
Os contratos futuros de cacau negociados na bolsa ICE caíram com força e chegaram ao menor patamar em quase três anos, acumulando perdas superiores a 35% em três semanas. O movimento é atribuído, principalmente, ao enfraquecimento da demanda, que vem elevando os estoques e criando um cenário de excedente de oferta para a temporada. No mesmo ambiente, os preços do café também registraram queda, pressionados pelo aumento de estoques na ICE e pela expectativa de safra robusta no Brasil.
Em Londres, o cacau encerrou a sessão em queda de 99 libras (recuo de 4,6%), a 2.057 libras por tonelada, depois de tocar 2.046 libras, o menor nível em quase três anos. O mercado fechou a semana com baixa de 10% e passou a somar perdas de cerca de 37% nas últimas três semanas.
Em Nova York, o cacau caiu 5,7%, para US$ 2.888 por tonelada, após atingir US$ 2.849, o nível mais baixo desde abril de 2023. No balanço semanal, o contrato acumulou queda de 9% e, no período de três semanas, uma retração de aproximadamente 36%.
A leitura predominante entre participantes do mercado é que a demanda mais fraca favoreceu o acúmulo de estoques, especialmente em grandes produtores como Costa do Marfim e Gana, além de outros países, incluindo o Brasil.
Analistas avaliam que parte do enfraquecimento do consumo pode ter caráter mais duradouro. Um relatório da BMI aponta que a redução sustentada na demanda tende a refletir uma erosão permanente, ligada a reformulações de produtos — como a diminuição do teor de cacau e a substituição por ingredientes alternativos —, o que pode continuar limitando as perspectivas de consumo.
O cenário de oferta também reforça a pressão sobre as cotações. Projeções divulgadas pela Hedgepoint Global Markets indicam que a safra 2025/2026 pode gerar um excedente global de 365.000 toneladas métricas. Para o mercado, esse volume tende a ampliar a percepção de conforto na disponibilidade de matéria-prima, principalmente se o ritmo de consumo não se recuperar.
Em resumo (cacau): a combinação de demanda mais fraca, estoques em alta e expectativa de excedente na próxima temporada tem derrubado os preços e levado os contratos aos menores níveis em anos.
Contrato Fechamento Variação no dia Mínima citada Acumulado recente Cacau (Londres) 2.057 libras/tonelada -4,6% 2.046 libras (quase 3 anos) -10% na semana; -37% em 3 semanas Cacau (Nova York) US$ 2.888/tonelada -5,7% US$ 2.849 (desde abril/2023) -9% na semana; -36% em 3 semanas
Os preços do café também perderam força. O arábica encerrou em queda de 1,55 centavo (recuo de 0,5%), a US$ 2,8075 por libra-peso. No acumulado da semana, o contrato caiu 1,7%.
Segundo corretores, um dos fatores de pressão é a alta dos estoques certificados de arábica na ICE, somada à possibilidade de uma produção abundante no Brasil neste ano — combinação que tende a reduzir o prêmio de risco no curto prazo.
Dados da bolsa indicam que os estoques de arábica na ICE estavam em 466.055 sacas em 26 de fevereiro, acima de 449.566 sacas na semana anterior.
Já o robusta recuou 0,4%, para US$ 3.624 por tonelada. O mercado chegou a tocar uma mínima de seis meses, a US$ 3.517, no início da semana. Ainda assim, o robusta fechou o período com avanço de 1% na semana.
Estoques de arábica em elevação na ICE, sinalizando maior disponibilidade no curto prazo;
Expectativa de safra maior no Brasil, pressionando as cotações futuras;
Robusta com comportamento misto: queda no dia, mas ganho no acumulado semanal.
Highlight: a leitura do mercado é que a melhora do lado da oferta — com estoques e perspectiva de colheita — tem reduzido a sustentação dos preços do café, especialmente no arábica.
No mercado de açúcar, o contrato de açúcar bruto fechou em queda de 0,11 centavo (recuo de 0,8%), a 14,30 centavos por libra-peso, com o vencimento do contrato de entrega mais próxima. No acumulado semanal, o mercado ficou estável.
As entregas no vencimento do contrato somaram 15.901 lotes, equivalentes a cerca de 808.000 toneladas métricas, conforme números preliminares.
A Organização Internacional do Açúcar atualizou sua projeção e passou a esperar um excedente global de 1,22 milhão de toneladas métricas na temporada 2025/26 — uma revisão moderada para baixo em relação à estimativa anterior, que apontava 1,63 milhão.
O açúcar branco terminou estável, a US$ 407,70 por tonelada.
Produto Fechamento Variação no dia Dado de oferta/demanda Açúcar bruto 14,30 centavos/libra-peso -0,8% Excedente global 2025/26 projetado em 1,22 milhão t Açúcar branco US$ 407,70/tonelada Estável Revisão do excedente: de 1,63 milhão t para 1,22 milhão t
Contexto do mercado: Commodities agrícolas seguem reagindo a sinais de oferta e demanda. No cacau, a combinação de consumo enfraquecido e estoques maiores trouxe uma sequência de quedas que levou os preços a mínimas de anos. No café, o avanço dos estoques certificados e a expectativa de maior produção no Brasil contribuíram para a pressão. Já no açúcar, o mercado monitora o volume de entregas e revisões de projeções de excedente global.

Em 2025, a cultura do cacau em Sergipe registrou sua maior expansão desde 2008: o número de agricultores aumentou de 17 para 52 (crescimento de 200%), a área plantada passou de 26 para 51 hectares em oito municípios do sul e centro-sul, e a colheita de amêndoas atingiu 15,9 toneladas (vs. 9,5 em 2024), com vendas estimadas em R$ 442.390 e preço médio de R$ 415,00 por arroba de 15 kg. A produção passou a ter canal de comercialização dentro do estado após a instalação de um posto avançado de compra da Cargill Alimentos, em Arauá, que paga pelo preço de referência do dia via Pix, antes dependente de escoamento para Santo Antônio de Jesus (BA). Além das amêndoas, há venda de mel de cacau a R$ 15 o litro, com 1.000 litros vendidos em 2025. A expansão nasce da crise da laranja e ocorre em sistemas agroflorestais com banana, maracujá e mamão, garantindo renda ao produtor antes da frutificação. O suporte técnico fica por conta da Emdagro (Seagri) em parceria com Ceplac, incluindo distribuição de 10 mil mudas clonadas (CCN51, CCN10, PS1319), 6 Unidades Demonstrativas e 10 kits de irrigação. O principal obstáculo é a dependência de mudas certificadas da Bahia, com o credenciamento do primeiro viveiro no Indiaroba em andamento; a expectativa é produzir 6.000 mudas clonadas por ciclo, atendendo 35 a 40 agricultores familiares. Segundo Jean Carlos Nascimento Ferreira, a presença institucional cobre toda a cadeia, do plantio à comercialização.

Resumo: A cachaça de alambique, patrimônio cultural mineiro desde 2007, ganha o terceiro Centro de Referência na Qualidade da Cachaça, em Salinas, com aporte de R$ 780 mil. Vinculado ao IFNMG, o centro ampliará equipamentos de análise, validará metodologias e capacitará produtores para obter o registro no MAP, reduzindo custos logísticos. A implantação está prevista para 2028, após reformas, aquisição de novos equipamentos e padronização analítica. Enquanto os laudos não começam a ser emitidos, haverá ações de comunicação institucional e parcerias para coleta de amostras. O objetivo é fortalecer a relação entre academia, pesquisa e setor produtivo, elevando a qualidade, a certificação e a atuação regional da cachaça mineira.

Resumo: A presidente do sindicato destacou o compromisso da entidade com educação, valorização do setor produtivo e fortalecimento da liderança feminina no agronegócio. No painel "De Olho no Material Escolar", Martha Santos Louzada defendeu aproximar o conteúdo escolar da realidade do campo, promovendo informação qualificada sobre o agronegócio e ampliando o diálogo entre produtores, estudantes e sociedade. Ela também coordenou a visita de estudantes à abertura da Colheita, integrada ao projeto "Vivenciando a Prática", que permite aos jovens conhecer as atividades do agronegócio e a importância da cadeia do arroz para o desenvolvimento regional. A presidente da comissão reforça que a atuação da entidade como agente de transformação social investe na formação de novas gerações e na participação feminina nos espaços de decisão do agro.

Sumário: Os contratos futuros do trigo nos EUA atingiram o maior nível em um ano, impulsionados por temores de conflito entre EUA e Irã e pela cobrança de posições vendidas. O milho subiu para sete semanas, impulsionado por compras técnicas e pelo efeito cascata do trigo. A soja atingiu 20 meses, sustentada pela demanda de biocombustíveis e pela esperança de novas compras da China, apesar de uma safra brasileira potencialmente recorde limitar os ganhos. O ambiente permanece volátil, com negociações EUA-Teerã ainda inconclusivas e o petróleo subindo cerca de 2%, influenciando os mercados. Don Roose, da U.S. Commodities, destacou cautela antes do fim de semana, com fundos em posição desfavorável. Fechamentos: trigo US$ 5,915/bushel (+US$ 0,17), milho US$ 4,485/bushel (+US$ 0,05) e soja US$ 11,7075/bushel (+US$ 0,0725). Semanal: trigo +1,9%, milho +2%, soja +1,5%.

Resumo executivo: O Banco do Brasil (BBAS3) encara 2026 sob pressão, com inadimplência acima de 90 dias em 5,17% e o agronegócio em 6,09%. O 1T26 deve confirmar se a recuperação de margens ganha consistência ou se o desconto frente aos bancos privados permanece.