
Projeção do setor aponta avanço de quase 4 bilhões de litros, com safra mais “alcooleira” e expansão do etanol de milho; entidades destacam competitividade sem subsídios.
A indústria brasileira de etanol prevê um novo recorde de produção na safra 2026/2027, impulsionada por uma maior destinação da cana-de-açúcar para o biocombustível e pela continuidade da expansão do etanol de milho. A estimativa do setor indica a entrada de quase 4 bilhões de litros adicionais no mercado em comparação com o ciclo anterior, reforçando o protagonismo do etanol na matriz de transportes do país.
A projeção foi divulgada em nota conjunta assinada por entidades representativas do segmento, incluindo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia e a União Nacional do Etanol de Milho. Segundo o documento, o aumento previsto é expressivo e se aproxima do volume total de gasolina importado pelo Brasil em 2025, o que evidencia o potencial do etanol para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e de oscilações externas.
“O setor bioenergético inicia a safra 2026/2027 com projeção de produção recorde de etanol, acrescentando quase 4 bilhões de litros ao mercado.”
O cenário desenhado para 2026/2027 ocorre em um momento em que o mercado já trabalha com a expectativa de uma safra mais “alcooleira” — termo utilizado no setor para indicar maior direcionamento da matéria-prima à produção de etanol, em vez de açúcar. A decisão de mix industrial costuma refletir fatores como demanda doméstica, preços relativos, estoques, condições climáticas e dinâmica internacional de energia e alimentos.
Além da cana-de-açúcar, a produção de etanol a partir do milho tende a manter trajetória de alta, contribuindo para a ampliação da oferta nacional. A diversificação de matérias-primas e regiões produtoras é vista por agentes do setor como um elemento que fortalece a segurança do abastecimento e reduz riscos concentrados em uma única cultura ou área geográfica.
Principais motores do crescimento projetado:
Maior destinação da cana para produção de etanol (mix mais alcooleiro);
Expansão do etanol de milho, com aumento gradual da capacidade produtiva;
Demanda por alternativas ao petróleo, em meio à volatilidade de preços internacionais;
Oferta nacional com potencial de reduzir importações de combustíveis.
Para contextualizar a dimensão do avanço previsto, dados oficiais indicam que, na safra 2025/26, o Brasil deveria produzir 36,66 bilhões de litros de etanol, conforme estimativa da Conab. A expectativa agora é que o volume de 2026/2027 supere esse patamar, refletindo o ganho de capacidade e a estratégia industrial voltada ao biocombustível.
Ainda que a projeção setorial aponte uma elevação robusta, o desempenho final da safra pode variar conforme fatores como produtividade agrícola, chuvas, disponibilidade de matéria-prima e condições de mercado. Mesmo assim, as entidades afirmam que o setor entra no próximo ciclo com perspectiva de oferta ampliada e competitiva.
Indicador Referência Produção estimada de etanol (safra 2025/26) 36,66 bilhões de litros (Conab) Projeção para 2026/27 Recorde, com acréscimo de quase 4 bilhões de litros Fatores citados pelo setor Mix mais alcooleiro e expansão do etanol de milho
A projeção recorde para o etanol surge em meio a um ambiente de volatilidade nos preços internacionais do petróleo, que frequentemente se reflete nas cotações de combustíveis e pressiona decisões de política pública. As entidades do setor bioenergético afirmam que o etanol tem capacidade de proteger o consumidor ao oferecer uma alternativa nacional e competitiva, reduzindo a exposição do mercado doméstico às oscilações externas.
No comunicado, o setor também destacou que o etanol pode cumprir esse papel sem subsídios e sem impacto sobre as contas públicas, em referência ao anúncio recente de medidas governamentais envolvendo apoio ao diesel e redução de tributos. A avaliação apresentada é a de que a estrutura do etanol no Brasil foi construída ao longo de décadas e não deve ser tratada como solução pontual, mas como parte estratégica do abastecimento energético.
“O etanol não é uma resposta de emergência, mas uma estrutura que o Brasil levou décadas para construir — e que hoje oferece ao consumidor uma alternativa real ao petróleo.”
Para especialistas e agentes do setor, a ampliação da produção pode contribuir para a estabilidade de preços em momentos de turbulência externa, sobretudo quando combinada à previsibilidade regulatória e à manutenção de políticas de estímulo a combustíveis de menor intensidade de carbono.
O avanço projetado na produção de etanol tende a repercutir em diferentes frentes. Do ponto de vista do abastecimento, mais etanol disponível no mercado interno pode fortalecer a concorrência com combustíveis fósseis e reduzir a necessidade de importações. No aspecto econômico, a elevação do volume produzido é vista como um sinal de competitividade do setor bioenergético, com efeitos sobre emprego, renda e investimentos em regiões produtoras.
Já na dimensão estratégica, o etanol é frequentemente apontado como peça relevante da transição energética no Brasil, por ser um combustível renovável e produzido em cadeia nacional. A expansão do etanol de milho, por sua vez, adiciona flexibilidade ao sistema e pode ampliar a oferta em períodos de menor disponibilidade relativa de cana.
Em destaque: a projeção de aumento de quase 4 bilhões de litros reforça o etanol como alternativa nacional ao petróleo e como instrumento de estabilidade de abastecimento em um cenário global incerto.
Com a expectativa de recorde em 2026/2027, o setor bioenergético sinaliza que pretende manter o ritmo de crescimento e consolidar o etanol como um dos principais pilares do mercado de combustíveis no país, combinando escala, capilaridade e capacidade de resposta às variações do cenário internacional.

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Resumo: A Raízen, joint venture de Cosan e Shell, negocia uma renegociação de dívida total de R$ 75,35 bilhões, com R$ 65,4 bilhões incluídos no processo de recuperação extrajudicial. Uma das propostas prevê converter 45% da dívida reestruturada em ações a R$ 0,25 por papel (valor cerca de 40% abaixo do fechamento anterior), com os 55% restantes estruturados como novas dívidas distribuídas entre Raízen Combustíveis e Raízen Energia, com maturidade entre 2032 e 2035. A reação do mercado foi negativa: as ações caíram quase 19% no dia, cotadas a R$ 0,34, após o anúncio da proposta de valorização da dívida em ações.

As fusões e aquisições nos segmentos de fertilizantes e açúcar/etanol caíram pela metade em 2025, totalizando apenas seis operações no ano, segundo levantamento exclusivo da KPMG para o Valor. Em fertilizantes, foram cinco transações em 2025, frente a nove em 2024; nas usinas de açúcar e etanol, o número caiu de três em 2024 para apenas uma em 2025. O recorte da consultoria evidencia um recuo significativo no ritmo de M&A nesses setores.