
Os contratos futuros de trigo, milho e soja negociados nos Estados Unidos fecharam em alta nesta sexta-feira (27), em um movimento impulsionado pela combinação de tensão geopolítica, compras técnicas e reposicionamento de fundos. O destaque ficou com o trigo, que atingiu o maior nível em um ano, enquanto milho e soja também avançaram para máximas recentes.
O mercado reagiu principalmente às preocupações com um possível conflito militar entre EUA e Irã, o que elevou a aversão ao risco e estimulou a cobertura de posições vendidas por parte de fundos que mantinham apostas relevantes na queda do trigo.
As commodities agrícolas vêm atravessando um período de volatilidade, em meio à incerteza sobre as negociações entre Washington e Teerã. Na quinta-feira (26), as conversas foram consideradas inconclusivas, embora o mediador Omã tenha sinalizado progresso. Ainda assim, a falta de definição aumentou a cautela dos investidores, especialmente antes do fim de semana.
Outros mercados também seguiram o movimento do petróleo bruto, que subiu 2%, reforçando o clima de tensão e contribuindo para ajustes em carteiras que incluem ativos ligados a matérias-primas.
“As pessoas se lembram da invasão da Rússia à Ucrânia, quando o trigo disparou para US$ 10. Os fundos estão em desvantagem e acho que esta é uma daquelas situações de ‘cuidado, vendedores’ antes de um fim de semana em que tudo pode acontecer”, afirmou Don Roose, presidente da U.S. Commodities.
O comentário reforça o entendimento de parte do mercado de que, em períodos de risco geopolítico elevado, posições vendidas podem se tornar vulneráveis, acelerando movimentos de alta quando há necessidade de recomposição.
Os futuros do trigo subiram US$ 0,17, para US$ 5,915 por bushel, depois de atingir o ponto mais alto para o contrato mais ativo desde fevereiro de 2025. As compras ganharam força quando o contrato superou a máxima registrada na segunda-feira, encerrando a semana com alta de 1,9%.
O avanço do trigo foi sustentado por dois vetores principais:
Cobertura de vendidos por fundos diante do aumento do risco geopolítico;
Compras técnicas, com rompimento de referências recentes de preço que atuavam como resistência.
Além de influenciar diretamente o segmento de grãos, o trigo também exerceu pressão altista sobre outros contratos, contribuindo para um efeito de contágio no milho.
O milho atingiu o maior nível em sete semanas, impulsionado tanto por compras técnicas quanto pelo “efeito cascata” do trigo. O contrato subiu US$ 0,05, para US$ 4,485 por bushel, após romper resistência técnica associada às médias móveis de 100 e 200 dias.
Com isso, o milho encerrou a semana com alta de 2%, sinalizando maior apetite comprador em um ambiente no qual operadores monitoram sinais gráficos e reavaliam estratégias à medida que os preços superam patamares considerados importantes.
A soja também avançou e alcançou o maior nível em 20 meses. O contrato para maio subiu US$ 0,0725, para US$ 11,7075 por bushel, acumulando ganho de 1,5% na semana.
Segundo a dinâmica observada pelo mercado, os investidores vêm ponderando dois fatores centrais:
Expectativa de demanda firme por parte de fabricantes de biocombustíveis, apoiada por notícias recentes consideradas positivas para o setor;
Incerteza sobre as compras da China, maior importadora global, em um momento em que o fluxo de demanda pode variar conforme preços, margens e direcionamento comercial.
Apesar do viés altista, os ganhos da soja foram parcialmente limitados pela perspectiva de uma safra provavelmente recorde no Brasil, importante concorrente no fornecimento global. Ainda assim, o mercado manteve sustentação com o noticiário de biocombustíveis e com a expectativa de que a China possa ampliar a aquisição de embarques dos Estados Unidos.
Commodity Fechamento (US$ / bushel) Variação no dia Variação na semana Referência de máxima Trigo 5,915 + 0,17 + 1,9% Maior em 1 ano Milho 4,485 + 0,05 + 2% Maior em 7 semanas Soja (maio) 11,7075 + 0,0725 + 1,5% Maior em 20 meses
Com o cenário geopolítico no radar e os preços em patamares elevados, operadores acompanham a evolução das tratativas entre EUA e Irã e seus possíveis reflexos sobre a energia e o apetite por risco. No campo agrícola, o foco permanece em sinais de demanda, no comportamento de fundos e em fatores que influenciam a formação de preços, como movimentos técnicos e expectativas sobre oferta global, incluindo a produção brasileira.
Para trigo, milho e soja, o mercado segue atento ao equilíbrio entre fundamentos e a dinâmica financeira, em um ambiente em que notícias externas podem acelerar oscilações e redefinir estratégias de curto prazo.
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Resumo: A Abramilho acompanha com apreensão a guerra entre EUA, Israel e Irã, destacando o Irã como principal parceiro comercial do Brasil nas exportações de milho. Entre 2020 e 2025, o Irã absorveu 9,08 milhões de toneladas de milho brasileiro, cerca de 20% das exportações brasileiras no último ano, com aproximadamente 80% do milho importado pelo Irã vindo do Brasil. O Irã também exporta ureia (184,7 mil toneladas no último ano), mas suas vendas diretas ao Brasil são limitadas por sanções; em 2025 o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões em produtos iranianos. Há suspeitas de Triangulação de Carga para driblar restrições. No Brasil, a demanda interna supera a produção neste período, com a primeira safra em torno de 26 milhões de toneladas e o consumo no primeiro semestre chegando a cerca de 50 milhões de toneladas, com as exportações de milho previstas para se intensificarem a partir da segunda colheita. A entidade alerta que a escalada do conflito pode influenciar o cenário futuro, mas, enquanto não houver ataques que comprometam portos por razões humanitárias, o abastecimento interno de milho não deverá ser prejudicado.

Resumo: O fechamento do Estreito de Ormuz pode impactar o agronegócio de Minas Gerais ao elevar o custo do petróleo, combustíveis e fretes, pressionando a logística e o custo de produção. A crise tende a valorizar o dólar, o que, por um lado, pode favorecer exportações para o mercado árabe, mas, por outro, encarece fertilizantes, defensivos e máquinas importadas. O setor de fertilizantes, dependente de insumos importados, fica particularmente vulnerável à volatilidade de preços. A Faemg/Senar recomenda reforçar a gestão de risco, planejar compras de insumos com antecedência, usar instrumentos de proteção de preços e manter o fluxo de caixa sob controle, além de cobrar ações diplomáticas para reduzir impactos. Apesar dos riscos, há potencial de maior receita em reais com as exportações, desde que custos permaneçam sob controle.

Sumário: O PIB do setor agropecuário brasileiro cresceu 29,1% desde 2020, com 2025 registrando alta de 11,7% impulsionada por safras recordes na agricultura e pela recuperação da pecuária. Em 2024/25 houve safra de soja de 166 milhões de toneladas e milho de 142 milhões em 2025; para 2026, a projeção aponta queda do milho para 134 milhões e do arroz para 11,5 milhões (-2,2%), comrecados esperados para algodão, trigo e sorgo, enquanto a soja pode alcançar recorde de 173 milhões. A laranja atingiu 15,7 milhões de toneladas (+28,4%), o arroz 12,7 milhões (+19,4%) e o algodão 9,9 milhões (+11,4%). A cana-de-açúcar permanece estável. A produção de carne totalizou 33 milhões de toneladas em 2025, com a bovina dominando as exportações mundiais; no entanto, 2026 tende a trazer maior volatilidade e possível redução de oferta, influenciada pela demanda chinesa e por riscos geopolíticos, como a guerra no Irã. Café (+6%), cacau e batata também devem sustentar o PIB do setor.

Resumo: A agricultura regenerativa pode transformar uma propriedade de emissora de carbono para capturadora, armazenando carbono no solo na forma de matéria orgânica, com o solo como o segundo maior reservatório do planeta. O modelo aumenta biodiversidade, recupera ecossistemas e reduz custos a médio e longo prazo ao diminuir a dependência de insumos. Além disso, favorece a vida microbiana do solo e polinizadores, com sistemas integrados como ILPF e o uso de bioinsumos contribuindo para reduzir emissões de óxido nitroso e metano. Economicamente, pode gerar até US$ 1,4 trilhão em oportunidades e criar 62 milhões de empregos no mundo; no Brasil, tende a alinhar conservação ambiental e competitividade, ampliando acesso a mercados e financiamento verde por meio de rastreabilidade. A estabilidade de custos vem da menor dependência de insumos importados e do maior uso de processos biológicos. Embora associada à orgânica, a regenerativa foca em resultados ecológicos (sequestro de carbono, biodiversidade, melhoria do solo) em vez de proibições de insumos. Em transições, podem ocorrer insumos sintéticos pontuais, desde que avaliados por indicadores ambientais. Para iniciar, é essencial um diagnóstico detalhado do solo, identificação de problemas e medidas como bioinsumos, diversificação de culturas, rotação de plantios e plantio direto, com apoio de extensão rural e troca entre produtores já atuantes.

Resumo: A indústria brasileira de máquinas e equipamentos desacelerou em janeiro, com a receita líquida de vendas caindo 17% ante janeiro de 2025, para R$ 17,28 bilhões. No mercado interno, a receita recuou 19% (R$ 12,8 bilhões) e o consumo aparente caiu 21,5% (R$ 26,5 bilhões). As exportações chegaram a US$ 838,2 milhões, alta de 3,1% YoY, mas queda de 41,4% em relação a dezembro. As importações somaram US$ 2,48 bilhões, -10,3% YoY. O nível de utilização da capacidade instalada ficou em 78,6% (alta de 0,6 ponto percentual MoM e 4% frente a janeiro de 2025). O backlog de pedidos ficou em 9 semanas. A Abimaq projeta crescimento de 3,5% na produção e aproximadamente 4% na receita líquida do setor neste ano, sustentados principalmente pelo mercado doméstico, com expansão da demanda próxima de 5,6%, impulsionada por projetos de infraestrutura e investimentos continuados em atividades extrativistas. Em máquinas agrícolas, as vendas devem cair cerca de 5% em 2026; em janeiro, a receita com venda de máquinas e implementos caiu 15,6% YoY, para R$ 3,6 bilhões.