
A escalada da guerra no Oriente Médio ampliou a instabilidade no comércio internacional e acendeu um alerta para cadeias produtivas que dependem de energia, transporte marítimo e fertilizantes. Para o agronegócio brasileiro, o impacto pode vir em forma de aumento de fretes, seguros, atrasos e encarecimento de insumos, especialmente em um cenário já marcado por margens apertadas, juros elevados e restrições de financiamento.
A avaliação consta em relatório do Insper Agro Global, que destaca que o efeito final dependerá da duração e da intensidade do conflito, além da capacidade de o setor se adaptar a possíveis rupturas na logística global. Segundo os pesquisadores, o ponto central é acompanhar a evolução do quadro e seus reflexos sobre a estabilidade regional, pois estão em jogo não apenas mercados relevantes, mas também rotas marítimas estratégicas e o fluxo global de petróleo.
O risco mais sensível para a economia mundial é a possibilidade de bloqueio ou restrição da navegação pelo Estreito de Hormuz, passagem por onde circula uma parcela expressiva da produção global de petróleo, além de mercadorias com origem e destino ao Oriente Médio. A incerteza já tem provocado elevação de preços de frete e cobrança de taxas adicionais de navegação, o que pode afetar exportadores brasileiros com vendas ou rotas relacionadas à região.
De acordo com o relatório, os custos logísticos tendem a subir por diferentes vias: desvios de rota, maior percepção de risco e aumento dos prêmios de seguro no transporte marítimo. O resultado, na prática, é a ampliação das despesas operacionais ao longo de toda a cadeia de suprimentos, com potencial repasse a preços de alimentos e insumos.
“Os custos logísticos são afetados por desvios de rota, elevação da percepção de risco com aumento dos prêmios de seguro no transporte marítimo, com impactos diretos sobre o comércio.”
Além de Hormuz, os analistas chamam atenção para o Estreito de Bab el-Mandeb, na região do Golfo de Áden, acesso importante ao Canal de Suez. Por essa rota transitam cargas de contêiner e bens de consumo entre Ásia e Europa. A instabilidade em pontos de estrangulamento como esses eleva a probabilidade de um choque de oferta com alcance global, com repercussões relevantes para setores dependentes de importações, como o de fertilizantes.
Em resumo: a guerra adiciona risco sistêmico ao comércio internacional ao afetar energia, fretes, seguros e rotas marítimas essenciais.
Embora o impacto varie por cadeia produtiva, o Oriente Médio é descrito como um mercado de peso para o agro brasileiro. Em 2025, as exportações agropecuárias para a região somaram US$ 12,4 bilhões, com crescimento médio de 49% ao ano desde 2000. No total, o Oriente Médio respondeu por 7,4% das vendas do agro brasileiro em 2025, com destaque para carne de frango, milho, açúcar, carne bovina e soja.
O principal destino regional foi o Irã, responsável por 29,3% do valor exportado ao Oriente Médio, com US$ 2,9 bilhões. Na sequência aparecem Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Os pesquisadores ressaltam que, para alguns segmentos, a relevância é ainda maior do que o valor total indica: a região não é apenas um destino complementar, mas um pilar de escoamento para determinados produtos.
A carne de frango é um dos exemplos mais sensíveis. No ano passado, cerca de 1,5 milhão de toneladas foram destinadas ao Oriente Médio, o equivalente a 29% das exportações brasileiras do produto. Como o Brasil é um dos principais fornecedores globais de frango halal (produzido conforme padrões islâmicos), qualquer prolongamento do conflito em uma região com grande população muçulmana pode aumentar riscos comerciais, logísticos e de demanda.
O milho também aparece como ponto de atenção. O Irã é o principal comprador do cereal do Brasil. No ano passado, as compras chegaram a 9 milhões de toneladas, o equivalente a 22% do total exportado pelo país, acima da média dos últimos dez anos, de 5 milhões de toneladas. Os especialistas lembram que a maior parcela do milho brasileiro é destinada ao consumo interno, mas as exportações têm ganhado relevância — e, portanto, o conflito pode impor riscos comerciais relevantes se houver prolongamento e restrições logísticas.
Tema Risco principal Impacto potencial Logística marítima Desvios, seguros mais caros e taxas extras Frete mais caro, atrasos e maior custo operacional Energia Pressão no preço do petróleo Combustíveis mais caros e efeito em cadeias produtivas Fertilizantes Risco de oferta e encarecimento, sobretudo nitrogenados Custo de produção agrícola maior e pressão sobre preços Exportações ao Oriente Médio Dependência regional em produtos-chave Risco comercial, renegociação e mudança de fluxo
Um dos principais pontos de preocupação para o Brasil é a segurança de suprimento de fertilizantes. O relatório cita dados do Rabobank indicando que 45% das exportações globais de ureia passam por rotas associadas ao Golfo Pérsico. Além disso, países do Oriente Médio têm peso relevante no fornecimento desse insumo.
O documento também aponta que uma parcela expressiva de outros produtos essenciais à nutrição das lavouras circula por essas vias marítimas:
Amônia: cerca de 25% do fluxo global
Fosfato diamônico (DAP): aproximadamente 20%
Fosfato monoamônico (MAP): por volta de 10%
Enxofre: quase 30% do comércio global
Esse quadro reforça o papel estratégico da região para a segurança alimentar mundial e amplia a vulnerabilidade de países com alta dependência de adubo importado. Para a agricultura brasileira, qualquer interrupção — ou encarecimento relevante — pode elevar custos de produção e pressionar preços de commodities agrícolas.
Conflitos no Oriente Médio historicamente tendem a pressionar o preço internacional do petróleo, e o relatório observa que as cotações do barril já chegaram a se aproximar de US$ 80 em alguns vencimentos. O encarecimento do petróleo afeta diretamente combustíveis e, indiretamente, fertilizantes, já que parte relevante dos nitrogenados está ligada à cadeia de energia e gás.
Na prática, a soma de fretes mais caros, risco de oferta e energia pressionada pode comprimir margens e reduzir competitividade, especialmente em um ambiente de custos elevados e financiamento mais restrito.
Para exportadores e empresas do agro, o cenário exige monitoramento constante de rotas marítimas, prazos e custos, além de planejamento para alternativas logísticas e gestão de riscos. A depender da evolução do conflito, podem ganhar importância medidas como diversificação de destinos, renegociação de contratos de frete, reforço de estoques estratégicos e revisão de cronogramas de embarque.
Pontos de atenção imediatos (monitoramento):
Condições de navegação e custos adicionais em rotas do Golfo Pérsico
Variação de preços de frete e seguros marítimos
Oscilações no petróleo e efeitos sobre combustíveis e fertilizantes
Disponibilidade e preço de ureia e outros fertilizantes importados
Riscos comerciais em mercados relevantes, como Irã e países do Golfo
Embora ainda seja cedo para medir a extensão total dos impactos, o relatório destaca que a instabilidade em corredores estratégicos do comércio global pode se traduzir em custos maiores e riscos de oferta com repercussões para o agronegócio — e, em última instância, para o preço de alimentos e a estabilidade de cadeias essenciais à segurança alimentar.
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Resumo: o consumo de caprinos e ovinos no Irã caiu, elevando a demanda por aves e, consequentemente, as importações de milho. com a moeda local em queda, as compras devem cair, tornando as importações mais caras. a lacuna de demanda iraniana pode ser preenchida pela china, que já foi a maior fornecedora do milho brasileiro, mas isso dependerá do preço e dos estoques. um analista destaca que o Irã foi a salvação das exportações brasileiras em 2025 e, sem ele, não seriam atingidas 40 milhões de toneladas escoadas; outro afirma que a china é carta fora do baralho no momento, após ter abastecido seus estoques e prever reduzir compras por três anos. há ainda a visão de que não há outro comprador com o mesmo potencial de absorção no curto prazo. por fim, parte do milho que deixar de ir ao Irã pode ficar no mercado interno para atender à indústria de etanol de milho.

Resumo: Brasil e Espanha avançam na cooperação em irrigação, gestão sustentável da água e desenvolvimento regional, por meio do Memorando de Entendimentos assinado entre o MIDR e o Ministério da Agricultura espanhol em 2025. O secretário nacional de Segurança Hídrica do MIDR, Giuseppe Vieira, lidera uma delegação com representantes da ANA para intercâmbio de conhecimentos, visitas técnicas a áreas irrigadas e centros de pesquisa na Andaluzia, visando aprender boas práticas, entender marcos regulatórios e fortalecer capacidades institucionais. A missão incluiu visitas ao perímetro irrigado Genil-Cabra, à Comunidade de Irrigantes de Santaella, ao CENTA e à Universidade de Córdoba, com foco em soluções como reutilização de água e uso de gêmeos digitais na agricultura. O objetivo é compartilhar práticas brasileiras, atrair cooperação e investimentos, além de discutir políticas públicas de gestão da água e planejamento hidrológico; a missão será concluída com reunião no Ministério da Agricultura da Espanha.

Resumo: Durante fiscalização na BR-277, a Polícia Rodoviária Federal flagrou um caminhão com toras de eucalipto transportando 44 toneladas, 15 acima do limite permitido de 29 t. O motorista, de 34 anos, conduzia com CNH suspensa e já havia sido autuado pela mesma infração em dezembro, caracterizando reincidência. O veículo foi retido e o transbordo da carga excedente foi determinado para que o caminhão seguisse dentro dos limites legais. Ao todo, foram registradas 11 autuações. A PRF reforça que o excesso de peso representa risco à segurança, aumenta a distância de frenagem e danifica o pavimento.

Resumo: O conflito no Oriente Médio elevou significativamente os custos logísticos e de demurrage no transporte marítimo. A demurrage pode variar de US$ 325 a US$ 475 por contêiner refrigerado de 40 pés por dia, e um atraso de duas semanas pode chegar a cerca de US$ 6.400 por contêiner. Navios de 800–1.200 TEUs podem gerar custo diário próximo de US$ 570 mil em uma operação com 1.200 contêineres a US$ 475/dia. Pesquisadores do Insper Agro Global apontam que, além da demurrage, há desvios de rota, maior percepção de risco e prêmios de seguro mais altos, elevando as despesas operacionais. O bloqueio ou restrição de navegação pelas vias como o Estreito de Hormuz e Bab el-Mandeb ameaça cerca de 20% do tráfego mundial de petróleo e mercadorias, com impactos também no Canal de Suez. A MSC aplicou uma Sobretaxa de Risco de Guerra (WSR) de até US$ 4.000 por contêiner refrigerado e US$ 800 adicionais por contêiner para desvio; a empresa também anunciou o redirecionamento de remessas. Hapag-Lloyd e CMA foram entre as primeiras a suspender travessias pelo Hormuz e a aplicar WSR, com tarifas variando de US$ 1.500 a US$ 4.000 por contêiner refrigerado. No Brasil, a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira afirma que não deve haver interrupções nos envios para a região, destacando que cerca de 75% das exportações brasileiras para o mercado árabe são alimentos essenciais e que rotas alternativas, como o Golfo de Omã, estão sendo consideradas.

Resumo: O Atlas do Mercado de Terras 2025, do Incra, mostra um preço médio nacional de R$ 22.951,94 por hectare, com variações significativas por região e tipo de uso (agricultura vs. não agrícola). Mogiana (SP) apresenta extremos: não agrícola ~ R$ 2.433.233,91/ha e agrícola ~ R$ 80.911,18/ha, destacando a presença de café, cana e turismo rural. Regiões Sul e Sudeste concentram os maiores preços, com Xanxerê (SC) em torno de R$ 173.298,67/ha; a Região Metropolitana do Maranhão alcança ~ R$ 299.279,01/ha e, para uso não agrícola, até ~ R$ 405.641,35/ha. Oeste Amazonense figura entre os menores valores, cerca de R$ 1.525,62/ha, devido a logística precária, áreas protegidas e menor demanda. A média nacional subiu 28% entre dezembro de 2024 e dezembro de 2022. Fatores que elevam ou reduzem o preço incluem produtividade, proximidade a mercados, logística, economia, situação legal e uso da terra. O Incra aplica métodos para eliminar outliers na metodologia. Observação: 1 hectare equivale a 10 mil m². Para 2025/2026, não há preço fixo, mas a tendência é de valorização em polos consolidados (ex.: Mato Grosso, Matopiba) com avanços infraestruturais como a Ferrovia Norte-Sul; áreas preservadas ou com conflitos tendem a preços mais baixos.