
A Adecoagro, empresa de negócios agropecuários controlada pela companhia de criptomoedas Tether, encerrou 2025 com prejuízo líquido de US$ 17,983 milhões, revertendo o lucro de US$ 202,557 milhões registrado no ano anterior. O desempenho foi pressionado por uma combinação de fatores: queda nos preços de commodities (grãos e açúcar, principalmente) e aumento do endividamento após a aquisição da Profertil, operação relevante no mercado de fertilizantes.
Além do resultado negativo, a companhia registrou piora importante no perfil financeiro. A alavancagem subiu de 1,2 vez para 4 vezes ao fim de 2025, refletindo o aumento da dívida e o recuo de margens operacionais em seus principais segmentos.
De acordo com os números divulgados pela empresa, a receita bruta teve queda de 2,1%, totalizando US$ 1,446 bilhão. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recuou 37,7%, para US$ 276,707 milhões.
Com isso, a margem Ebitda diminuiu de forma expressiva, saindo de 34,8% para 20%, sinalizando um ano de maior pressão sobre rentabilidade e custos, em um cenário de preços menos favorável para produtos agrícolas.
Indicador Resultado em 2025 Variação vs. ano anterior Resultado líquido Prejuízo de US$ 17,983 milhões Piora frente ao lucro de US$ 202,557 milhões Receita bruta US$ 1,446 bilhão -2,1% Ebitda US$ 276,707 milhões -37,7% Margem Ebitda 20% de 34,8% para 20% Alavancagem 4x de 1,2x para 4x
O negócio sucroalcooleiro — principal fonte de geração de caixa da Adecoagro, com três usinas de cana-de-açúcar no Brasil — registrou Ebitda 19,9% menor na comparação anual, totalizando US$ 291,5 milhões.
O desempenho foi influenciado por fatores operacionais e de mercado, incluindo:
redução da moagem de cana, diminuindo volume e diluição de custos;
queda nos preços do açúcar;
redução dos volumes vendidos da commodity.
Mesmo sob pressão, a companhia afirmou manter um dos menores custos operacionais do setor, em 12,8 centavos de dólar por libra-peso. Ainda assim, a menor moagem reduziu a capacidade de diluir custos fixos, o que tende a afetar margens quando o volume processado cai.
O segmento agrícola também apresentou deterioração relevante: o Ebitda caiu 82,7%, para US$ 17,8 milhões. A empresa atribuiu o resultado à combinação de preços mais baixos e aumento de custos em dólar, em um contexto de volatilidade de mercado e pressão sobre insumos.
Na prática, isso significa que a operação agrícola sofreu tanto com o lado da receita (preços) quanto com o lado do custo (insumos e despesas denominadas em dólar), comprimindo significativamente a geração de caixa do segmento.
A Adecoagro passou a atuar diretamente no setor de fertilizantes em dezembro, quando concluiu a aquisição da Profertil, antes controlada por Nutrien e pela argentina YPF. A consolidação dos resultados ocorreu a partir de 18 de dezembro, com contribuição de Ebitda de US$ 6,1 milhões no período.
A operação, no entanto, trouxe peso para o caixa e para o endividamento. A empresa informou que já desembolsou US$ 676 milhões na compra e que ainda restam cerca de US$ 400 milhões a serem pagos no primeiro semestre.
O impacto também apareceu no volume de investimentos: o capex (investimentos) avançou 242,1%, para US$ 938,038 milhões. No mesmo período, a dívida líquida aumentou 114,5%, chegando a US$ 1,120 bilhão.
Destaque: a compra da Profertil impulsionou investimentos e elevou a dívida, ao mesmo tempo em que a queda das commodities reduziu a geração de caixa, pressionando a alavancagem para 4 vezes.
Para 2026, a Adecoagro afirmou que pretende reduzir o índice de alavancagem por meio da melhora do resultado operacional nos segmentos agrícola e de fertilizantes. Entre as medidas já tomadas, a companhia destacou a decisão de não renovar contratos de arrendamento de áreas que não atendiam seus parâmetros, levando a uma redução de 22% na área de plantio.
Além disso, a empresa indicou que aumentou a aposta em arroz especiais, buscando capturar melhores preços e margens em nichos com maior valor agregado.
No negócio de fertilizantes, a Adecoagro projeta benefícios com a alta dos preços da ureia associada à guerra no Oriente Médio, enquanto mantém custo fixo de gás natural. Esse cenário pode favorecer a rentabilidade do segmento, caso o diferencial entre preços de venda e custos se mantenha.
Para o negócio sucroalcooleiro, a empresa espera aumento da moagem em patamar de “dois dígitos baixos”. Também informou que 49% da produção de açúcar está fixada a um valor médio de 15,7 centavos de dólar por libra-peso, estratégia que tende a reduzir a exposição a oscilações de mercado para parte relevante do volume.

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Resumo: A Raízen, joint venture de Cosan e Shell, negocia uma renegociação de dívida total de R$ 75,35 bilhões, com R$ 65,4 bilhões incluídos no processo de recuperação extrajudicial. Uma das propostas prevê converter 45% da dívida reestruturada em ações a R$ 0,25 por papel (valor cerca de 40% abaixo do fechamento anterior), com os 55% restantes estruturados como novas dívidas distribuídas entre Raízen Combustíveis e Raízen Energia, com maturidade entre 2032 e 2035. A reação do mercado foi negativa: as ações caíram quase 19% no dia, cotadas a R$ 0,34, após o anúncio da proposta de valorização da dívida em ações.

As fusões e aquisições nos segmentos de fertilizantes e açúcar/etanol caíram pela metade em 2025, totalizando apenas seis operações no ano, segundo levantamento exclusivo da KPMG para o Valor. Em fertilizantes, foram cinco transações em 2025, frente a nove em 2024; nas usinas de açúcar e etanol, o número caiu de três em 2024 para apenas uma em 2025. O recorte da consultoria evidencia um recuo significativo no ritmo de M&A nesses setores.