
Produção de fosfatados ganha peso no debate sobre a dependência brasileira de fertilizantes
Cerca de 85% dos fertilizantes usados no Brasil são importados. Em 2023, a relação produção/consumo de fósforo chegou a 44%, a melhor entre os macronutrientes NPK, e estudos projetam recuo da dependência externa até o fim da década com projetos minerais em Minas Gerais.
O Brasil segue fortemente dependente de fertilizantes trazidos do exterior. Aproximadamente 85% dos insumos utilizados no país são importados, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Anda.
Em 2023, a relação importação/consumo do complexo NPK como um todo ultrapassou 90%, de acordo com a FAO. No mesmo ano, o fósforo apresentou o melhor desempenho entre os macronutrientes: a relação produção/consumo atingiu 44%. A produção nacional de fósforo (P) superou 2,3 milhões de toneladas naquele período.
Origem das compras e corredores portuários
Em 2025, o Oriente Médio respondeu por 16% dos fertilizantes nitrogenados importados pelo Brasil. Também em 2025, a soma dos desembarques de fertilizantes nos corredores de Santos, Paranaguá e Arco Norte alcançou o recorde histórico de 45,5 milhões de toneladas.
Cerca de 47% do volume importado de fertilizantes entra pelas regiões Sul e Sudeste.
Movimento de 2026: menos importação e recuo da produção intermediária
Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil importou 22,4 milhões de toneladas de adubos e fertilizantes, volume 7,5% menor que no mesmo intervalo de 2025. No mesmo recorte, a produção nacional de fertilizantes intermediários recuou cerca de 16%.
Em agosto de 2026, a Conaportos e o Ministério de Portos e Aeroportos publicaram a Resolução nº 3, recomendando prioridade no desembarque de cargas de fertilizantes minerais nos portos públicos brasileiros por seis meses. A recomendação tem como objetivos reduzir filas de navios em área de fundeio, cortar custos de armazenagem e dar mais previsibilidade de entrega ao produtor para a safra 2026/27.
Também em agosto de 2026, o Congresso Nacional concluiu a votação do programa Profert, que prevê até R$ 10 bilhões em subsídios ao longo de cinco anos, via créditos fiscais, para impulsionar a construção e a modernização de fábricas de fertilizantes. O projeto ainda depende de sanção presidencial.
Projeção para o fim da década
Estudos apresentados ao Congresso Nacional projetam que a dependência externa do Brasil no complexo de fertilizantes pode recuar de cerca de 72% para 34% até o fim da década, com o avanço de projetos minerais prioritários em Patrocínio, Tapira e Araxá, em Minas Gerais, conforme o cronograma da política industrial do setor.
Sérgio Ailton Saurin, CEO da Massari Fértil e Morro Verde, afirmou que reduzir a vulnerabilidade externa não significa deixar de importar, mas ampliar a participação da produção nacional e criar mais alternativas para o produtor.




