
A Usina Cucaú iniciou em fevereiro uma etapa de testes com uma colhedora chinesa voltada à colheita mecanizada de cana-de-açúcar em terrenos de forte declive, cenário comum na Zona da Mata de Pernambuco. O objetivo é ampliar a mecanização em áreas antes consideradas inviáveis para máquinas convencionais, reduzindo a dependência do corte manual e aumentando a eficiência operacional.
O equipamento avaliado é a 4GD1, fabricada pela FM World Agriculture. Segundo a empresa, a colhedora consegue operar com segurança em áreas com declividade entre 20° e 25°, patamar significativamente superior ao de colhedoras tradicionais, que geralmente trabalham em inclinações bem menores. A experiência é estratégica porque boa parte dos canaviais locais se encontra em relevo acidentado, o que historicamente dificultou a mecanização.
Há cerca de duas décadas, predominava a avaliação de que a colheita mecanizada não seria viável na Zona da Mata pernambucana por causa das encostas. Agora, a visão está mudando. De acordo com a direção agrícola do Grupo EQM, a solução para mecanizar a colheita em áreas íngremes tende a ser uma combinação de tecnologias, e não um único modelo capaz de atender a todos os cenários.
“Não existe um equipamento para colher em todos os tipos de declive. A solução vai ser formada por um combo de equipamentos diferentes”, avalia a gestão agrícola do grupo.
Na prática, isso significa que cada usina pode adotar duas ou três estratégias de mecanização conforme o grau de inclinação e as características do talhão, incluindo máquinas compactas, ajustes de preparo de solo e adequação de acessos internos aos canaviais.
Localizada na Mata Sul de Pernambuco, com sede em Rio Formoso, a Usina Cucaú informa que 66% de suas áreas apresentam diferentes tipos de declives. O projeto piloto prevê a aquisição de duas colhedoras do modelo chinês. A primeira chegou no fim da safra, encerrada na última semana de fevereiro, e a segunda unidade está em deslocamento para a usina.
A colhedora realiza também o despontamento — etapa em que se separa a palha do restante da planta — e armazena a cana em um cesto para carregamento posterior. A expectativa da empresa é obter desempenho superior na próxima safra, após uma fase de melhorias programadas para o período de entressafra.
A equipe de motomecanização do Grupo EQM aponta mudanças para otimizar o desempenho em campo, especialmente em áreas inclinadas. Entre os ajustes mencionados estão melhorias no sistema de desponte, aperfeiçoamento do motor responsável pelo corte de base e a adoção de um sensor para garantir maior precisão do corte rente ao solo.
Sistema de desponte: ajustes para melhorar a separação da palha.
Corte de base: melhorias no motor para elevar a produtividade do corte.
Sensor de flutuação: aumento da precisão para cortar mais rente ao solo.
Segundo a gestão, sensores desse tipo ajudam as máquinas a acompanhar melhor a variação do terreno, contribuindo para uma operação mais uniforme mesmo em áreas de relevo irregular.
Apesar do potencial da colhedora, a usina reforça que a mecanização em declives exige uma série de condições para funcionar com segurança e eficiência. Entre elas estão o preparo adequado do solo, a organização das entradas e saídas dos canaviais e o nivelamento de áreas onde for tecnicamente indicado. Além disso, a performance tende a ser melhor quando a variedade de cana apresenta porte mais ereto.
Em outras palavras, a máquina é parte da solução, mas não resolve sozinha as limitações do terreno. O planejamento agrícola e a adequação da infraestrutura interna do canavial são determinantes para reduzir perdas e melhorar o rendimento operacional.
Atualmente, as unidades do Grupo EQM utilizam uma frota com diferentes modelos. Um dos destaques é a colhedora compacta CASE A4010, apta a operar com segurança em áreas com declividade de até 15°. O grupo também utiliza o modelo CASE A4000. A chegada da colhedora chinesa amplia o leque de alternativas para áreas mais íngremes, onde a mecanização costuma ser mais complexa.
Equipamento/Modelo Foco operacional Condição destacada 4GD1 (FM World Agriculture) Colheita mecanizada em áreas de declive Operação estimada em 20° a 25° CASE A4010 Colheita compacta em áreas inclinadas Operação estimada até 15° CASE A4000 Operação em canaviais com diferentes condições Uso complementar na frota
O Grupo EQM relata que desenvolve alternativas ao corte manual da cana há quase 20 anos. No início, a estratégia incluiu soluções internas e a criação de implementos fabricados na própria usina. Um dos marcos do processo foi a máquina Atrevida, projetada em 2009 e fabricada em 2010, apontada como iniciativa pioneira para elevar a eficiência em áreas de difícil mecanização.
Hoje, o grupo informa possuir 40 colhedoras de cana-de-açúcar, com oito unidades tecnicamente aptas a operar em terrenos com maior inclinação, ampliando a capacidade operacional em áreas de relevo mais acidentado.
Com 135 anos de história, a Usina Cucaú emprega cerca de cinco mil trabalhadores durante a safra e aproximadamente dois mil e duzentos na entressafra. Em uma moagem, a unidade processa, em média, um milhão e quatrocentas mil toneladas de cana-de-açúcar, sendo parte de produção própria e o restante adquirido de fornecedores. A área de atuação da empresa abrange sete municípios da região.
Além da Cucaú, o Grupo EQM também mantém outras unidades no Nordeste, reforçando sua presença regional no setor sucroenergético.
Em resumo: o teste com a colhedora chinesa marca uma nova etapa na tentativa de mecanizar a colheita em encostas da Zona da Mata. A aposta está na combinação entre máquinas mais compactas, ajustes técnicos e planejamento agrícola para superar limitações do relevo e tornar a operação mais eficiente e segura.
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Resumo: A Abramilho acompanha com apreensão a guerra entre EUA, Israel e Irã, destacando o Irã como principal parceiro comercial do Brasil nas exportações de milho. Entre 2020 e 2025, o Irã absorveu 9,08 milhões de toneladas de milho brasileiro, cerca de 20% das exportações brasileiras no último ano, com aproximadamente 80% do milho importado pelo Irã vindo do Brasil. O Irã também exporta ureia (184,7 mil toneladas no último ano), mas suas vendas diretas ao Brasil são limitadas por sanções; em 2025 o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões em produtos iranianos. Há suspeitas de Triangulação de Carga para driblar restrições. No Brasil, a demanda interna supera a produção neste período, com a primeira safra em torno de 26 milhões de toneladas e o consumo no primeiro semestre chegando a cerca de 50 milhões de toneladas, com as exportações de milho previstas para se intensificarem a partir da segunda colheita. A entidade alerta que a escalada do conflito pode influenciar o cenário futuro, mas, enquanto não houver ataques que comprometam portos por razões humanitárias, o abastecimento interno de milho não deverá ser prejudicado.

Resumo: O fechamento do Estreito de Ormuz pode impactar o agronegócio de Minas Gerais ao elevar o custo do petróleo, combustíveis e fretes, pressionando a logística e o custo de produção. A crise tende a valorizar o dólar, o que, por um lado, pode favorecer exportações para o mercado árabe, mas, por outro, encarece fertilizantes, defensivos e máquinas importadas. O setor de fertilizantes, dependente de insumos importados, fica particularmente vulnerável à volatilidade de preços. A Faemg/Senar recomenda reforçar a gestão de risco, planejar compras de insumos com antecedência, usar instrumentos de proteção de preços e manter o fluxo de caixa sob controle, além de cobrar ações diplomáticas para reduzir impactos. Apesar dos riscos, há potencial de maior receita em reais com as exportações, desde que custos permaneçam sob controle.

Sumário: O PIB do setor agropecuário brasileiro cresceu 29,1% desde 2020, com 2025 registrando alta de 11,7% impulsionada por safras recordes na agricultura e pela recuperação da pecuária. Em 2024/25 houve safra de soja de 166 milhões de toneladas e milho de 142 milhões em 2025; para 2026, a projeção aponta queda do milho para 134 milhões e do arroz para 11,5 milhões (-2,2%), comrecados esperados para algodão, trigo e sorgo, enquanto a soja pode alcançar recorde de 173 milhões. A laranja atingiu 15,7 milhões de toneladas (+28,4%), o arroz 12,7 milhões (+19,4%) e o algodão 9,9 milhões (+11,4%). A cana-de-açúcar permanece estável. A produção de carne totalizou 33 milhões de toneladas em 2025, com a bovina dominando as exportações mundiais; no entanto, 2026 tende a trazer maior volatilidade e possível redução de oferta, influenciada pela demanda chinesa e por riscos geopolíticos, como a guerra no Irã. Café (+6%), cacau e batata também devem sustentar o PIB do setor.

Resumo: A agricultura regenerativa pode transformar uma propriedade de emissora de carbono para capturadora, armazenando carbono no solo na forma de matéria orgânica, com o solo como o segundo maior reservatório do planeta. O modelo aumenta biodiversidade, recupera ecossistemas e reduz custos a médio e longo prazo ao diminuir a dependência de insumos. Além disso, favorece a vida microbiana do solo e polinizadores, com sistemas integrados como ILPF e o uso de bioinsumos contribuindo para reduzir emissões de óxido nitroso e metano. Economicamente, pode gerar até US$ 1,4 trilhão em oportunidades e criar 62 milhões de empregos no mundo; no Brasil, tende a alinhar conservação ambiental e competitividade, ampliando acesso a mercados e financiamento verde por meio de rastreabilidade. A estabilidade de custos vem da menor dependência de insumos importados e do maior uso de processos biológicos. Embora associada à orgânica, a regenerativa foca em resultados ecológicos (sequestro de carbono, biodiversidade, melhoria do solo) em vez de proibições de insumos. Em transições, podem ocorrer insumos sintéticos pontuais, desde que avaliados por indicadores ambientais. Para iniciar, é essencial um diagnóstico detalhado do solo, identificação de problemas e medidas como bioinsumos, diversificação de culturas, rotação de plantios e plantio direto, com apoio de extensão rural e troca entre produtores já atuantes.

Resumo: A indústria brasileira de máquinas e equipamentos desacelerou em janeiro, com a receita líquida de vendas caindo 17% ante janeiro de 2025, para R$ 17,28 bilhões. No mercado interno, a receita recuou 19% (R$ 12,8 bilhões) e o consumo aparente caiu 21,5% (R$ 26,5 bilhões). As exportações chegaram a US$ 838,2 milhões, alta de 3,1% YoY, mas queda de 41,4% em relação a dezembro. As importações somaram US$ 2,48 bilhões, -10,3% YoY. O nível de utilização da capacidade instalada ficou em 78,6% (alta de 0,6 ponto percentual MoM e 4% frente a janeiro de 2025). O backlog de pedidos ficou em 9 semanas. A Abimaq projeta crescimento de 3,5% na produção e aproximadamente 4% na receita líquida do setor neste ano, sustentados principalmente pelo mercado doméstico, com expansão da demanda próxima de 5,6%, impulsionada por projetos de infraestrutura e investimentos continuados em atividades extrativistas. Em máquinas agrícolas, as vendas devem cair cerca de 5% em 2026; em janeiro, a receita com venda de máquinas e implementos caiu 15,6% YoY, para R$ 3,6 bilhões.