
Trigo atinge maior nível em 1 ano; milho em 7 semanas e soja em 20 meses com demanda de biocombustíveis e compras da China impulsionando o mercado de commodities
Sumário: Os contratos futuros do trigo nos EUA atingiram o maior nível em um ano, impulsionados por temores de conflito entre EUA e Irã e pela cobrança de posições vendidas. O milho subiu para sete semanas, impulsionado por compras técnicas e pelo efeito cascata do trigo. A soja atingiu 20 meses, sustentada pela demanda de biocombustíveis e pela esperança de novas compras da China, apesar de uma safra brasileira potencialmente recorde limitar os ganhos. O ambiente permanece volátil, com negociações EUA-Teerã ainda inconclusivas e o petróleo subindo cerca de 2%, influenciando os mercados. Don Roose, da U.S. Commodities, destacou cautela antes do fim de semana, com fundos em posição desfavorável. Fechamentos: trigo US$ 5,915/bushel (+US$ 0,17), milho US$ 4,485/bushel (+US$ 0,05) e soja US$ 11,7075/bushel (+US$ 0,0725). Semanal: trigo +1,9%, milho +2%, soja +1,5%.
Trigo, milho e soja sobem em Chicago com tensão EUA-Irã e efeito técnico nos mercados
Os contratos futuros de trigo, milho e soja negociados nos Estados Unidos fecharam em alta nesta sexta-feira (27), em um movimento impulsionado pela combinação de tensão geopolítica, compras técnicas e reposicionamento de fundos. O destaque ficou com o trigo, que atingiu o maior nível em um ano, enquanto milho e soja também avançaram para máximas recentes.
O mercado reagiu principalmente às preocupações com um possível conflito militar entre EUA e Irã, o que elevou a aversão ao risco e estimulou a cobertura de posições vendidas por parte de fundos que mantinham apostas relevantes na queda do trigo.
Instabilidade em commodities e “efeito cascata” do trigo
As commodities agrícolas vêm atravessando um período de volatilidade, em meio à incerteza sobre as negociações entre Washington e Teerã. Na quinta-feira (26), as conversas foram consideradas inconclusivas, embora o mediador Omã tenha sinalizado progresso. Ainda assim, a falta de definição aumentou a cautela dos investidores, especialmente antes do fim de semana.
Outros mercados também seguiram o movimento do petróleo bruto, que subiu 2%, reforçando o clima de tensão e contribuindo para ajustes em carteiras que incluem ativos ligados a matérias-primas.
“As pessoas se lembram da invasão da Rússia à Ucrânia, quando o trigo disparou para US$ 10. Os fundos estão em desvantagem e acho que esta é uma daquelas situações de ‘cuidado, vendedores’ antes de um fim de semana em que tudo pode acontecer”, afirmou Don Roose, presidente da U.S. Commodities.
O comentário reforça o entendimento de parte do mercado de que, em períodos de risco geopolítico elevado, posições vendidas podem se tornar vulneráveis, acelerando movimentos de alta quando há necessidade de recomposição.
Trigo: maior nível em um ano e alta semanal
Os futuros do trigo subiram US$ 0,17, para US$ 5,915 por bushel, depois de atingir o ponto mais alto para o contrato mais ativo desde fevereiro de 2025. As compras ganharam força quando o contrato superou a máxima registrada na segunda-feira, encerrando a semana com alta de 1,9%.
O avanço do trigo foi sustentado por dois vetores principais:
Cobertura de vendidos por fundos diante do aumento do risco geopolítico;
Compras técnicas, com rompimento de referências recentes de preço que atuavam como resistência.
Além de influenciar diretamente o segmento de grãos, o trigo também exerceu pressão altista sobre outros contratos, contribuindo para um efeito de contágio no milho.
Milho: máxima de sete semanas após rompimento técnico
O milho atingiu o maior nível em sete semanas, impulsionado tanto por compras técnicas quanto pelo “efeito cascata” do trigo. O contrato subiu US$ 0,05, para US$ 4,485 por bushel, após romper resistência técnica associada às médias móveis de 100 e 200 dias.
Com isso, o milho encerrou a semana com alta de 2%, sinalizando maior apetite comprador em um ambiente no qual operadores monitoram sinais gráficos e reavaliam estratégias à medida que os preços superam patamares considerados importantes.
Soja: maior nível em 20 meses com foco em biocombustíveis e China
A soja também avançou e alcançou o maior nível em 20 meses. O contrato para maio subiu US$ 0,0725, para US$ 11,7075 por bushel, acumulando ganho de 1,5% na semana.
Segundo a dinâmica observada pelo mercado, os investidores vêm ponderando dois fatores centrais:
Expectativa de demanda firme por parte de fabricantes de biocombustíveis, apoiada por notícias recentes consideradas positivas para o setor;
Incerteza sobre as compras da China, maior importadora global, em um momento em que o fluxo de demanda pode variar conforme preços, margens e direcionamento comercial.
Apesar do viés altista, os ganhos da soja foram parcialmente limitados pela perspectiva de uma safra provavelmente recorde no Brasil, importante concorrente no fornecimento global. Ainda assim, o mercado manteve sustentação com o noticiário de biocombustíveis e com a expectativa de que a China possa ampliar a aquisição de embarques dos Estados Unidos.
Resumo dos preços e desempenho semanal
Commodity Fechamento (US$ / bushel) Variação no dia Variação na semana Referência de máxima Trigo 5,915 + 0,17 + 1,9% Maior em 1 ano Milho 4,485 + 0,05 + 2% Maior em 7 semanas Soja (maio) 11,7075 + 0,0725 + 1,5% Maior em 20 meses
O que o mercado observa a partir de agora
Com o cenário geopolítico no radar e os preços em patamares elevados, operadores acompanham a evolução das tratativas entre EUA e Irã e seus possíveis reflexos sobre a energia e o apetite por risco. No campo agrícola, o foco permanece em sinais de demanda, no comportamento de fundos e em fatores que influenciam a formação de preços, como movimentos técnicos e expectativas sobre oferta global, incluindo a produção brasileira.
Para trigo, milho e soja, o mercado segue atento ao equilíbrio entre fundamentos e a dinâmica financeira, em um ambiente em que notícias externas podem acelerar oscilações e redefinir estratégias de curto prazo.
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