
Cacau em Futuros cai para menor nível em quase 3 anos; Café e Açúcar recuam com excedente global de 2025/26 e estoques em alta
Resumo: As cotações de commodities agrícolas fecharam em queda, com o cacau caindo para próximas de três anos devido à demanda fraca e ao acúmulo de estoques. O cacau de Londres caiu 4,6% para 2.057 libras/tonelada (barra mínima de 2.046) e o de Nova York recuou 5,7% para US$ 2.888/tonelada, com perdas semanais e acumulação de quedas nas últimas três semanas. A erosão da demanda, combinada com reformulações de produtos, sustenta os estoques principalmente na Costa do Marfim e Gana. A Hedgepoint projeta excedente global de cacau de 365 mil t em 2025/26. No café, o arabica caiu 0,5% para US$ 2,8075/lb, com estoques da ICE em alta (466.055 sacas) e expectativa de safra brasileira robusta; o robusta caiu 0,4% para US$ 3.624/tonelada, atingindo mínimo de seis meses. No açúcar, o açúcar bruto caiu 0,8% para 14,30 centavos/lb, com entregas próximas; a OIC revisou para baixo o excedente global para 2025/26 em 1,22 milhão de t, enquanto o açúcar branco ficou estável em US$ 407,70/tonelada. Em síntese, o início de 2025/26 aponta para excedentes e pressão de preços, impulsionados por demanda fraca e estoques elevados.
Cacau despenca na ICE e atinge menor nível em quase três anos; café também recua com estoques em alta
Os contratos futuros de cacau negociados na bolsa ICE caíram com força e chegaram ao menor patamar em quase três anos, acumulando perdas superiores a 35% em três semanas. O movimento é atribuído, principalmente, ao enfraquecimento da demanda, que vem elevando os estoques e criando um cenário de excedente de oferta para a temporada. No mesmo ambiente, os preços do café também registraram queda, pressionados pelo aumento de estoques na ICE e pela expectativa de safra robusta no Brasil.
Queda do cacau: demanda fraca e estoques maiores
Em Londres, o cacau encerrou a sessão em queda de 99 libras (recuo de 4,6%), a 2.057 libras por tonelada, depois de tocar 2.046 libras, o menor nível em quase três anos. O mercado fechou a semana com baixa de 10% e passou a somar perdas de cerca de 37% nas últimas três semanas.
Em Nova York, o cacau caiu 5,7%, para US$ 2.888 por tonelada, após atingir US$ 2.849, o nível mais baixo desde abril de 2023. No balanço semanal, o contrato acumulou queda de 9% e, no período de três semanas, uma retração de aproximadamente 36%.
A leitura predominante entre participantes do mercado é que a demanda mais fraca favoreceu o acúmulo de estoques, especialmente em grandes produtores como Costa do Marfim e Gana, além de outros países, incluindo o Brasil.
Analistas avaliam que parte do enfraquecimento do consumo pode ter caráter mais duradouro. Um relatório da BMI aponta que a redução sustentada na demanda tende a refletir uma erosão permanente, ligada a reformulações de produtos — como a diminuição do teor de cacau e a substituição por ingredientes alternativos —, o que pode continuar limitando as perspectivas de consumo.
Projeção de excedente global na safra 2025/2026
O cenário de oferta também reforça a pressão sobre as cotações. Projeções divulgadas pela Hedgepoint Global Markets indicam que a safra 2025/2026 pode gerar um excedente global de 365.000 toneladas métricas. Para o mercado, esse volume tende a ampliar a percepção de conforto na disponibilidade de matéria-prima, principalmente se o ritmo de consumo não se recuperar.
Em resumo (cacau): a combinação de demanda mais fraca, estoques em alta e expectativa de excedente na próxima temporada tem derrubado os preços e levado os contratos aos menores níveis em anos.
Principais números do cacau (sessão e acumulados)
Contrato Fechamento Variação no dia Mínima citada Acumulado recente Cacau (Londres) 2.057 libras/tonelada -4,6% 2.046 libras (quase 3 anos) -10% na semana; -37% em 3 semanas Cacau (Nova York) US$ 2.888/tonelada -5,7% US$ 2.849 (desde abril/2023) -9% na semana; -36% em 3 semanas
Café: arábica recua com estoques maiores na ICE e expectativa de safra no Brasil
Os preços do café também perderam força. O arábica encerrou em queda de 1,55 centavo (recuo de 0,5%), a US$ 2,8075 por libra-peso. No acumulado da semana, o contrato caiu 1,7%.
Segundo corretores, um dos fatores de pressão é a alta dos estoques certificados de arábica na ICE, somada à possibilidade de uma produção abundante no Brasil neste ano — combinação que tende a reduzir o prêmio de risco no curto prazo.
Dados da bolsa indicam que os estoques de arábica na ICE estavam em 466.055 sacas em 26 de fevereiro, acima de 449.566 sacas na semana anterior.
Já o robusta recuou 0,4%, para US$ 3.624 por tonelada. O mercado chegou a tocar uma mínima de seis meses, a US$ 3.517, no início da semana. Ainda assim, o robusta fechou o período com avanço de 1% na semana.
Pontos que mais influenciaram o café
Estoques de arábica em elevação na ICE, sinalizando maior disponibilidade no curto prazo;
Expectativa de safra maior no Brasil, pressionando as cotações futuras;
Robusta com comportamento misto: queda no dia, mas ganho no acumulado semanal.
Highlight: a leitura do mercado é que a melhora do lado da oferta — com estoques e perspectiva de colheita — tem reduzido a sustentação dos preços do café, especialmente no arábica.
Açúcar: queda no bruto e revisão de expectativa de excedente global
No mercado de açúcar, o contrato de açúcar bruto fechou em queda de 0,11 centavo (recuo de 0,8%), a 14,30 centavos por libra-peso, com o vencimento do contrato de entrega mais próxima. No acumulado semanal, o mercado ficou estável.
As entregas no vencimento do contrato somaram 15.901 lotes, equivalentes a cerca de 808.000 toneladas métricas, conforme números preliminares.
A Organização Internacional do Açúcar atualizou sua projeção e passou a esperar um excedente global de 1,22 milhão de toneladas métricas na temporada 2025/26 — uma revisão moderada para baixo em relação à estimativa anterior, que apontava 1,63 milhão.
O açúcar branco terminou estável, a US$ 407,70 por tonelada.
Panorama do açúcar (indicadores citados)
Produto Fechamento Variação no dia Dado de oferta/demanda Açúcar bruto 14,30 centavos/libra-peso -0,8% Excedente global 2025/26 projetado em 1,22 milhão t Açúcar branco US$ 407,70/tonelada Estável Revisão do excedente: de 1,63 milhão t para 1,22 milhão t
Contexto do mercado: Commodities agrícolas seguem reagindo a sinais de oferta e demanda. No cacau, a combinação de consumo enfraquecido e estoques maiores trouxe uma sequência de quedas que levou os preços a mínimas de anos. No café, o avanço dos estoques certificados e a expectativa de maior produção no Brasil contribuíram para a pressão. Já no açúcar, o mercado monitora o volume de entregas e revisões de projeções de excedente global.




