
O mercado futuro de açúcar em Nova York registrou reação nas últimas semanas, impulsionado pelo aumento da tensão geopolítica no Oriente Médio. Apesar do gatilho externo, o avanço ocorreu em ritmo moderado, sem a explosão de preços que parte dos agentes esperava diante da gravidade do cenário internacional.
Na prática, os fundamentos do mercado seguem determinando o comportamento das cotações. O contrato maio/26 encerrou a semana em 15,63 centavos de dólar por libra-peso, com alta semanal de 122 pontos (equivalente a US$ 26,90 por tonelada). Com a desvalorização do real no período, o efeito combinado trouxe melhora superior a R$ 150 por tonelada no açúcar VHP destinado à exportação.
Mesmo com o avanço, o preço ainda permanece abaixo do custo estimado de produção em modelos de referência do setor, apontado na faixa de 17 centavos de dólar por libra-peso no padrão FOB Santos. Ou seja, o movimento ajuda a reduzir a pressão sobre margens e planejamento, mas ainda não representa um cenário confortável para o produtor.
A variação registrada não é comum. Um movimento comparável ocorreu em setembro de 2024, quando o mercado avançou de 19,01 para 22,66 centavos de dólar por libra-peso em apenas uma semana. Naquele episódio, o comportamento dos fundos indicou uma mudança relevante de posicionamento, com ruídos sobre operações que poderiam estar distorcendo a dinâmica de preços.
No momento, analistas avaliam que ainda faltam elementos adicionais para sustentar uma escalada mais intensa, mas o contexto global adiciona volatilidade e aumenta a sensibilidade do mercado a novas manchetes.
Leitura de mercado: a geopolítica acendeu o estopim, mas o açúcar ainda responde principalmente a oferta, demanda e câmbio.
Outro ponto observado por operadores é a diferença entre preços domésticos e referências internacionais de combustíveis. A defasagem entre valores praticados nas refinarias e a paridade internacional chegou a 39%, aumentando expectativas de ajustes ao longo do tempo.
Mesmo sem mudanças formais imediatas, o preço ao consumidor já mostrou reação nas últimas semanas. Esse cenário fortalece a tese de que, caso a pressão sobre combustíveis persista, o incentivo econômico tende a favorecer um mix mais direcionado ao etanol por parte das usinas, alterando a disponibilidade de matéria-prima para açúcar.
O relatório Commitment of Traders, que reúne posições de participantes no mercado futuro, mostrou que os fundos recompraram pouco mais de 2.000 lotes em uma semana em que o açúcar oscilou pouco, saindo de 14,38 para 14,45 centavos de dólar por libra-peso. A leitura é de que houve ajuste, mas sem força suficiente para mudar a narrativa de curto prazo.
Ainda assim, a posição líquida vendida permanece elevada, em torno de 205.800 lotes. Em um ambiente de deterioração do cenário geopolítico ou de novas surpresas em oferta global, essa exposição pode aumentar a vulnerabilidade do mercado e gerar movimentos adicionais de alta.
Posição vendida elevada tende a acelerar altas quando ocorre cobertura.
Volatilidade geopolítica adiciona prêmio de risco a commodities.
Câmbio segue determinante para a remuneração do exportador.
Na avaliação de participantes, se houver corrida por redução de posição, a alta pode ocorrer de forma abrupta, com potencial adicional estimado em 150 a 200 pontos em determinados cenários.
Do lado da oferta, a Índia voltou ao centro das atenções. Uma leitura mais detalhada indica que a frustração de safra está ligada a fatores agrícolas: a temporada foi marcada por uma monção mais longa e por menor incidência de radiação solar, condições que limitaram o desenvolvimento da cana e favoreceram episódios de floração em regiões relevantes — um fenômeno que compromete produtividade e teor de açúcar.
Além disso, há sinais de que o ritmo de colheita foi mais intenso. Com mais usinas em operação e aumento de capacidade de moagem, a cana foi processada em um intervalo mais curto, reduzindo o tempo de maturação no campo. O avanço da mecanização também contribuiu para acelerar o processo.
Como resultado, uma safra inicialmente projetada ao redor de 35 milhões de toneladas perdeu fôlego rapidamente. O entendimento predominante é que a Índia deve ter pouca disponibilidade para exportar em volume capaz de alterar o equilíbrio do mercado internacional.
O alargamento do spread entre Brent e WTI, que passou de cerca de US$ 5 para próximo de US$ 15 por barril, foi interpretado como sinal de desconexão entre o risco global e fatores domésticos nos Estados Unidos.
Enquanto o Brent incorpora prêmio geopolítico e risco logístico em rotas marítimas, o WTI segue mais pressionado por elementos locais, como excesso de oferta, limitações de escoamento e variações momentâneas na demanda por refino. Em termos práticos, o Brent tem sido puxado por um ambiente global mais apertado e incerto — com reflexos indiretos sobre o complexo de energia e biocombustíveis.
O movimento recente também reacendeu o debate sobre estratégia de fixação de preços. Há poucas semanas, o mercado indicava condições mais favoráveis para fixações do ciclo 2027/2028, com médias ao redor de 14,66 centavos de dólar por libra-peso. Em seguida, as cotações avançaram e o mercado fechou em 16,51 centavos, uma alta equivalente a cerca de US$ 40 por tonelada.
Para consumidores industriais, o episódio reforça a importância de gestão de risco: em janelas curtas, oportunidades de previsibilidade de custo podem se fechar rapidamente.
No campo técnico, o contrato maio/26 encerrou a semana em 15,70 centavos de dólar por libra-peso e rompeu a média móvel de 200 dias, retomando sinal de tendência de alta. Analistas apontam resistências em 16,40 e 17,28, enquanto os suportes aparecem em 15,32, 15,04, 14,65 e 14,25.
Indicador Leitura Contrato maio/26 15,63 c/lb (semana) e 15,70 c/lb (fechamento técnico citado) Variação semanal +122 pontos (US$ 26,90/tonelada) Fundos (posição líquida) ~205.800 lotes vendidos Índia Safra perde força; exportação com baixa chance de volume relevante Brent x WTI Spread ampliado para perto de US$ 15/barril
Se o mercado superar a resistência em 16,40 centavos, operadores avaliam que o movimento pode ganhar tração. Ainda assim, a leitura predominante é de que as próximas semanas continuarão dependentes da combinação entre geopolítica, câmbio, energia e sinais mais claros sobre oferta global.

A queda de geração nas usinas tipo 3, que incluem cogeração movida a biomassa de cana-de-açúcar, é preocupante, mas não há solução à vista, segundo Alexandre Leite, sócio da área de energia do Dias Carneiro Advogados. Para a cogeração, não há previsão de reembolso pela energia não vendida, apenas para as renováveis; segundo Leite, a solução exigiria mudanças legislativas. As distribuidoras afirmam que apenas seguem ordens do ONS, enquanto a Abradee diz que os prejuízos causados pela interrupção decorrentes dessas determinações não caracterizam falta de prestação do serviço. O texto evidencia um impasse regulatório entre o marco regulatório, as decisões operatorias e as expectativas do setor elétrico.

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Resumo: A Raízen, joint venture de Cosan e Shell, negocia uma renegociação de dívida total de R$ 75,35 bilhões, com R$ 65,4 bilhões incluídos no processo de recuperação extrajudicial. Uma das propostas prevê converter 45% da dívida reestruturada em ações a R$ 0,25 por papel (valor cerca de 40% abaixo do fechamento anterior), com os 55% restantes estruturados como novas dívidas distribuídas entre Raízen Combustíveis e Raízen Energia, com maturidade entre 2032 e 2035. A reação do mercado foi negativa: as ações caíram quase 19% no dia, cotadas a R$ 0,34, após o anúncio da proposta de valorização da dívida em ações.

As fusões e aquisições nos segmentos de fertilizantes e açúcar/etanol caíram pela metade em 2025, totalizando apenas seis operações no ano, segundo levantamento exclusivo da KPMG para o Valor. Em fertilizantes, foram cinco transações em 2025, frente a nove em 2024; nas usinas de açúcar e etanol, o número caiu de três em 2024 para apenas uma em 2025. O recorte da consultoria evidencia um recuo significativo no ritmo de M&A nesses setores.