
Do sul da Bahia às vitrines de 14 lojas no país, a Chocolat du Jour consolida um modelo que conecta produção agrícola, controle de qualidade e experiência do consumidor. A marca defende que o melhor cacau do mundo não precisa cruzar o Atlântico para virar chocolate fino e aposta em um argumento central: chocolate fresco, produzido em pequenos lotes e com rastreabilidade desde a fazenda, entrega sabor e textura diferentes do padrão industrial.
O projeto familiar se aproxima de quatro décadas e mira um novo ciclo de crescimento, com expansão nacional sustentada por educação do consumidor e a avaliação de uma primeira investida internacional. A empresa estuda, ainda em fase inicial, a possibilidade de abrir uma loja nos Estados Unidos, com foco em Miami, considerando a presença de uma comunidade brasileira relevante.
Para Patricia Landmann, responsável por marketing e comunicação e sucessora na operação ao lado do irmão Manoel, a estratégia passa por duas frentes: manter o produto “fresco” e formar paladar. Segundo ela, muitos consumidores ainda confundem características típicas do chocolate de menor qualidade com atributos desejáveis — como aceitar aromatizantes como “sabor natural”, interpretar cacau queimado como amargor legítimo e considerar percentuais baixos de cacau como padrão para chocolate ao leite.
Patricia avalia que a abertura do consumidor a chocolates com maior teor de cacau ocorre por dois movimentos simultâneos:
Busca por opções percebidas como mais saudáveis, com menor açúcar e benefícios do cacau amplamente documentados;
Descoberta de que chocolate amargo não precisa ter gosto de queimado, o que amplia o interesse por produtos de melhor origem e processamento.
Na visão da empresa, o sabor “queimado” é frequentemente consequência de matéria-prima inferior, que exige torra mais agressiva para mascarar defeitos, além de aromatizações para compensar o resultado. Nesse processo, o perfil aromático original do cacau tende a desaparecer.
“Ao contrário do vinho, quanto mais fresco melhor no caso do chocolate.” — Patricia Landmann
Toda a produção destinada às 14 lojas parte de uma única fábrica em São Paulo, com capacidade para processar 300 quilos de amêndoas de cacau por dia. O fluxo começa com a chegada da amêndoa seca e segue pelas etapas de torra, descascamento, moagem e refino até a transformação em chocolate.
O padrão de refino é acompanhado com precisão, medido em micras: quanto mais fina a partícula, mais suave tende a ser a sensação na boca. A marca usa esse parâmetro em degustações para demonstrar diferenças entre chocolate artesanal e industrializado. A proposta é que textura sem granulação seja um indicativo de bom refino.
Mesmo em uma categoria tradicionalmente associada a maior presença de leite e açúcar, a empresa afirma manter padrões elevados de cacau. Segundo Patricia, o chocolate ao leite da casa tem 45% de cacau, percentual superior ao que costuma ser encontrado no mercado, onde produtos com teor menor são comuns.
Apesar de reconhecer que o paladar brasileiro ainda favorece o chocolate ao leite — em contraste com países europeus, onde meio amargo e amargo são mais presentes — a marca aposta que essa distância está diminuindo. A explicação não seria uma “europeização” do gosto, mas a ampliação de oferta e o maior contato com chocolates de melhor qualidade.
O desenvolvimento de produtos na Chocolat du Jour é descrito como um processo contínuo de criação. A execução das ideias fica a cargo de Maria Lúcia Costa Carvalho, profissional com formação em Belas Artes que atua no projeto desde os primeiros anos, convidada pela fundadora Claudia Landmann. Suas inspirações, segundo o relato da empresa, frequentemente partem da vivência na fazenda de cacau.
O portfólio inclui trufas em pelo menos 12 sabores, com opções clássicas e versões com frutas brasileiras, como jabuticaba e maracujá, que ganharam espaço permanente após a expansão para cidades e pontos com demanda por sabores regionais, incluindo aeroportos.
Além das trufas, a linha reúne:
Barras bean-to-bar com teores de 45% e 70% de cacau, além de versões com nibs;
Castanhas (amêndoa, macadâmia, pistache e avelã) cobertas com chocolate;
Produtos autorais como a Choco Pop (pipoca de canjica coberta com chocolate) e o Choco Snack (feito com polvilho).
Entre os itens com melhor desempenho de vendas, a empresa aponta trufas e a Choco Pop. O modelo de produção segue a lógica de pequenos lotes, reposição conforme demanda e operação com lojas próprias, reforçando a ideia de frescor como diferencial.
As duas datas mais relevantes para vendas são Páscoa e Natal, com peso semelhante no resultado anual. Fora desses períodos, a demanda é sustentada por presentes de ocasião — como aniversários e agradecimentos — e também por consumo direto.
A marca acumula reconhecimentos em competições internacionais do setor, como o Academy of Chocolate, em Londres, e o International Chocolate Awards. Nos últimos quatro anos, segundo Patricia, o faturamento cresceu a uma média de 21% ao ano. A produção total de produto final chegou a 100 toneladas no último ano.
A expansão até aqui foi financiada com capital próprio, sem adoção de franquias. Todas as lojas são próprias, e a empresa conta com um sócio investidor que não atua na gestão diária. Embora tenha recebido abordagens de fundos de investimento, a companhia optou por não seguir esse caminho até o momento.
A empresa passou a avaliar neste ano a abertura de uma loja em Miami, com produto enviado diretamente da fábrica de São Paulo. A iniciativa ainda está em fase preliminar, descrita como intenção sem definição concreta.
Um dos pilares da narrativa da Chocolat du Jour é a defesa do cacau fino brasileiro como base para chocolate premium. A empresa busca também desfazer a associação automática entre “chocolate belga” e qualidade, argumentando que países sem produção de cacau dependem de matéria-prima importada, enquanto o Brasil é origem.
A cadeia começa em Ibirapitã (BA), município próximo a Ilhéus, onde fica a Fazenda Santa Luzia, com 160 hectares e 50% de Mata Atlântica preservada. A área produtiva soma 75 hectares em dois sistemas:
Cabruca, em que o cacau cresce em meio à mata nativa;
Cultivo sombreado com bananeiras.
A fazenda emprega 32 pessoas e produz atualmente 60 toneladas a partir de seis variedades de cacau. Desse volume, 22,5 toneladas são de cacau fino destinado exclusivamente à Chocolat du Jour. As projeções indicam crescimento para 90 toneladas em 2027 e 120 toneladas em 2028, com expectativa de que 70% seja cacau fino.
A propriedade foi adquirida em 2017 por Manoel Landmann em sociedade com o engenheiro agrícola Leonardo Sorice. Embora os negócios sejam formalmente separados, a exclusividade do fornecimento cria uma integração voltada a padronização e controle de qualidade.
O processo na fazenda envolve etapas decisivas para o perfil sensorial do chocolate:
Plantio e manejo (incluindo poda e colheita);
Quebra dos frutos e seleção;
Fermentação controlada;
Secagem em estufa, sem aceleração por calor artificial, para preservar aromas.
O que não atinge o padrão de cacau fino segue para o mercado de commodity. Já as amêndoas selecionadas são enviadas a São Paulo para as etapas industriais de transformação em chocolate.
Indicador Informação Lojas no Brasil 14 (todas próprias) Fábrica São Paulo (produção centralizada) Capacidade de processamento 300 quilos de amêndoas/dia Produção anual (produto final) 100 toneladas no último ano Fazenda Santa Luzia 160 hectares (50% preservação) Produção atual de cacau 60 toneladas (22,5 toneladas de cacau fino exclusivo) Projeções 90 toneladas em 2027; 120 toneladas em 2028 (70% fino)
Ao concentrar a produção em lotes menores, priorizar o frescor e integrar a cadeia do cacau fino na Bahia até a fabricação em São Paulo, a Chocolat du Jour fortalece sua proposta de qualidade e diferenciação. O plano de crescimento combina expansão nacional com educação do consumidor e mantém no radar a possibilidade de estrear no exterior, enquanto reforça a valorização do cacau brasileiro como origem de chocolate premium.

Sumário: O PIB do setor agropecuário brasileiro cresceu 29,1% desde 2020, com 2025 registrando alta de 11,7% impulsionada por safras recordes na agricultura e pela recuperação da pecuária. Em 2024/25 houve safra de soja de 166 milhões de toneladas e milho de 142 milhões em 2025; para 2026, a projeção aponta queda do milho para 134 milhões e do arroz para 11,5 milhões (-2,2%), comrecados esperados para algodão, trigo e sorgo, enquanto a soja pode alcançar recorde de 173 milhões. A laranja atingiu 15,7 milhões de toneladas (+28,4%), o arroz 12,7 milhões (+19,4%) e o algodão 9,9 milhões (+11,4%). A cana-de-açúcar permanece estável. A produção de carne totalizou 33 milhões de toneladas em 2025, com a bovina dominando as exportações mundiais; no entanto, 2026 tende a trazer maior volatilidade e possível redução de oferta, influenciada pela demanda chinesa e por riscos geopolíticos, como a guerra no Irã. Café (+6%), cacau e batata também devem sustentar o PIB do setor.

Resumo: A presidente do sindicato destacou o compromisso da entidade com educação, valorização do setor produtivo e fortalecimento da liderança feminina no agronegócio. No painel "De Olho no Material Escolar", Martha Santos Louzada defendeu aproximar o conteúdo escolar da realidade do campo, promovendo informação qualificada sobre o agronegócio e ampliando o diálogo entre produtores, estudantes e sociedade. Ela também coordenou a visita de estudantes à abertura da Colheita, integrada ao projeto "Vivenciando a Prática", que permite aos jovens conhecer as atividades do agronegócio e a importância da cadeia do arroz para o desenvolvimento regional. A presidente da comissão reforça que a atuação da entidade como agente de transformação social investe na formação de novas gerações e na participação feminina nos espaços de decisão do agro.

Resumo: A Bahia permanece entre os principais produtores agrícolas do Brasil, mantendo a 7ª posição na produção nacional de grãos em janeiro, conforme o LSPA do IBGE. A maior alta foi do feijão (1ª safra), com 116,9 mil toneladas produzido e alta de 35,3% frente a 2025.

Resumo: A CNA participou da reunião da Câmara Setorial de Florestas Plantadas do Mapa, discutindo a lista de espécies exóticas invasoras, reforma tributária, sustentabilidade, inovação e ambiente regulatório. A assessora de sustentabilidade, Jaíne Cubas, destacou a necessidade de atualizar a lista com critérios técnicos, evidências científicas e análises de risco proporcionais para assegurar segurança jurídica, previsibilidade e estabilidade às cadeias produtivas, especialmente as florestais. Também participaram o presidente da Comissão Nacional de Silvicultura, Antônio Ginack, e a assessora técnica Eduarda Lee. Entre os temas em pauta estavam o Painel Floresta + Sustentável, a Política Agrícola para Florestas Plantadas (PAFP), o Plano Nacional de Desenvolvimento de Florestas Plantadas (PNDF) e a Plataforma Agro Brasil + Sustentável.

Exportações de melão do Brasil em janeiro recuaram 18% versus dezembro, totalizando 32,7 mil toneladas, com receita caindo 16% para quase US$ 28 milhões (FOB).