O Brasil produziu cerca de 36 bilhões de litros de etanol na safra 2025/2026, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA). Com a aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para a ampliação do volume de etanol anidro na gasolina para 32% (E32), válida a partir de 1º de agosto de 2026, a demanda por etanol deve aumentar em 1 bilhão de litros por ano. Conforme indica o Ministério de Minas e Energia, esse avanço tem o potencial de reduzir em aproximadamente 450 milhões de litros por mês a necessidade de importação de gasolina no País.
Dados da UNICA mostram ainda que, entre abril de 2025 e março de 2026, as exportações de açúcar e etanol somaram US$ 14,34 bilhões em receitas, fazendo do setor sucroenergético o quarto maior segmento exportador do agronegócio brasileiro. É nesse cenário que será realizada a 32ª edição da Fenasucro & Agrocana, de 11 a 14 de agosto, em Sertãozinho (SP).
“Esse é um setor que já entrega resultados concretos em energia, economia e descarbonização. A Fenasucro & Agrocana cria o ambiente para que essa capacidade avance por meio de novas tecnologias, parcerias e investimentos, conectando quem desenvolve soluções a quem precisa aplicá-las no campo e na indústria”, afirma Paulo Montabone, diretor da feira.
Da escala à inovação
A cadeia bioenergética reúne soluções cada vez mais diversificadas. Além do etanol e da bioeletricidade, o uso de matérias-primas agrícolas e resíduos industriais abre espaço para biogás, biometano, combustível sustentável de aviação e outros bioprodutos. Essa diversificação contribui para reduzir emissões, fortalecer a segurança energética e gerar desenvolvimento econômico em diferentes regiões do país.
Para Hugo Cagno Filho, presidente da União Nacional da Bioenergia (UDOP) e presidente de honra da Fenasucro & Agrocana em 2026, essa evolução confirma uma mudança de posição do setor. “O principal sinal é que a bioenergia deixou de ser tratada apenas como uma fonte complementar de energia e passou a ocupar uma posição estratégica nas políticas de descarbonização, de segurança energética e de desenvolvimento econômico do Brasil.”
Na avaliação de Cagno, o país reúne condições únicas para produzir energia limpa em escala, apoiado por uma agroindústria eficiente e por uma cadeia capaz de transformar matérias-primas e resíduos em diferentes soluções.

A queda de geração nas usinas tipo 3, que incluem cogeração movida a biomassa de cana-de-açúcar, é preocupante, mas não há solução à vista, segundo Alexandre Leite, sócio da área de energia do Dias Carneiro Advogados. Para a cogeração, não há previsão de reembolso pela energia não vendida, apenas para as renováveis; segundo Leite, a solução exigiria mudanças legislativas. As distribuidoras afirmam que apenas seguem ordens do ONS, enquanto a Abradee diz que os prejuízos causados pela interrupção decorrentes dessas determinações não caracterizam falta de prestação do serviço. O texto evidencia um impasse regulatório entre o marco regulatório, as decisões operatorias e as expectativas do setor elétrico.

Em 10 de junho, durante a Semana do Meio Ambiente, o governo de São Paulo anunciou a construção da primeira usina brasileira de captura e armazenamento de carbono gerado pela produção de etanol de cana-de-açúcar. A iniciativa, orçada em cerca de R$ 30 milhões, envolve a FAPESP, a USP (Poli), a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Semil), a Petrobras e o escritório Rolim Goulart Cardoso Advogados, e resultou na criação do Centro de Tecnologias para Captura e Armazenamento de Carbono Biogênico (CTCCSBio), um Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) sediado na Poli-USP. O CTCCSBio terá como missão...

Resumo A Raízen avançou no processo de recuperação extrajudicial (RE) ao obter adesão de 75,45% dos créditos ao seu plano, o que permite protocolar a maior RE da história do Brasil. Mesmo com esse progresso, permanecem dúvidas sobre a estrutura da operação, especialmente a metodologia para a conversão de...

Resumo: A Raízen, joint venture de Cosan e Shell, negocia uma renegociação de dívida total de R$ 75,35 bilhões, com R$ 65,4 bilhões incluídos no processo de recuperação extrajudicial. Uma das propostas prevê converter 45% da dívida reestruturada em ações a R$ 0,25 por papel (valor cerca de 40% abaixo do fechamento anterior), com os 55% restantes estruturados como novas dívidas distribuídas entre Raízen Combustíveis e Raízen Energia, com maturidade entre 2032 e 2035. A reação do mercado foi negativa: as ações caíram quase 19% no dia, cotadas a R$ 0,34, após o anúncio da proposta de valorização da dívida em ações.

As fusões e aquisições nos segmentos de fertilizantes e açúcar/etanol caíram pela metade em 2025, totalizando apenas seis operações no ano, segundo levantamento exclusivo da KPMG para o Valor. Em fertilizantes, foram cinco transações em 2025, frente a nove em 2024; nas usinas de açúcar e etanol, o número caiu de três em 2024 para apenas uma em 2025. O recorte da consultoria evidencia um recuo significativo no ritmo de M&A nesses setores.