
Colheita mecanizada de cana-de-açúcar em declives: Usina Cucaú testa a colhedora chinesa 4GD1 na Zona da Mata de Pernambuco
A Usina Cucaú, localizada na Mata Sul de Pernambuco, iniciou em fevereiro testes de colheita mecanizada com a colhedora chinesa 4GD1 (FM World Agriculture). O equipamento pode operar em declives de 20° a 25° (aprox. 36% a 46%), muito acima das 11% de inclinação desejadas pelas colhedoras convencionais, o que pode ampliar a mecanização na Zona da Mata. O diretor Agrícola do Grupo EQM, Heleno Barros, afirma que não existe solução única e que cada usina deverá combinar diferentes equipamentos, além de preparar o solo, entradas/saídas de canaviais e nivelamento. O projeto piloto prevê duas máquinas; a primeira chegou ao fim da safra anterior e a segunda está a caminho. A máquina também realiza despontamento e acondicionamento da cana, com ajustes previstos para a próxima safra, como melhorias no desponte, no motor de corte e em sensores de flutuação. Atualmente, o Grupo EQM utiliza a CASE A4010 (até 15°) e a CASE A4000, e desenvolveu soluções próprias como a máquina Atrevida (2009–2010). O grupo possui 40 colhedoras, sendo 8 aptas a operar em terrenos mais inclinados. A Usina Cucaú tem 135 anos, emprega cerca de 5 mil na safra e 2,2 mil na entressafra, processando em média 1,4 milhão de toneladas de cana por moagem (815 mil toneladas próprias). Além da Cucaú, o EQM opera as usinas Utinga Leão (Rio Largo, AL) e Estivas (Arês, RN), abrangendo sete municípios.
Usina Cucaú testa colhedora chinesa para mecanizar a colheita de cana em áreas íngremes na Zona da Mata
A Usina Cucaú iniciou em fevereiro uma etapa de testes com uma colhedora chinesa voltada à colheita mecanizada de cana-de-açúcar em terrenos de forte declive, cenário comum na Zona da Mata de Pernambuco. O objetivo é ampliar a mecanização em áreas antes consideradas inviáveis para máquinas convencionais, reduzindo a dependência do corte manual e aumentando a eficiência operacional.
O equipamento avaliado é a 4GD1, fabricada pela FM World Agriculture. Segundo a empresa, a colhedora consegue operar com segurança em áreas com declividade entre 20° e 25°, patamar significativamente superior ao de colhedoras tradicionais, que geralmente trabalham em inclinações bem menores. A experiência é estratégica porque boa parte dos canaviais locais se encontra em relevo acidentado, o que historicamente dificultou a mecanização.
Por que o teste é importante para Pernambuco
Há cerca de duas décadas, predominava a avaliação de que a colheita mecanizada não seria viável na Zona da Mata pernambucana por causa das encostas. Agora, a visão está mudando. De acordo com a direção agrícola do Grupo EQM, a solução para mecanizar a colheita em áreas íngremes tende a ser uma combinação de tecnologias, e não um único modelo capaz de atender a todos os cenários.
“Não existe um equipamento para colher em todos os tipos de declive. A solução vai ser formada por um combo de equipamentos diferentes”, avalia a gestão agrícola do grupo.
Na prática, isso significa que cada usina pode adotar duas ou três estratégias de mecanização conforme o grau de inclinação e as características do talhão, incluindo máquinas compactas, ajustes de preparo de solo e adequação de acessos internos aos canaviais.
Projeto piloto: duas máquinas e ajustes durante a entressafra
Localizada na Mata Sul de Pernambuco, com sede em Rio Formoso, a Usina Cucaú informa que 66% de suas áreas apresentam diferentes tipos de declives. O projeto piloto prevê a aquisição de duas colhedoras do modelo chinês. A primeira chegou no fim da safra, encerrada na última semana de fevereiro, e a segunda unidade está em deslocamento para a usina.
A colhedora realiza também o despontamento — etapa em que se separa a palha do restante da planta — e armazena a cana em um cesto para carregamento posterior. A expectativa da empresa é obter desempenho superior na próxima safra, após uma fase de melhorias programadas para o período de entressafra.
Ajustes previstos para elevar produtividade e precisão
A equipe de motomecanização do Grupo EQM aponta mudanças para otimizar o desempenho em campo, especialmente em áreas inclinadas. Entre os ajustes mencionados estão melhorias no sistema de desponte, aperfeiçoamento do motor responsável pelo corte de base e a adoção de um sensor para garantir maior precisão do corte rente ao solo.
Sistema de desponte: ajustes para melhorar a separação da palha.
Corte de base: melhorias no motor para elevar a produtividade do corte.
Sensor de flutuação: aumento da precisão para cortar mais rente ao solo.
Segundo a gestão, sensores desse tipo ajudam as máquinas a acompanhar melhor a variação do terreno, contribuindo para uma operação mais uniforme mesmo em áreas de relevo irregular.
Preparo de solo e escolha de variedade influenciam o resultado
Apesar do potencial da colhedora, a usina reforça que a mecanização em declives exige uma série de condições para funcionar com segurança e eficiência. Entre elas estão o preparo adequado do solo, a organização das entradas e saídas dos canaviais e o nivelamento de áreas onde for tecnicamente indicado. Além disso, a performance tende a ser melhor quando a variedade de cana apresenta porte mais ereto.
Em outras palavras, a máquina é parte da solução, mas não resolve sozinha as limitações do terreno. O planejamento agrícola e a adequação da infraestrutura interna do canavial são determinantes para reduzir perdas e melhorar o rendimento operacional.
Comparativo com máquinas já usadas pelo Grupo EQM
Atualmente, as unidades do Grupo EQM utilizam uma frota com diferentes modelos. Um dos destaques é a colhedora compacta CASE A4010, apta a operar com segurança em áreas com declividade de até 15°. O grupo também utiliza o modelo CASE A4000. A chegada da colhedora chinesa amplia o leque de alternativas para áreas mais íngremes, onde a mecanização costuma ser mais complexa.
Equipamento/Modelo Foco operacional Condição destacada 4GD1 (FM World Agriculture) Colheita mecanizada em áreas de declive Operação estimada em 20° a 25° CASE A4010 Colheita compacta em áreas inclinadas Operação estimada até 15° CASE A4000 Operação em canaviais com diferentes condições Uso complementar na frota
Busca por alternativas ao corte manual já dura quase duas décadas
O Grupo EQM relata que desenvolve alternativas ao corte manual da cana há quase 20 anos. No início, a estratégia incluiu soluções internas e a criação de implementos fabricados na própria usina. Um dos marcos do processo foi a máquina Atrevida, projetada em 2009 e fabricada em 2010, apontada como iniciativa pioneira para elevar a eficiência em áreas de difícil mecanização.
Hoje, o grupo informa possuir 40 colhedoras de cana-de-açúcar, com oito unidades tecnicamente aptas a operar em terrenos com maior inclinação, ampliando a capacidade operacional em áreas de relevo mais acidentado.
Perfil da Usina Cucaú e produção
Com 135 anos de história, a Usina Cucaú emprega cerca de cinco mil trabalhadores durante a safra e aproximadamente dois mil e duzentos na entressafra. Em uma moagem, a unidade processa, em média, um milhão e quatrocentas mil toneladas de cana-de-açúcar, sendo parte de produção própria e o restante adquirido de fornecedores. A área de atuação da empresa abrange sete municípios da região.
Além da Cucaú, o Grupo EQM também mantém outras unidades no Nordeste, reforçando sua presença regional no setor sucroenergético.
Em resumo: o teste com a colhedora chinesa marca uma nova etapa na tentativa de mecanizar a colheita em encostas da Zona da Mata. A aposta está na combinação entre máquinas mais compactas, ajustes técnicos e planejamento agrícola para superar limitações do relevo e tornar a operação mais eficiente e segura.
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