Campinas (SP) recebe, entre 16 e 18 de março, uma programação voltada à mecanização no campo com foco na realidade da agricultura familiar. A iniciativa, organizada pela Embrapa e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), reúne exposição de máquinas, apresentação de protótipos e plataformas, além de debates e seminários sobre inovação, crédito rural e desenvolvimento sustentável.
O evento ganha relevância em um cenário de ampliação do acesso a máquinas e equipamentos adaptados a diferentes escalas de produção e biomas. Tecnologias de pequeno porte vêm mudando a rotina produtiva em diversas regiões, ao elevar produtividade, reduzir custos operacionais e aumentar a autonomia de agricultoras e agricultores familiares.
Dados do Plano Safra da Agricultura Familiar 2025/2026 mostram um avanço importante no Programa Mais Alimentos, com crescimento na contratação de crédito para máquinas, equipamentos e implementos agrícolas em linhas do Pronaf. Nos primeiros sete meses da safra atual, o volume contratado chegou a R$ 9,2 bilhões, acompanhado por um aumento de 39% no número de operações — de 184 mil para 256 mil em relação à safra 2024/2025.
O resultado aponta para uma expansão do acesso a soluções tecnológicas mais compatíveis com as unidades produtivas familiares, incluindo equipamentos para cultivo protegido, como estufas, que tiveram crescimento expressivo nas contratações, passando de 12 mil para 32 mil operações.
Em destaque: a mecanização adaptada tende a acelerar ganhos de eficiência no campo ao combinar tecnologia apropriada, crédito e inovação aplicada às condições reais de produção.
A Feira Nacional de Máquinas e Tecnologias da Agricultura Familiar é apresentada como um espaço estratégico para debate e demonstração de soluções voltadas a diferentes perfis produtivos. A expectativa é reunir agricultores, pesquisadores, gestores públicos, movimentos sociais e empresas nacionais e internacionais do setor de máquinas e implementos.
O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, destaca que a agenda busca ampliar o acesso à tecnologia para além das grandes propriedades, tradicionalmente mais mecanizadas. Segundo ele, o objetivo é levar inovação acessível para melhorar a qualidade de vida, reduzir a penosidade do trabalho e aumentar a renda das famílias no campo.
Para a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, a mecanização adaptada integra uma estratégia de inovação inclusiva. Ela ressalta que a agricultura familiar é central para a segurança alimentar, geração de renda e sustentabilidade, e que investir em máquinas adequadas ajuda a democratizar o acesso à ciência e tecnologia, aproximando pesquisa e políticas públicas das necessidades concretas de quem produz.
Já o secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia do MDA, Vanderley Ziger, avalia que a feira fortalece a articulação entre pesquisa, indústria e políticas públicas, ampliando a capacidade produtiva. Ele também chama atenção para a inclusão de um seminário que celebra os 30 anos do Pronaf, com discussões sobre perspectivas futuras do programa.
Além da exposição de equipamentos, a programação prevê encontros estratégicos voltados a políticas públicas, desenvolvimento tecnológico e financiamento. Um dos pontos centrais é o Seminário Nacional de Máquinas e Equipamentos, dedicado a discutir avanços, desafios e perspectivas da mecanização para diferentes realidades da agricultura familiar.
Outro destaque é o seminário sobre os 30 anos do Pronaf, voltado a valorizar a trajetória do programa e debater caminhos para reforçar o papel do crédito como eixo do desenvolvimento rural.
A feira também concentra anúncios e iniciativas voltadas a acelerar a chegada de soluções tecnológicas ao campo, com foco em mecanização adequada e estímulo à inovação. Entre as principais ações previstas, estão:
Apresentação de protótipos de máquinas e equipamentos desenvolvidos com R$ 2 milhões em investimentos, a partir de parcerias com instituições de pesquisa e organizações do setor;
Lançamento da Plataforma Mecaniza, iniciativa voltada à integração de informações e ao estímulo à inovação tecnológica, articulando diferentes áreas do governo e parceiros;
Premiação do Concurso de Inventores, com investimento total de R$ 200 mil destinados à seleção de 20 protótipos apresentados por agricultores familiares, pesquisadores e micro e pequenos empresários.
Entre os equipamentos que devem estar em evidência, aparecem alternativas projetadas para a escala produtiva da agricultura familiar, como motocultivadores, microtratores e tratores de pequeno porte. A lista inclui ainda implementos com aplicações diversas no dia a dia da produção, a exemplo de:
roçadeiras
arados
debulhadores
plantadeiras
carretas agrícolas
pulverizadores
Esses equipamentos evidenciam a evolução no desenvolvimento de máquinas compatíveis com a realidade das unidades familiares, articulando políticas públicas, crédito rural, pesquisa e iniciativas do setor produtivo.
Análise: a mecanização adequada tende a funcionar como um “atalho” para ganhos de eficiência, especialmente quando combinada a assistência técnica, inovação incremental e linhas de financiamento ajustadas à capacidade de investimento das famílias.
A diretora de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa, Ana Euler, aponta que a mecanização adaptada é decisiva para aumentar produtividade, reduzir custos e gerar renda, ao transformar inovação em soluções aplicáveis no campo. Para ela, a feira cumpre papel importante por conectar políticas públicas, crédito, pesquisa e setor produtivo, criando um ambiente de articulação e entregas concretas.
Evento Feira de Máquinas da Agricultura Familiar Local Expo Dom Pedro, Campinas (SP) Data 16 a 18 de março de 2026 Horário 10h às 18h

Resumo: o decreto nº 70.410, publicado pelo Governo de São Paulo, prevê o fim de mais de 5.280 cargos ligados a institutos públicos de pesquisa nas áreas de agricultura, meio ambiente e saúde, incluindo funções de apoio à pesquisa, técnico de laboratório, engenheiro e médico veterinário. A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) afirma que a medida representa um ataque ao serviço público, destacando a extinção de cargos como Agente e Técnico de apoio agropecuário, entre outros. A área de agricultura é a mais afetada, com 2.808 vagas cortadas em institutos como IAC, IB, IEA, IP, Ital, IZ e APTA Regional. O governo estadual descreve a ação como parte da reforma administrativa São Paulo na Direção Certa, que visa tornar o Estado mais ágil e sustentável; a Secretaria de Agricultura informou que 33.477 cargos já estavam vagos e que não haverá exonerações de servidores em exercício, apenas extinções futuras conforme vacância. Também foi anunciada a reestruturação de carreiras de Pesquisadores Científicos e Especialistas Agropecuários, com perspectiva de reorganizar as carreiras de apoio ligadas à Pesquisa, Extensão Rural e Defesa Agropecuária.
Sumário: Em 2026, a safra brasileira permanece robusta, com Mato Grosso já tendo 78,34% da área de soja plantada e milho de segunda safra em 81,93%, enquanto a colheita nacional de soja opera entre os ritmos mais lentos dos últimos anos; a Conab aponta 353,4 milhões de toneladas de grãos. O cenário externo traz tarifas dos EUA (10%), volatilidade cambial e riscos geopolíticos que elevam incertezas e custos logísticos. O Brasil amplia mercados (Mercosul–UE e China) e avança na abertura de frigoríficos para exportação (42 plantas). Na ciência, GCCRC destaca portos seguros genômicos para inserção sítio-específica de transgenes em milho, prometendo maior velocidade e previsibilidade para milho tolerante à seca. No front de preços, o mercado interno da soja permanece estável, com oscilações em Chicago e revisão de safra para 178 Mt devido à estiagem no RS.

As ondas de calor no Brasil estão mais frequentes, mais longas e mais intensas — e os impactos já são mensuráveis sobre a agricultura, especialmente nas regiões que concentram grande parte da produção nacional. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que o número médio de dias com ocorrência de ondas de calor no país saltou de 7 dias (entre 1961 e 1990) para 52 dias (entre 2011 e 2020).

O bom desempenho da agropecuária foi decisivo para o resultado da economia brasileira em 2025. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta terça-feira (03), mostram que o setor avançou 11,7% no ano, tornando-se o principal motor da alta de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Resumo: O Irã é um dos principais parceiros do Brasil na agricultura, comprando milho (cerca de 9 milhões de toneladas no último ano), além de soja e açúcar, e é fornecedor relevante de ureia, fertilizante para milho. O conflito recente pode impactar esses fluxos comerciais, mas ainda é cedo para medir os reflexos, segundo Paulo Bertolini, da Abramilho. No campo logístico, há preocupações com restrições no Estreito de Ormuz, o que afeta o transporte internacional; o Oriente Médio foi destino de cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango em 2024 (1,579 milhão de toneladas), com parte destinada aos Emirados Árabes e à Arábia Saudita. O aumento do petróleo pode elevar custos de produção (diesel) e influenciar o câmbio indireto para commodities, conforme Carlos Cogo, ressaltando que os impactos dependem da duração e intensidade do conflito. No Rio Grande do Sul, o setor acompanha os desdobramentos com cautela, sem atrasos confirmados até o momento. (Com informações do Correio do Povo.)