reforça a percepção de um ambiente mais favorável a ativos ligados a matérias-primas, com investidores monitorando expectativas de oferta, demanda e movimentos macroeconômicos.
Preço da gasolina no Brasil: qualquer mudança pode alterar a competitividade do etanol e mexer com o mix de produção das usinas.
Comportamento do petróleo: novas altas tendem a manter o suporte indireto ao açúcar via energia.
Atuação de fundos: ajustes de posições podem intensificar oscilações e ampliar a volatilidade no curto prazo.
Oferta global: expectativas sobre produção e exportação seguem no centro das decisões, com atenção especial ao Brasil.
Com o açúcar bruto renovando máximas e o açúcar branco acompanhando o movimento, o setor entra em um período de maior sensibilidade a decisões internas e à dinâmica do mercado de energia. Para investidores e agentes da cadeia, o foco permanece nos próximos sinais sobre preços domésticos de combustíveis e no impacto potencial sobre o consumo de etanol — fatores capazes de influenciar diretamente o equilíbrio entre oferta e demanda de açúcar.
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Resumo A Raízen avançou no processo de recuperação extrajudicial (RE) ao obter adesão de 75,45% dos créditos ao seu plano, o que permite protocolar a maior RE da história do Brasil. Mesmo com esse progresso, permanecem dúvidas sobre a estrutura da operação, especialmente a metodologia para a conversão de...

Resumo: A Raízen, joint venture de Cosan e Shell, negocia uma renegociação de dívida total de R$ 75,35 bilhões, com R$ 65,4 bilhões incluídos no processo de recuperação extrajudicial. Uma das propostas prevê converter 45% da dívida reestruturada em ações a R$ 0,25 por papel (valor cerca de 40% abaixo do fechamento anterior), com os 55% restantes estruturados como novas dívidas distribuídas entre Raízen Combustíveis e Raízen Energia, com maturidade entre 2032 e 2035. A reação do mercado foi negativa: as ações caíram quase 19% no dia, cotadas a R$ 0,34, após o anúncio da proposta de valorização da dívida em ações.

As fusões e aquisições nos segmentos de fertilizantes e açúcar/etanol caíram pela metade em 2025, totalizando apenas seis operações no ano, segundo levantamento exclusivo da KPMG para o Valor. Em fertilizantes, foram cinco transações em 2025, frente a nove em 2024; nas usinas de açúcar e etanol, o número caiu de três em 2024 para apenas uma em 2025. O recorte da consultoria evidencia um recuo significativo no ritmo de M&A nesses setores.