
Um decreto publicado pelo Governo de São Paulo na última sexta-feira, 27, prevê a extinção de mais de 5.280 cargos ligados a institutos públicos de pesquisa nas áreas de agricultura, meio ambiente e saúde. A medida, formalizada pelo decreto nº 70.410, gerou reação de entidades representativas de pesquisadores, que apontam risco para a estrutura de suporte à produção científica e para atividades essenciais de conservação e experimentação.
A informação foi divulgada pela Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), que classificou a iniciativa como um movimento que enfraquece o serviço público e compromete a base operacional que sustenta o funcionamento de laboratórios, equipamentos e áreas técnicas vinculadas à pesquisa.
Segundo a APqC, os cargos extintos abrangem carreiras consideradas estratégicas para o dia a dia dos institutos, especialmente as funções de apoio à pesquisa. A associação ressalta que essas atividades são responsáveis por manter a infraestrutura que permite a continuidade de experimentos, a preservação de coleções biológicas, a operação de laboratórios e a manutenção de áreas de conservação.
“É um duro golpe na estrutura de produção científica e de conservação no Estado de São Paulo”, afirmou a presidente da APqC, Helena Dutra Lutgens, em nota.
De acordo com o comunicado, o decreto extingue cargos como:
Agente e Técnico de apoio agropecuário
Agente, Técnico e Assistente de apoio à pesquisa científica e tecnológica
Técnico de laboratório
Engenheiro
Médico veterinário
Para a entidade, a redução dessas funções afeta diretamente a capacidade operacional dos institutos e pode gerar impacto em cadeias de trabalho que envolvem desde pesquisa aplicada até ações voltadas à vigilância, conservação e inovação em áreas estratégicas do estado.
Entre os setores citados, a agricultura seria o mais prejudicado, com a extinção de 2.808 cargos vinculados a instituições públicas de referência em ciência e tecnologia. Essas vagas estão relacionadas a diferentes institutos e estruturas estaduais que atuam em pesquisa agropecuária, desenvolvimento tecnológico e suporte ao agronegócio paulista.
As funções atingidas, segundo a APqC, estão ligadas a órgãos como:
Instituto Agronômico de Campinas (IAC)
Instituto Biológico (IB)
Instituto de Economia Agrícola (IEA)
Instituto de Pesca (IP)
Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital)
Instituto de Zootecnia (IZ)
Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA Regional)
Na avaliação de pesquisadores, a retirada de cargos de suporte tende a pressionar equipes técnicas já reduzidas e pode comprometer rotinas essenciais, como operação de equipamentos, manutenção de instalações e execução de atividades de campo, incluindo áreas experimentais e unidades de conservação ligadas a projetos científicos.
Em posicionamento oficial, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) informou que a decisão integra uma reforma administrativa chamada São Paulo na Direção Certa. Segundo a pasta, o objetivo é tornar a administração estadual mais ágil, eficiente e sustentável no longo prazo, por meio de reestruturações em secretarias e autarquias.
A secretaria também destacou que a extinção de cargos ocorrerá em etapas. De acordo com a nota, 33.477 cargos já estavam vagos, e os demais, ocupados atualmente, serão extintos somente quando ficarem vagos no futuro.
O governo afirma que não haverá desligamentos nem prejuízo aos servidores que estão em exercício. Ainda conforme o posicionamento, os profissionais permanecem amparados pelos princípios constitucionais relacionados à estabilidade e à segurança jurídica.
Sobre as mudanças específicas na área da agricultura, a SAA informou que promoveu a reestruturação das carreiras de Pesquisadores Científicos e de Especialistas Agropecuários, com a justificativa de fortalecer frentes estratégicas como pesquisa, extensão rural e defesa agropecuária.
Segundo a secretaria, essas ações estão vinculadas a estruturas como:
Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA)
Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI)
Defesa Agropecuária
Além disso, a pasta informou que está em desenvolvimento uma proposta para reestruturar e modernizar as carreiras de apoio vinculadas à Pesquisa, à Extensão Rural e à Defesa Agropecuária. Para pesquisadores, o ponto central do debate é como assegurar que a readequação administrativa não resulte em perda de capacidade operacional em laboratórios, campos experimentais e unidades técnicas que sustentam projetos e serviços públicos.
O principal ponto de tensão entre as partes está no papel das carreiras de apoio. Para a APqC, a extinção de cargos nessas áreas compromete a base técnica que sustenta o funcionamento de institutos de pesquisa e pode reduzir a capacidade do estado de manter atividades contínuas em ciência aplicada, conservação e suporte tecnológico.
Já o governo sustenta que a iniciativa faz parte de uma reorganização administrativa mais ampla, com foco em eficiência e sustentabilidade, e que a extinção de postos ocorrerá sem desligamentos imediatos, preservando os servidores em atividade.
O tema deve seguir em debate entre comunidade científica e administração pública, especialmente diante da importância dos institutos paulistas para inovação, segurança alimentar, saúde pública e desenvolvimento tecnológico no estado.
Resumo: Entre 16 e 18 de março, em Campinas (Expo Dom Pedro), a Feira Nacional de Máquinas e Tecnologias da Agricultura Familiar reunirá Embrapa, MDA e parceiros para apresentar estratégias de mecanização adaptadas à agricultura familiar, com exposição de máquinas, protótipos e debates. O objetivo é ampliar o acesso a tecnologias de pequeno porte compatíveis com diferentes realidades produtivas, aumentando a produtividade, reduzindo custos e fortalecendo a autonomia dos agricultores familiares. No Plano Safra 2025/2026, o Pronaf registrou 9,2 bilhões de reais em crédito para máquinas e implementos nos primeiros sete meses da safra, com 256 mil operações (alta de 39% em relação à safra anterior), incluindo crescimento de 153% para equipamentos de cultivo protegido. A programação traz o Seminário Nacional de Máquinas, celebração aos 30 anos do Pronaf e entregas estratégicas, como protótipos financiados (investimento de 2 milhões), a Plataforma Mecaniza e o Concurso de Inventores com premiação de 200 mil reais para 20 protótipos. Destacam-se tecnologias adaptadas à agricultura familiar, como motocultivadores, microtratores e implementos, que articulam políticas públicas, crédito, pesquisa e setor produtivo.
Sumário: Em 2026, a safra brasileira permanece robusta, com Mato Grosso já tendo 78,34% da área de soja plantada e milho de segunda safra em 81,93%, enquanto a colheita nacional de soja opera entre os ritmos mais lentos dos últimos anos; a Conab aponta 353,4 milhões de toneladas de grãos. O cenário externo traz tarifas dos EUA (10%), volatilidade cambial e riscos geopolíticos que elevam incertezas e custos logísticos. O Brasil amplia mercados (Mercosul–UE e China) e avança na abertura de frigoríficos para exportação (42 plantas). Na ciência, GCCRC destaca portos seguros genômicos para inserção sítio-específica de transgenes em milho, prometendo maior velocidade e previsibilidade para milho tolerante à seca. No front de preços, o mercado interno da soja permanece estável, com oscilações em Chicago e revisão de safra para 178 Mt devido à estiagem no RS.

As ondas de calor no Brasil estão mais frequentes, mais longas e mais intensas — e os impactos já são mensuráveis sobre a agricultura, especialmente nas regiões que concentram grande parte da produção nacional. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que o número médio de dias com ocorrência de ondas de calor no país saltou de 7 dias (entre 1961 e 1990) para 52 dias (entre 2011 e 2020).

O bom desempenho da agropecuária foi decisivo para o resultado da economia brasileira em 2025. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta terça-feira (03), mostram que o setor avançou 11,7% no ano, tornando-se o principal motor da alta de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Resumo: O Irã é um dos principais parceiros do Brasil na agricultura, comprando milho (cerca de 9 milhões de toneladas no último ano), além de soja e açúcar, e é fornecedor relevante de ureia, fertilizante para milho. O conflito recente pode impactar esses fluxos comerciais, mas ainda é cedo para medir os reflexos, segundo Paulo Bertolini, da Abramilho. No campo logístico, há preocupações com restrições no Estreito de Ormuz, o que afeta o transporte internacional; o Oriente Médio foi destino de cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango em 2024 (1,579 milhão de toneladas), com parte destinada aos Emirados Árabes e à Arábia Saudita. O aumento do petróleo pode elevar custos de produção (diesel) e influenciar o câmbio indireto para commodities, conforme Carlos Cogo, ressaltando que os impactos dependem da duração e intensidade do conflito. No Rio Grande do Sul, o setor acompanha os desdobramentos com cautela, sem atrasos confirmados até o momento. (Com informações do Correio do Povo.)