
Área de atuação da cooperativa cafeeira
O coordenador do Departamento de Geoprocessamento da Cooxupé, Guilherme Vinicius Teixeira, apresentou uma análise das condições climáticas ao longo do ciclo produtivo e seus reflexos sobre a safra 2026/2027, na área de atuação da cooperativa. Segundo ele, o atraso no desenvolvimento vegetativo, iniciado em 2024, reduziu o potencial produtivo das lavouras e afastou a expectativa de uma supersafra. "A safra é considerada boa, com rendimentos dentro da média histórica, mas não se trata de uma supersafra, pois a capacidade produtiva foi comprometida ainda no início do ciclo", afirmou.
O especialista explicou que o desenvolvimento vegetativo foi considerado médio, com formação de 12 a 13 internódios, seguido por três floradas mais expressivas, que resultaram em uma maturação e colheita menos uniforme. Entre janeiro e março, os elevados volumes de chuva dificultaram os tratos culturais, favoreceram a incidência de pragas e doenças e atrasaram o manejo nutricional e fitossanitário. Já entre abril e julho, as condições climáticas aceleraram a maturação dos frutos em um primeiro momento e, posteriormente, atrasaram a colheita, aumentaram os desafios no pós-colheita e favoreceram a queda de folhas e frutos.
Segundo Guilherme Teixeira, as precipitações mais recentes e as amplitudes térmicas também comprometeram a sincronização das gemas, o que pode antecipar e multiplicar as floradas da próxima safra. “Embora as lavouras apresentem atualmente entre 14 e 15 internódios, esse cenário não garante uma supersafra em 2027. As áreas com carga média e baixa foram as mais afetadas pelas chuvas da fase final do ciclo e pela maior produção de etileno, exigindo acompanhamento técnico e manejo adequado para preservar o potencial produtivo das próximas safras”, considerou.
El Niño forte deve marcar o ciclo 2026/2027
O agrometeorologista e sócio-fundador da Rural Clima, Marco Antônio dos Santos, confirmou que a safra 2026/2027 será influenciada por um El Niño de forte intensidade, com potencial para figurar entre os três mais intensos registrados nos últimos 76 anos. Segundo ele, o fenômeno deverá provocar temperaturas elevadas durante o fim do inverno, a primavera de 2026 e o verão de 2027, além de períodos pontuais de estiagem. “O El Niño está confirmado e deverá ser um dos três maiores já registrados na série histórica. Teremos temperaturas muito elevadas ao longo da primavera e do verão”, relatou.
Apesar do cenário de calor acima da média, Marco Antônio destacou que as regiões Sul e Sudoeste de Minas Gerais e a Média Mogiana paulista deverão registrar chuvas relativamente regulares, favorecendo o desenvolvimento das lavouras. Já o Cerrado Mineiro deve concentrar os maiores impactos do fenômeno, com possibilidade de períodos secos durante a segunda metade da primavera (novembro/dezembro) e ao longo do verão.
O especialista ressaltou, no entanto, que um dos principais pontos de atenção será o comportamento das floradas. O inverno mais úmido e o início da primavera com maior frequência de chuvas podem favorecer a ocorrência de múltiplas floradas, aumentando o desafio para o manejo das lavouras. “A preocupação maior é com as várias floradas, que podem ocorrer em função do inverno mais úmido e do início da primavera chuvoso”, ponderou.
Mitigação dos riscos: planejamento e manejo antecipado
O professor doutor em fisiologia vegetal, José Donizeti Alves, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), destacou que, embora o El Niño previsto para o ciclo 2026/2027 represente um desafio para a cafeicultura, seus efeitos podem ser minimizados com planejamento e adoção de tecnologias adequadas. Segundo ele, o período pós-colheita é decisivo para preparar as lavouras para as próximas floradas e preservar o potencial produtivo diante de um cenário climático mais adverso. "O El Niño será forte, mas não é invencível. Hoje existem tecnologias capazes de amenizar seus efeitos. O risco maior é quando o produtor deixa de planejar e executar as práticas necessárias", analisou.
Entre as principais recomendações, Donizeti ressaltou a importância de antecipar os tratos culturais, com atenção especial ao manejo fitossanitário, à adubação e ao uso de bioestimulantes. Para ele, essas práticas fortalecem as plantas, aumentam sua capacidade de enfrentar os estresses climáticos e criam condições mais favoráveis para a emissão e o desenvolvimento das floradas. "Todo planejamento precisa começar agora, na fase pós-colheita. É nesse momento que o produtor prepara a lavoura para enfrentar os desafios do próximo ciclo", declarou.
O pesquisador também destacou o papel do sistema radicular na resiliência das lavouras. Com base em observações realizadas durante o El Niño de 2024, ele afirmou que cafeeiros com raízes profundas apresentaram maior capacidade de suportar longos períodos sem chuva, mantendo o desenvolvimento da planta mesmo em condições de sequeiro. "Uma lavoura com sistema radicular bem desenvolvido consegue acessar água e nutrientes em maiores profundidades, tornando-se mais resistente aos períodos de estiagem. Quando raízes e parte aérea se fortalecem mutuamente, a planta ganha capacidade para enfrentar os estresses climáticos e preservar seu potencial produtivo", concluiu.

A próxima safra brasileira começa sob um cenário que deve exigir dos produtores mais do que boas condições climáticas. Depois de um ciclo marcado pela recuperação da produção agrícola, o agronegócio inicia a temporada 2026/27 diante de um ambiente em que produtividade continuará sendo importante, mas eficiência passará a ser determinante para preservar a rentabilidade das propriedades.

A influência do El Niño sobre a safra 2026/27 deverá ir muito além das alterações no regime de chuvas. Em um cenário de custos elevados, margens mais apertadas e maior exposição ao risco climático, especialistas defendem que o produtor precisará adaptar sua estratégia de manejo para reduzir perdas e aumentar a capacidade de resposta das lavouras diante das adversidades
Toda vez que um fenômeno climático extremo ameaça o país, a discussão segue um roteiro conhecido. Especialistas projetam os efeitos sobre a produção agrícola, analistas revisam estimativas para a safra e produtores tentam calcular o tamanho do prejuízo. Desta vez não é diferente. A possibilidade cada vez maior de um Super El Niño já mobiliza o agronegócio e reacende preocupações sobre a temporada 2026/27.

Resumo O texto aborda o impacto de tarifas impostas pelos EUA sobre importações brasileiras, especialmente o café. Entre agosto e novembro de 2023 vigorou uma tarifa extra de 40% sobre diversos produtos do Brasil, incluindo o café, após já haver uma tarifa de 10% em abril. Em 14 de novembro de 2023, o governo americano publicou decreto isentando de tarifas uma série de mercadorias, entre elas o café, em parte para ajudar a combater a inflação. Segundo dados do Cecafé, a imposição tarifária provocou uma queda de 54,8% nas exportações de café brasileiro para os EUA no período agosto–novembro de 2023.

O setor brasileiro de café solúvel busca reverter tarifas que podem chegar a 37,5% nos EUA. A Abics prepara manifestação por escrito até 1º de julho e participa de audiência pública em 6 de julho, em Washington. A medida ocorre dentro de uma nova rodada de tarifas promovida pela administração Trump. O café solúvel é o único tipo fora da lista de isenções; cafés em grão, torrado e moído permanecem com isenção. A Abics aponta possível falha na classificação de códigos e questiona o objetivo de reindustrializar o setor americano. Em 1º de junho, foi anunciada....