
Expansão histórica do cacau em Sergipe: 52 produtores, 51 hectares e R$ 442 mil em vendas em 2025
Em 2025, a cultura do cacau em Sergipe registrou sua maior expansão desde 2008: o número de agricultores aumentou de 17 para 52 (crescimento de 200%), a área plantada passou de 26 para 51 hectares em oito municípios do sul e centro-sul, e a colheita de amêndoas atingiu 15,9 toneladas (vs. 9,5 em 2024), com vendas estimadas em R$ 442.390 e preço médio de R$ 415,00 por arroba de 15 kg. A produção passou a ter canal de comercialização dentro do estado após a instalação de um posto avançado de compra da Cargill Alimentos, em Arauá, que paga pelo preço de referência do dia via Pix, antes dependente de escoamento para Santo Antônio de Jesus (BA). Além das amêndoas, há venda de mel de cacau a R$ 15 o litro, com 1.000 litros vendidos em 2025. A expansão nasce da crise da laranja e ocorre em sistemas agroflorestais com banana, maracujá e mamão, garantindo renda ao produtor antes da frutificação. O suporte técnico fica por conta da Emdagro (Seagri) em parceria com Ceplac, incluindo distribuição de 10 mil mudas clonadas (CCN51, CCN10, PS1319), 6 Unidades Demonstrativas e 10 kits de irrigação. O principal obstáculo é a dependência de mudas certificadas da Bahia, com o credenciamento do primeiro viveiro no Indiaroba em andamento; a expectativa é produzir 6.000 mudas clonadas por ciclo, atendendo 35 a 40 agricultores familiares. Segundo Jean Carlos Nascimento Ferreira, a presença institucional cobre toda a cadeia, do plantio à comercialização.
Produção de cacau avança em Sergipe e fortalece renda rural com novos canais de compra e derivados
Expansão da cultura no sul e centro-sul do estado amplia oportunidades econômicas, diversifica fontes de receita e reforça a importância de assistência técnica e mudas certificadas.
A cultura do cacau em Sergipe registrou em 2025 a maior expansão desde os primeiros plantios identificados no estado, em 2008. Em dois anos, o número de agricultores envolvidos passou de 17 para 52, um crescimento de 200%, consolidando o cacau como alternativa produtiva e econômica para propriedades rurais do sul e centro-sul sergipano.
O avanço também aparece na área ocupada pela lavoura: foram de 26 para 51 hectares, distribuídos em oito municípios. A colheita de amêndoas acompanhou o ritmo, chegando a 15,9 toneladas em 2025, acima das 9,5 toneladas registradas em 2024. Com isso, a comercialização é estimada em R$ 442.390, considerando o preço médio de R$ 415,00 por arroba de 15 kg.
Destaque: além do aumento de área e produção, Sergipe começa a capturar mais valor na cadeia ao explorar derivados como o mel de cacau, abrindo uma nova frente de renda no campo.
Mudança na comercialização: compra passa a ocorrer dentro do estado
Antes da estruturação mais recente da cadeia, a produção sergipana era escoada principalmente para um município baiano, o que tornava a venda mais dependente de logística e de intermediários. Esse cenário começou a mudar com a instalação de um posto avançado de compra de uma indústria do setor, sediada no sul da Bahia, no município de Arauá.
Com o novo ponto de compra, a produção passou a contar com um canal formal de comercialização em Sergipe, com aquisição pelo preço de referência do dia e pagamento por transferência instantânea. Para produtores, a presença de um comprador no estado tende a reduzir barreiras de acesso ao mercado e a aumentar a previsibilidade no escoamento da safra.
Resumo dos principais indicadores (2024 x 2025)
Indicador 2024 2025 Produtores envolvidos 17 52 Área plantada 26 hectares 51 hectares Colheita de amêndoas 9,5 toneladas 15,9 toneladas Estimativa de vendas — R$ 442.390 Preço médio — R$ 415,00 por arroba (15 kg)
Derivados ganham espaço: mel de cacau vira renda extra
O crescimento da atividade também tem levado produtores a explorar melhor o potencial do fruto. Em Arauá, um agricultor passou a comercializar mel de cacau, produto extraído da polpa, a R$ 15 por litro. Somente em 2025, foram vendidos 1.000 litros, sinalizando que a cadeia começa a capturar receita além das amêndoas.
Na prática, a valorização de subprodutos abre caminho para diversificação de renda, reduzindo a dependência de um único item comercial e ampliando o aproveitamento do que antes não era explorado no beneficiamento. A estratégia pode ser especialmente relevante para agricultores familiares que buscam estabilidade de caixa ao longo do ano.
Produto principal: amêndoas de cacau
Renda complementar: mel de cacau (polpa)
Benefício direto: melhor aproveitamento do fruto e aumento do valor agregado
Da crise da laranja à alternativa agroflorestal
A expansão do cacau em Sergipe tem relação com mudanças no campo observadas desde o início dos anos 2000. Com a crise da citricultura e a alta de custos, agricultores do sul e centro-sul passaram a testar alternativas viáveis para manter a produtividade e a renda. Nesse contexto, o cacau ganhou força por demonstrar compatibilidade com as condições locais.
Entre os fatores citados estão a precipitação anual entre 1.200 e 1.400 mm, a presença de solos profundos e a topografia suavemente ondulada — características semelhantes às observadas no polo cacaueiro do sul da Bahia.
O cultivo é conduzido em sistemas agroflorestais, com consórcios que incluem banana, maracujá e mamão. Esse modelo ajuda a gerar receita antes da frutificação do cacaueiro, que ocorre a partir do terceiro ano após o plantio, oferecendo uma ponte financeira importante para o produtor durante a fase de implantação.
“Estamos presentes do plantio à comercialização, garantindo assistência técnica, acesso a tecnologia e mercado para o produtor.”
Jean Carlos Nascimento Ferreira, diretor de Assistência Técnica da Emdagro
Assistência técnica impulsiona o avanço, mas mudas seguem como gargalo
O crescimento da área plantada conta com suporte técnico e institucional da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), vinculada à estrutura estadual de agricultura. Desde 2012, a entidade atua na distribuição de mudas, assistência técnica e capacitação de produtores em parceria com a Ceplac, ligada ao Ministério da Agricultura.
Entre as iniciativas executadas estão a distribuição de 10 mil mudas clonadas das variedades CCN51, CCN10 e PS1319, a implantação de seis Unidades Demonstrativas e a entrega de 10 kits de irrigação. O conjunto de ações busca elevar a produtividade, reduzir riscos e orientar o manejo adequado para as condições locais.
Apesar do avanço, o principal obstáculo à expansão permanece: a dependência de mudas certificadas produzidas na Bahia, vendidas a R$ 9 por unidade. O credenciamento do primeiro viveiro certificado do estado, em Indiaroba, está em andamento e é visto como etapa estratégica para dar autonomia ao crescimento da cultura em Sergipe.
A expectativa é que o viveiro produza 6.000 mudas clonadas por ciclo, com capacidade de atender entre 35 e 40 agricultores familiares. Com oferta local de material propagativo, produtores podem ter maior acesso a mudas com qualidade e rastreabilidade, reduzindo custos e tempo de espera para implantação de novas áreas.
O que sustenta a expansão do cacau no estado
Condições ambientais favoráveis e manejo em sistemas agroflorestais
Assistência técnica e capacitação continuada para produtores
Organização da comercialização com compra formal dentro do estado
Diversificação de receitas com aproveitamento de derivados
Desafio central: ampliar o acesso a mudas certificadas produzidas localmente
Panorama: com mais produtores, maior área plantada e crescimento da colheita, a cadeia do cacau em Sergipe avança em 2025. A consolidação do mercado comprador no estado e o surgimento de produtos como o mel de cacau reforçam a tendência de diversificação. O próximo passo para sustentar o ritmo de expansão passa por ampliar a oferta de mudas certificadas e manter o suporte técnico ao longo de toda a cadeia produtiva.
Texto elaborado a partir de informações institucionais divulgadas sobre a cadeia do cacau no estado.




