
A possível retração das compras iranianas de milho brasileiro acende um alerta para produtores, exportadores e para a indústria de proteína animal. Analistas apontam dificuldade de substituição no curto prazo e divergem sobre o potencial de demanda da China.
O mercado internacional de milho acompanha com atenção os próximos passos do Irã, que elevou sua demanda por aves após a queda do consumo de caprinos e ovinos nos últimos anos. Esse movimento, por consequência, impulsionou a necessidade de ração e levou o país a ampliar de forma consistente suas importações de milho.
Agora, porém, essa trajetória pode mudar. A avaliação é que as compras iranianas tendem a cair diante de uma crise esperada para os próximos meses, com a moeda local em declínio. Na prática, o enfraquecimento cambial deve encarecer as importações, reduzindo o apetite do país por milho no mercado externo.
Para a cadeia de alimentos, o tema é relevante porque o milho é um insumo central para a produção de rações, influenciando custos e preços de produtos como frango e ovos.
Um trader ouvido pelo mercado, sob condição de anonimato, avalia que a lacuna de demanda deixada por uma eventual redução das compras iranianas pode ser parcialmente absorvida pela China, que já figurou como o maior importador do milho brasileiro.
Segundo essa visão, Pequim tem capacidade de comprar grandes volumes do Brasil, mas o fator determinante será o preço. Isso porque a China vem fortalecendo sua produção e também mantém alternativas de abastecimento com outros fornecedores.
O mesmo analista destaca ainda um possível desdobramento interno: parte do milho que deixaria de seguir para exportação pode permanecer no mercado doméstico, atendendo a expansão da indústria de etanol de milho, que tem crescido e aumentado a demanda pelo cereal.
Possível efeito 1: menor exportação para o Irã e maior disponibilidade interna.
Possível efeito 2: redirecionamento de volumes para a China, condicionado a preços competitivos.
Possível efeito 3: pressão e ajustes em toda a cadeia do milho, da produção ao consumo industrial.
Para Ronaldo Fernandes, analista da Royal Rural, a substituição do volume comprado pelo Irã não será simples. Ele afirma que o país teve papel central no desempenho das exportações brasileiras em 2025, ajudando o Brasil a alcançar um patamar de escoamento elevado.
Na leitura de Fernandes, sem as compras iranianas, o setor não teria atingido as 40 milhões de toneladas exportadas em 2025 — um volume descrito por ele como muito acima do padrão que costuma variar entre 4 milhões e 6 milhões de toneladas.
Em contraponto à tese de que a China poderia ocupar a lacuna, Fernandes considera que, neste momento, o país asiático está fora do radar como grande comprador do milho brasileiro.
“A China comprou muito milho do Brasil em 2023/24, mas foi um movimento cíclico. Ela abasteceu seus estoques e agora ficará anos sem fazer grandes compras.”
Na projeção do analista, as compras chinesas neste ano não devem ultrapassar 2 milhões de toneladas, após um período em que o país importou cerca de 16 milhões de toneladas em 2023/24.
A avaliação de Enilson Nogueira, analista da Céleres Consultoria, reforça a complexidade do cenário. Para ele, não há, no curto prazo, um consumidor com o mesmo potencial de absorção para substituir a demanda do Irã.
Nogueira classifica uma eventual queda das exportações para o país como um ponto de atenção para toda a cadeia do milho — do campo à indústria —, já que mudanças bruscas em fluxos internacionais podem alterar a dinâmica de preços, logística e planejamento de vendas.
Por que isso importa para o consumidor? Embora o debate ocorra no comércio internacional, o milho influencia diretamente o custo de ração, que é um dos principais componentes de preço na produção de proteínas como frango e ovos. Além disso, a crescente demanda do cereal para etanol de milho adiciona um novo vetor de competição por oferta.
Fator O que está acontecendo Possível impacto Irã Risco de queda nas compras devido à crise e desvalorização da moeda Menor demanda externa e incerteza para exportações China Capacidade existe, mas compras dependem de preço; há divergência entre analistas Pode absorver parte do volume ou ficar em níveis baixos no ano Mercado interno Indústria de etanol de milho em expansão pode reter parte do cereal no país Disputa por oferta e efeitos sobre preços e disponibilidade

Resumo: Brasil e Espanha avançam na cooperação em irrigação, gestão sustentável da água e desenvolvimento regional, por meio do Memorando de Entendimentos assinado entre o MIDR e o Ministério da Agricultura espanhol em 2025. O secretário nacional de Segurança Hídrica do MIDR, Giuseppe Vieira, lidera uma delegação com representantes da ANA para intercâmbio de conhecimentos, visitas técnicas a áreas irrigadas e centros de pesquisa na Andaluzia, visando aprender boas práticas, entender marcos regulatórios e fortalecer capacidades institucionais. A missão incluiu visitas ao perímetro irrigado Genil-Cabra, à Comunidade de Irrigantes de Santaella, ao CENTA e à Universidade de Córdoba, com foco em soluções como reutilização de água e uso de gêmeos digitais na agricultura. O objetivo é compartilhar práticas brasileiras, atrair cooperação e investimentos, além de discutir políticas públicas de gestão da água e planejamento hidrológico; a missão será concluída com reunião no Ministério da Agricultura da Espanha.

A guerra no Oriente Médio aumenta a incerteza nas rotas logísticas e no fornecimento de energia, com o estreito de Hormuz, que concentra pelo menos 20% da produção mundial de petróleo, em foco. O Insper Agro Global aponta que desvios de rota, maior percepção de risco e prêmios de seguro elevam os custos de transporte, o que impacta diretamente a cadeia de suprimentos do agronegócio brasileiro. A instabilidade também ameaça o estreito de Bab el-Mandeb e o Canal de Suez, ampliando riscos para o comércio agropecuário global.

Resumo: Durante fiscalização na BR-277, a Polícia Rodoviária Federal flagrou um caminhão com toras de eucalipto transportando 44 toneladas, 15 acima do limite permitido de 29 t. O motorista, de 34 anos, conduzia com CNH suspensa e já havia sido autuado pela mesma infração em dezembro, caracterizando reincidência. O veículo foi retido e o transbordo da carga excedente foi determinado para que o caminhão seguisse dentro dos limites legais. Ao todo, foram registradas 11 autuações. A PRF reforça que o excesso de peso representa risco à segurança, aumenta a distância de frenagem e danifica o pavimento.

Resumo: O conflito no Oriente Médio elevou significativamente os custos logísticos e de demurrage no transporte marítimo. A demurrage pode variar de US$ 325 a US$ 475 por contêiner refrigerado de 40 pés por dia, e um atraso de duas semanas pode chegar a cerca de US$ 6.400 por contêiner. Navios de 800–1.200 TEUs podem gerar custo diário próximo de US$ 570 mil em uma operação com 1.200 contêineres a US$ 475/dia. Pesquisadores do Insper Agro Global apontam que, além da demurrage, há desvios de rota, maior percepção de risco e prêmios de seguro mais altos, elevando as despesas operacionais. O bloqueio ou restrição de navegação pelas vias como o Estreito de Hormuz e Bab el-Mandeb ameaça cerca de 20% do tráfego mundial de petróleo e mercadorias, com impactos também no Canal de Suez. A MSC aplicou uma Sobretaxa de Risco de Guerra (WSR) de até US$ 4.000 por contêiner refrigerado e US$ 800 adicionais por contêiner para desvio; a empresa também anunciou o redirecionamento de remessas. Hapag-Lloyd e CMA foram entre as primeiras a suspender travessias pelo Hormuz e a aplicar WSR, com tarifas variando de US$ 1.500 a US$ 4.000 por contêiner refrigerado. No Brasil, a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira afirma que não deve haver interrupções nos envios para a região, destacando que cerca de 75% das exportações brasileiras para o mercado árabe são alimentos essenciais e que rotas alternativas, como o Golfo de Omã, estão sendo consideradas.

Resumo: O Atlas do Mercado de Terras 2025, do Incra, mostra um preço médio nacional de R$ 22.951,94 por hectare, com variações significativas por região e tipo de uso (agricultura vs. não agrícola). Mogiana (SP) apresenta extremos: não agrícola ~ R$ 2.433.233,91/ha e agrícola ~ R$ 80.911,18/ha, destacando a presença de café, cana e turismo rural. Regiões Sul e Sudeste concentram os maiores preços, com Xanxerê (SC) em torno de R$ 173.298,67/ha; a Região Metropolitana do Maranhão alcança ~ R$ 299.279,01/ha e, para uso não agrícola, até ~ R$ 405.641,35/ha. Oeste Amazonense figura entre os menores valores, cerca de R$ 1.525,62/ha, devido a logística precária, áreas protegidas e menor demanda. A média nacional subiu 28% entre dezembro de 2024 e dezembro de 2022. Fatores que elevam ou reduzem o preço incluem produtividade, proximidade a mercados, logística, economia, situação legal e uso da terra. O Incra aplica métodos para eliminar outliers na metodologia. Observação: 1 hectare equivale a 10 mil m². Para 2025/2026, não há preço fixo, mas a tendência é de valorização em polos consolidados (ex.: Mato Grosso, Matopiba) com avanços infraestruturais como a Ferrovia Norte-Sul; áreas preservadas ou com conflitos tendem a preços mais baixos.